O transporte ferroviário brasileiro começou a movimentar o país desde meados de 1870. Até 1930, ele foi o principal responsável pelo escoamento da produção agrícola brasileira, sobretudo o café. As ferrovias cortavam o interior do país até o litoral com suas linhas de ferro.

Atualmente, a malha brasileira tem 30.129 quilômetros de extensão. Pode parecer muito, mas o país com maior número de ferrovias é os EUA, com 293.564 quilômetros. Uma bela diferença, não é mesmo?

Esse número gritante se deve pela desvalorização do transporte ferroviário no Brasil ao longo dos anos, além da falta de investimento e ampliação. Hoje, muito trilhos e vagões enferrujam no esquecimento.

Bauru, um reflexo do Brasil

Aqui em Bauru, a estação ferroviária da cidade já foi o centro de movimentação de pessoas, ideias e economias. Hoje ela se encontra com vidros quebrados e vagões enferrujados.

Ainda que nossas linhas sejam usadas para o transporte de cargas, elas já não vivem mais o seu auge. A principal ferrovia, a Noroeste do Brasil, foi construída em 1907, mas não é a única que passa por Bauru. A cidade é um entroncamento de três linhas, além da NOB, também passam por aqui a Sorocabana e a Companhia Paulista.

E é a história dessas três linhas que convergem em Bauru que duas alunas da Unesp querem restaurar!

Ferrovias e fotografia, uma só paixão

Duas alunas de jornalismo da Unesp de Bauru viram, nas ferrovias, uma história que merecia ser documentada.

Para Heloísa Manduca, a ferrovia já está no seu sangue desde gerações passadas. Seu avô, que já veio de uma família de ferroviários, trabalhou nas ferrovias de Bauru. O pai da aluna de jornalismo também seguiu por essa profissão.

“Desde pequena eu tenho lembranças do meu pai saindo segunda-feira a noite e voltando só na sexta-feira, passando esse tempo todo correndo escalas em várias cidades. A ferrovias sempre estiveram presentes na minha vida!”, Heloísa se emociona ao relembrar.

Para Valquiria de Carvalho, mesmo morando parte da sua vida em São Paulo, seu amor pelas ferrovias começou aqui em Bauru. No entanto, sua grande paixão era a fotografia.

“A foto sempre foi algo que esteve comigo, sempre quis trabalhar com fotografia, ainda mais ligada à arquitetura, que é outra paixão minha”, comenta Valquiria.

Foi após um trabalho da faculdade que a vontade de fazer um projeto com as ferrovias cresceu. Agora, as duas estão desenvolvendo um livro de fotografias sobre as linhas que passam por Bauru.

Antes e depois

O projeto já está no processo de pesquisa documental e o objetivo das alunas é que o livro mostre o antes e o depois das ferrovias. Então, elas pegarão fotos de arquivos para refazê-las hoje.

“Nós vamos fotografar o começo de cada ferrovia, então visitaremos a Noroeste do Brasil, a Sorocabana e a Paulista em suas cidades natais”, explica Heloísa.

De início, o trabalho de conclusão de curso será publicado em plataforma digital. Porém as alunas também querem imprimir em forma de livro e deixar documentado na história de Bauru.

Sobre a importância do trabalho, Valquiria comenta: “Eu acho que nosso tema tem uma relevância muito grande para a Bauru, porque a ferrovia é um marco para a cidade e hoje não se encontram muitas informações fotografadas sobre isso.”

Marco de importância

Com muita paixão envolvida pelo trabalho, as duas alunas têm como objetivo mostrar que as ferrovias foram um marco importante, não só para Bauru, mas para todo o país.

“A ferrovia teve um papel muito importante de desbravar o Brasil, de descobrir e de urbanizar. Hoje, a gente não vê mais isso, mas ainda deixou um legado para o país”, finaliza Heloísa.

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