A arte tem várias vertentes e formas! Tudo depende de como você vê, ouve e entende. Cada pessoa tem uma definição do que é arte e, para comentar sobre esse assunto tão complexo, trouxemos nove artistas bauruenses para contar um pouco sobre a visão artística e até mesmo como nossa cidade os inspiram!

Nem sempre, a fotografia foi considerada uma forma de expressão artística. Segundo o blog de fotografia da Escola Áurea, na época, essa arte, sofreu alguns preconceitos, e foi considerada, por alguns filósofos, como “refúgio de pintores frustrados”, que não sabiam pintar e recorriam à fotografia.

foto: Enio Godoy

Com o tempo, esse tabu foi mudado e, hoje, a fotografia ocupa grande espaço na arte. Dessa forma, é possível que grandes artistas se descubram neste meio. Enio Godoy é um desses, ele descobriu nas fotos uma forma de fazer arte. Assim, já são mais de 40 anos “brincando” de ser fotógrafo e, para ele, a vida é sua grande inspiração.

“Procuro sempre retratar o belo, de acordo com minhas concepções, com meu modo de viver, com base em tudo o que vejo, seja nos cotidiano, seja em filmes, imagens de outros profissionais, da natureza, enfim, da vida!”, completa Enio.

Foto: Enio Godoy

Como nossa cidade pode ser tão inspiradora? Olhar para o simples e para o que está em nosso dia a dia pode ser o grande diferencial para encontrar inspiração. Aos olhos do fotógrafo bauruense, registrar Bauru é uma experiência única.

“Estou sempre retratando a cidade! Tenho uma série de imagens de Bauru, sempre que faço algo inspirado na cidade, publico nas minhas mídias sociais digitais”, diz Enio.

Poema também é arte!

Quem confirma é a bauruense Rosemeire Santos que encontra, no conjunto das palavras, a sua arte. Para ela, os poemas dão liberdade de expressar os sentimentos de forma profunda.

Portanto, além de se inspirar em poetas como Cora Coralina e Carlos Drummond, Rosemeire também se inspira em Bauru. Dessa forma, seus poemas são criados a partir das lembranças e bons momentos vividos na cidade.

“Bauru é a minha cidade amada! Cresci aqui, acompanhei seu crescimento e evolução. Quando criança, meus pais me traziam para passear na Praça Rui Barbosa. Além disso, me lembro das viagens de trem e a movimentação na Praça Machado de Melo”, explica Rosemeire.

Ainda sobre artistas escritores: agora é a vez do livro!

O escritor Jonas Gabriel foi surpreendido pela arte da escrita! O bauruense nunca foi ligado à literatura e se considerava péssimo em português. Porém, a paixão pela escrita nasceu quando Jonas descobriu que sua avó tinha uma agenda onde anotava pensamentos e reflexões.

“Um dia deu vontade de ler a agenda dela, mas ela disse que eu só poderia ler quando ela morresse. Então, o tempo passou e ela faleceu em 2008! Quando peguei a agenda e comecei a ver as reflexões, me emocionei e me apaixonei pelo que tinha ali”, explica Jonas.

O bauruense comentou que nas últimas folhas estava escrito: “Jonas, termine esta agenda”, com partes em branco para ele colocar suas reflexões. A avó de Jonas fez nascer uma paixão que, antes, parecia impossível para o jovem. Hoje, ele aguarda o lançamento de seu segundo livro.

O primeiro livro do bauruense é um livro de frases e pequenos textos que tratam de amor, saudades, cotidiano, relacionamento, lembranças. Segundo o escritor, é um livro um pouco motivacional.

Já o segundo, que vai ser lançado em setembro, é voltado para o público feminino. O livro traz pesquisas sobre as mulheres e o olhar do escritos sobre as mulheres da vida dele. Para ele, é um livro delicado e apaixonante.

Uma artista plástica autodidata!

Essa artista é a Viviane Mendes, muito conhecida na cidade pelos seus quadros diferenciados e que chamam a atenção de qualquer um! A bauruense é advogada, mas sua área é a arte.

