Há semanas estou ensaiando um texto para a coluna do Social Bauru. Mas falho miseravelmente. E a cada falha, um sentimento de incapacidade e inutilidade desperta em mim. Provavelmente hoje será mais um dia desses.

E a verdade é que ser jornalista não é fácil como a maioria pensa. Nem sempre sei o que escrever, nem sempre sei o que dizer. Nem sempre minhas reportagens saem do jeito que eu gostaria. Nem sempre temos perguntas para tudo ou sabemos como perguntar. E pasmem, nem sempre sabemos de tudo.

Mas a gente se cobra. Eu pelo menos, me cobro desde criança. De ser a mais inteligente. De ser a mais esperta, a sabichona. Eu queria ser especial, queria fazer grandes feitos, queria ser importante. Por isso eu lia, lia muito, livros que na época nem eram para minha idade. Sonhava até demais. Escrevia mil histórias na minha cabeça. Imaginava eu contando todas elas. Mas é que eu queria ser diferente. E eu era. Eu me sentia especial. Acreditava veemente nisso.

Acontece que quando eu escrevia algo, eu não estava na espera da aprovação de alguém. Eu só colocava no papel o que eu sentia, o que eu queria. Sem medo de ter algo errado, apesar de que, para mim, não existe “errado” num texto. Mas isso deixou de ser verdade para mim há algum tempo. Parei de acreditar igual acreditava quando criança. Nunca está bom o suficiente, e a cobrança vem, mas não como era quando eu era pequena. Vem como uma forma de fato. Você (eu) não é (sou) boa o suficiente.

Vivo em busca de aprovação, seja pela minha capacidade, pela minha inteligência e principalmente pelos meus textos. Mas eu me reprovo todos os dias. Fujo de qualquer opinião que possa ser feita sobre mim. Não acredito nos elogios e não quero escutar as críticas. Nada está bom.

Desesperada, peço à Deus o dom da escrita. Da fala. Do entendimento. De qualquer coisa que me faça ser boa ou me sentir boa de novo. Mas a cada dia que passa vou desistindo das minhas orações.

Na minha cabeça: “é Isadora, talvez você não seja feita pra isso!”.

Não sei qual foi o gatilho para tais pensamentos desacreditados sobre mim. Mas hoje, tentando escrever há alguns minutos, algo descente pra vocês, leitores. É claro, quero que vocês gostem, mas não preciso de aprovação para continuar escrevendo e com isso percebi que quero voltar a ser como criança. Sim, como. Não quero deixar de ser adulta, mas quero resgatar a fé que eu tinha em mim. Quero voltar a acreditar em uma professora quando disse que eu seria uma grande escritora, uma grande jornalista. Quero acreditar nos meus pais, que sempre me incentivaram nessa jornada, porque eles acreditavam em mim. Eu quero voltar a acreditar em mim de novo.

Parafraseando uma fala de uma série que assisti, uma criança não deixa de brincar por causa de um joelho ralado, ela pode até saber que pode se machucar de novo, mas ela continua brincando. E de lição para mim, eu devo fazer o mesmo.

Quem sabe com a chegada do Dia das Crianças eu não volte a virar uma. E você, quer ser criança de novo?

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