Você sabia que, desde 1945, com o final da Segunda Guerra Mundial, foram registradas 68,5 milhões de pessoas deslocadas pelo mundo? Só em 2017, foram 16,2 milhões.

Além disso, segundo o Global Trends, em 2017, metade dos refugiados no mundo eram do sexo feminino. O número é preocupante, já que uma em cada cinco mulheres refugiadas são vítimas de violência sexual.

Esses e outros dados fazem parte do trabalho de conclusão de curso de duas alunas de jornalismo da Unesp de Bauru. Amanda Casagrande e Sofia Hermoso passaram meses contando a história das mulheres refugiadas e viram seu trabalha ganhando visibilidade nacional!

A ideia inicial

Após anos de graduação em jornalismo, as alunas se viram prontas para começar o projeto de conclusão de curso. Sem saber exatamente o tema, Amanda e Sofia sabiam que iriam buscar algo com enfoque social, dando um recorte de gênero para as mulheres.

Depois de pensarem, chegaram ao veredito: o trabalho seria uma reportagem hipermídia sobre as mulheres refugiadas.

“Queríamos sair da nossa zona de conforto e tratar do tema com um viés social. Também percebemos que, até então, não tinha muito informação dos refugiados com recorte de gênero”, explica Sofia.

Assim nasceu o Projeto Via.

Um holofote para a realidade

O Projeto Via é uma reportagem hipermídia digital dividida em quatro partes. Ao longo da reportagem, as alunas entrevistaram cinco mulheres refugiadas. Uma delas, residente em Bauru.

Ao todo, foram 17 fontes diretas entre mulheres refugiadas, advogados e órgão oficiais.

“Uma das grandes dificuldades do projeto foi encontrar as fontes que topassem falar. A gente queria gravar, tirar foto e foi um processo de convencer essas mulheres a se exporem”, comenta Sofia.

Além disso, as meninas também confessam que as entrevistas com as refugiadas foram bem complicadas. Isso, porque elas não tinham um conhecimento completo sobre o assunto e foram descobrindo ao longo do trabalho.

“Quando chegamos para a primeira entrevista, vimos que não estávamos tão preparadas para aquela realidade”, confessa Amanda.

Reconhecimento

Segundo as alunas, o objetivo inicial era dar visibilidade ao tema. Por isso, o Projeto Via ganhou um portal online, além de página do Facebook e Instagram.

Quando o trabalho estava finalizado, Sofia e Amanda começaram a enviar a reportagem para meios de comunicação brasileiros. As duas se surpreenderam quando o Le Monde, portal francês com edição brasileira, mostrou interesse pela reportagem.

“De cara, a gente não acreditou no que aconteceu. Eu mesma não contei para ninguém, porque não acreditava. Mas depois que vimos nossa reportagem no site deles, ficamos muito orgulhosas e nos sentimos jornalistas de verdade”, afirma Amanda.

E a divulgação do trabalho não trouxe benefícios só para as alunas, mas também para a Unesp de Bauru! A professora e orientadora de Sofia e Amanda, Angela Grossi, reconhece o esforço das alunas e se orgulha do trabalho.

“Como orientadora, como professora e coordenadora do curso, fico muito grata e realizada em saber que oferecemos as bases para que elas pudessem produzir um projeto de alta qualidade e que antes mesmo de ser defendido foi publicado por um grande veículo. Muitos, muitos projetos nossos são de altíssima qualidade, no entanto, divulgamos pouco. A experiência do Projeto Via mostra que temos  potencial e podemos explorar mais os projetos produzidos na universidade”, finaliza.

Você pode conferir a reportagem no Le Monde pelo link (diplomatique.org.br/a-travessia-refugiadas-no-brasil) ou o projeto todo no portal www.projetovia.com.br.

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