Com um trabalho livre, como define a própria artista, Viviane trabalha caminhando entre o certo e o errado, “se é que existe certo e errado na arte”, ela enfatiza. Nesse sentido, a bauruense trabalha com diferentes formas, cores e segue como roteiro sua harmonia interna.

Viviane trabalha com arte há mais de 20 anos e começou com técnicas de restauração. Além disso, a facilidade em trabalhar com tintas fez com que ela começasse a pintar telas. E deu tão certo que até hoje esse é a especialidade da artista.

Existe a seguinte e sábia frase: seu pensamento é seu guia. Para Viviane isso funciona bem com a arte! Ela tem como principal inspiração o que pensa, faz e vive.

“Tiro do meu coração e tudo isso é intuitivo! É um conjunto do que sou, tiro de livros, espiritualidade, alimentação, das energias sutis, tiro de mim. Mas, ao mesmo tempo, na verdade eu cuido para que eu tenha acesso disso dentro de mim e possa me entender”, explica.

Uma ideia, tinta e um quadro

Na arte podemos destacar uma vertente que é a pintura de quadros. Quem vai representar essa técnica na nossa matéria é a artista Dani Bonachela, que trabalha com essa “modalidade” tão inspiradora.

A paixão por desenhar e pintar acompanha a bauruense desde cedo, com isso, Dani se formou em artes na Unesp há mais de 25 anos. Mesmo tendo outra formação, a de advogada, ela não conseguiu parar de desenhar, pintar e vender a arte que produzia.

A artista tem suas inspirações voltadas às mulheres, os trabalhos são bem femininos em que destaca curvas, cores e texturas. Além disso, nossa cidade ajuda a bauruense a se inspirar nas produções. Sem contar o número de artistas que moram aqui e servem de inspiração para muita gente.

“Bauru tem uma comunidade grande de artistas fantásticos de estilos variados e eu tenho o privilégio de ser amiga de muitos deles. Então, esse contato com outros artistas bauruenses é sempre muito positivo. Conseguimos trocar experiências e informações sobre esse mundo às vezes tão complexo que é o das artes”, comenta Dani.

Foto: Lara Pires

O teatro é a forma mais divertida de transmitir arte

A arte e o teatro andam de mãos dadas, por isso, essa vertente é tão importante quando o assunto é arte. A representação surgiu a partir da necessidade do ser humano expressar seus sentimentos.

Dessa forma, começaram as primeiras encenações e, atualmente, seguimos com uma linha de representações diversificadas por gêneros e modelos de apresentação. Seja uma peça de teatro, filme, novela, ou qualquer outro estilo de transmissão, a atuação é considera um dos primeiros trabalhos da história.

A bauruense Andressa Francelino se apaixonou pelo teatro quando ainda tinha seis anos. Sabe aquela história de amor à primeira vista? Aconteceu e a paixão foi tão séria que, até hoje, o teatro é parte da vida da jovem.

“Trabalho com teatro documentário, biodrama e trabalho com memória! Minhas inspirações acabam sendo situações que vivencio. Sou grande observadora da vida e então capto situações que dialogam com minha subjetividade e acabo usando de inspiração para minhas criações”, explica a artista.

Além dessas inspirações, Bauru também influencia na criação das histórias e espetáculos. Segundo Andressa, os acontecimentos da cidade e histórias marcantes inspiram e trazem a questão de pertencimento.

Ainda sobre encenação… Circo!

A arte circense é mais velha do que você imagina! Isso, porque quase todas as civilizações antigas já praticavam, de alguma forma, esse tipo de arte. Segundo o Guia de Turismo do Brasil, no nosso país, existe cerca de 2.500 circos ativos, 30 desses, considerados de médio e grande porte.

Na nossa cidade existe uma escola circense que ensina diferentes modalidades realizadas dentro circo. A Casa do Circo de Bauru propõe atividades como tecido acrobático, circo para crianças, aéreos, acrobalance, malabarismo e circo para crianças. Além disso, o circo adicionou atividades de yoga, thay shi, kung fu e dança.

A instituição está na cidade há cinco anos e ajuda as pessoas a descobrirem habilidades e desenvolverem trabalhos. Tatiana Santiago é diretora artística da Casa do Circo e nos explicou que o circo tem muitas modalidades e é muito agregador.

