Bauru é a terra do sanduíche; das linhas de trem. A “Springfield” brasileira. Mas porque não ser, também, a cidade da literatura? Transformar a imaginação em palavras concretas impressas em uma página é uma habilidade que muitos bauruenses têm.

Ainda assim, o hábito da leitura ainda é baixo entre as pessoas. Segundo o instituto Pró-Livro, em um levantamento feito em 2016, o brasileiro lê cerca de 2,43 livros por ano. Para debater sobre o hábito de leitura dos bauruenses e os projetos de incentivo aqui na cidade, quatro alunos de jornalismo se uniram para criar um documentário.

Com o nome de Sanduíche Literário, eles entrevistaram escritores, editores e apaixonados por livros em Bauru. Confira:


Para entender um pouco sobre o projeto, conversamos com Pedro Fonseca, Victor Barreto, Lucas Lombardi e Patrick Souza, alunos responsáveis pelo desenvolvimento.

– Como surgiu a ideia do documentário?

Pedro: A ideia do documentário surgiu após uma listagem de diversos possíveis temas, que foram desde artes marciais em Bauru até temas mais artísticos. Ao final, decidimos seguir por esse viés mais cultural e chegamos à conclusão de que os livros seriam um bom objeto de estudo. Honestamente, no início, conhecíamos pouco do cenário literário de Bauru, pois somos naturais de outras cidades e vivemos aqui em função da faculdade. No entanto, após uma etapa de pesquisa e avaliação, desenvolvemos a ideia e confirmamos que a literatura em Bauru era um tema com grande potencial.

– Qual a relação de vocês com a literatura?

Pedro: Sempre gostei muito de ler, mas quando era criança preferia ler quadrinhos. Mais tarde, passei a ter contato com livros infanto-juvenis, como as obras “Goosebumps” e “Percy Jackson e o Ladrão de Raios”. Já na escola, fui incentivado a ler clássicos como Agatha Christie e Jorge Amado. Por fim, curti muito o mundo dos livros e quis conhecer outras grandes obras, como “O Senhor da Moscas”, “Viagem a 20.000 léguas submarinas” , “A Arte da Guerra” e “1984”.

Lucas: Comecei o hábito de leitura desde muito cedo, graças a minha mãe, que me influenciou muito nesse sentido. Eu ia sempre na biblioteca da minha escola alugar livros para ler, como “Harry Potter” ou “As Crônicas de Nárnia”, e conforme fui crescendo, me aproximei de outras obras menos fantásticas como “O Apanhador no Campo de Centeio”. Hoje em dia, a literatura, para mim, é uma mistura de hobby com estudos, leio para me divertir, sendo meus gêneros favoritos fantasia, terror e ficção científica. Meus autores favoritos são Tolkien, George R. R. Martin e Patrick Rothfuss. Também gosto muito de H. P. Lovecraft e Edgar Allan Poe.

Victor: Para ser sincero, meu hábito de leitura não é dos melhores. Dessa maneira, creio que a mensagem que tentamos passar no documentário, de incentivo ao hábito de ler, vale para mim também. Por outro lado, quando eu começo a ler um livro, é difícil eu parar.  

– Por que trabalhar com a literatura de Bauru?

Pedro: Por minha parte, além de precisarmos delimitar uma área de estudo mais específica, foi uma questão emocional. Desenvolvi um laço muito grande com cidade por estar morando nela nos últimos quatro anos. Aqui eu conheci muita gente importante para mim e tive muitas experiências incríveis. Assim, eu queria fazer algo que pudesse trazer alguma espécie de retorno para a cidade e que marcasse meu tempo aqui.

Lucas: Eu particularmente não tinha muita proximidade com a literatura nacional, tampouco com a literatura local, porém já frequentei eventos culturais na cidade e percebi que a cena literária era bem rica, apesar de pouco conhecida pelos próprios bauruenses. Vimos ali a oportunidade de poder explorar essa cena, relacionando com o cenário nacional de pouca leitura dos brasileiros.