“O circo tem um trabalho colaborativo, cada um tem um papel importante para que o todo aconteça. Além de ser uma atividade que desenvolve criatividade, o corpo por completo, flexibilidade e coordenação”, diz.

Assim como em todo tipo de arte, no circo, os artistas se expressam com a alma e o coração. Para isso, são usados espelhos e instrumentos que se tornam uma extensão do corpo ganhando expressão dentro da apresentação.

Foto: Francine Esqueda

A música é forma de arte!

A música está inserida na sociedade desde os primórdios, quando o ser humano começou a se comunicar. Chamamos de música o que é constituído por sons e ritmos em combinações que podem durar tempos diferentes.

Você já sabe o que é música, mas só para contextualizar, vamos lembrar que a música pode ser considerada uma forma de expressão e arte, além de possuir diversos estilos e segmentos.

Ainda em uma cidade cheia de músicos, falamos com a Luciana Pires, que é cantora, compositora e apaixonada pela música. Para ela, estar envolvida com essa arte é um exercício diário!

A bauruense explica como a paixão nasceu: “Minha mãe tinha uma coleção de vinis de grandes compositores e intérpretes brasileiros. Meu pai ouvia Beatles e outros cantores internacionais. Com dois ou três anos, eu já estava cantarolando pela casa”, comenta a artista.

O envolvimento com a música foi ficando mais forte e, até hoje, Luciana sente como se a música fosse parte da vida dela. Além de conhecer novas culturas, cantores e realidades, a música oferece troca de compreensões, interpretações, sentimentos e histórias.

“Acho que o benefício está aí, as pessoas se identificam com a minha música da sua forma. Além da possibilidade de continuar fazendo o que amo juntamente com a responsabilidade de cuidar da minha própria carreira. A arte preenche!”, enfatiza Luciana.

A bauruense trabalha com música desde os 17 anos e leva artistas como Chico Buarque, Tom Jobim, Vinicius, Maria Bethânia, Elis, Amy Winehouse, Leny Andrade e Liniker como inspirações. Além disso, Bauru é parte da inspiração da cantora, por ser uma cidade composta por vários músicos que respiram a arte.

“Trabalhar com música é um combustível! Além de ser terapêutica, a experiência proporciona alcançar muitos lugares e mentes”, comenta.

Grafite: arte urbana

A arte está nos detalhes, vai do quadro aos muros e a arte dos muros chamamos de grafite. O grafite além de dar um novo aspecto à cidade deixa estabelecimentos mais coloridos e cheios de vida. Em Bauru, existem alguns pontos em que essa arte está inserida e um dos responsáveis por algumas dessas artes espalhadas pela cidade é o Gabriel Hune.

Gabriel começou a se interessar pelo grafite em 2011 em um evento de arte urbana! De lá pra cá, a paixão só aumentou. “Fui em um evento de arte urbana entre o Brasil e Chile. Então, comprei tintas à óleo e um tela. Mas, comecei a pintar telas primeiro antes de ir pintar murais nas ruas“, comenta.

O grafite é uma arte reconhecida no mundo todo! Porém, demorou até que as pessoas deixassem o preconceito de lado e passassem a ver o grafite como arte e grafiteiros como artistas. Além disso, uma dificuldade encontrada por quem faz grafite é a busca por materiais. O spray usado tem um valor elevado. Então, o profissional recorre a compras pela internet ou precisa se deslocar até São Paulo para a compra.

Mas, mesmo com essas dificuldades, os artistas conseguem se inspirar na nossa cidade. Para Gabriel não é diferente! “Gosto de pintar aqui e fazer meus murais pela cidade, aqui conheci muita gente, fiz muitas amizades, graças à arte conheci minha namorada Caroline  que agora é minha noiva!”, diz.

Gabriel espalha sua arte pela cidade em suas grandes telas mais conhecidas como muros. Assim, vive o bauruense, deixando nossa cidade mais bonita e, claro, espalhando o grafite pelo mundo. “Nasci aqui, foi aqui que conheci o Grafite, foi aqui que comecei a sonhar com a expansão da minha arte para galerias de arte do mundo“, finaliza.

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