Victor: Vimos que na cidade tinha um número considerável de escritores e que essa espécie de “cena”, ainda que nem todos os escritores pertençam a grupos ou algo do gênero, podia ser explorada. Também tem esse lado de dar um retorno à cidade que nos acolheu durante a graduação. Acho que conseguimos fazer isso, pois tentamos trazer um problema de âmbito nacional, o baixo hábito de leitura do brasileiro, e investigar como ele se refletia na cidade. Não só apontamos esse problema, como também buscamos mostrar formas que bauruenses tentam mudar essa realidade. Nesse processo, descobrimos algumas iniciativas bem legais tomadas por gente daqui. Achamos que seria importante dar visibilidade a esse tipo de coisa.  

– Como foi o processo de produção do documentário? 

Pedro: Após definirmos o tema, fomos atrás de um professor orientador e filtramos ainda mais nosso objeto de estudo. Em seguida, passamos por um processo de pesquisa para coletar todos os dados possíveis sobre o contexto da literatura no país e em Bauru. 

Acredito que a maior dificuldade foi o curto espaço de tempo de que dispúnhamos para a entrega do trabalho. Tivemos em torno de três meses para realizar o projeto e acredito que, por esse motivo, muitos grupos, indivíduos e instituições de Bauru, que são envolvidos com a literatura, acabaram ficando de fora do documentário. Gostaria muito de ter entrevistado donos de sebo, mas não foi possível devido ao tempo.

Victor: O processo de roteirização também não foi fácil. Apesar de não termos entrevistado todo mundo que gostaríamos, até que tínhamos bastante material. Foi um pouco complicado organizar tudo aquilo e seguir por uma linha narrativa consistente, até porque poderíamos ter seguido por linhas diferentes. Já o processo de edição é complicado por si só, e, apesar de não sermos experts nisso, creio que o Lucas e o Patrick, que editaram, fizeram um ótimo trabalho. 

Lucas: Possuíamos um tempo limitado e tínhamos de conciliar o trabalho com o resto das disciplinas da faculdade, porém, como estávamos em quatro pessoas, acho que conseguimos dividir o peso e trabalhar bem. 

– Qual o maior aprendizado que você tiveram ao longo da produção?

Pedro: Com essa proposta eu pude ter o contato com uma área cultural da cidade, que eu nunca conheci. Vi o quanto a cidade de Bauru tem a oferecer aos amantes dos livros. Também entendi a importância de lutar para manter vivo aquilo que amamos.

Victor: Conhecemos pessoas inspiradoras, apaixonadas pelo mundo dos livros e que tentam passar essa paixão adiante. Para mim, isso serviu como um lembrete sobre como é bom ler. 

– Para vocês, qual a importância dos bauruenses conhecerem mais da cultura local?

Pedro: A cidade de Bauru tem um potencial cultural incrível, não só no que diz respeito à literatura, mas também em outras áreas. Seria muito bom se os bauruenses pudessem entrar em contato com todas as modalidades culturais de que Bauru dispõem, não só pela experiência, mas para ajudar a promover as atividades e a temática para o resto da população.

Victor: Acho importante para valorizar o que é feito aqui e também para promover essas atividades, como disse o Pedro. No nosso documentário, conhecemos várias pessoas daqui que tentam promover a leitura, indo contra uma realidade nacional. Conhecer projetos que têm esse objetivo faz você valorizar o trabalho dessas pessoas. Acho também que as pessoas, ao entrarem em contato com escritores ou mesmo artistas locais, podem se sentir inspiradas. Por exemplo, entrevistamos de escritores bauruenses consagrados a escritores de primeira viagem. Creio que ouvir pessoas como essas contarem suas histórias e experiências pode inspirar pessoas a fazerem o que elas gostam. 

Agora, os quatro alunos se preparam para apresentar o projeto de conclusão de curso no dia 28 de novembro.

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