Ir ao banheiro, lavar roupa ou louça e tomar banho são atividades comuns que fazemos todos os dias. Porém, você já parou para pensar para onde essa água usada vai? 

O esgoto é, na verdade, formado por águas residuais que vêm do banho, limpeza de roupas, louças e da descarga do vaso sanitário. E você pode estar se perguntando por que se preocupar com seu destino, mas já irá entender o impacto disso.

Para onde vai o esgoto? 

O destino do esgoto deve ser acompanhado de perto pela sociedade e também cobrado das autoridades. Isso, porque, caso não seja tratado, pode causar inúmeros problemas para a saúde pública, especialmente em cidades populosas, como é o caso de Bauru, assim como explica a bióloga bauruense, e também pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Larissa Sbeghen.

“Os dejetos despejados nas águas podem ser fontes de microrganismos transmitidos via veiculação hídrica. Isso pode provocar diversas doenças, caso haja o contato da pessoa com essa água contaminada. Além disso, águas com muito material em decomposição favorecem também a proliferação de pragas, como o mosquito doméstico”, pontua a especialista. 

Por isso, a importância de sistemas de coleta e tratamento de esgotos. Eles, além de evitarem riscos de contaminação e transmissão de doenças, também são benéficos para o meio ambiente pois controlam a poluição das águas.

Assim, Larissa pontua que a região de Bauru tem duas estações de tratamento em funcionamento. A Estação de Tratamento de Esgoto Tibiriçá e a Estação de Tratamento de Esgoto Candeia, juntas, podem atender uma população de até 50 mil pessoas. No entanto, apenas cerca de 5% do esgoto de Bauru é tratado nelas.

Além disso, a assessora DAE/Bauru, Giovanna Polo, esclarece que o rio Bauru recebe todo esgoto do município. Isso significa que lá são despejados, em média, 1300 litros de esgoto por segundo, tanto industrial quanto residencial

“Hoje todo o esgoto é lançado no rio Bauru, porém em área afastada da cidade, próximo ao Jardim Chapadão”, pontua Giovanna.

Ainda, esse tema é preocupante não só na região, mas também em âmbito nacional. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento Regional, apenas 53,2% do esgoto gerado no país é tratado.

E aí, o que fazer?

Ademais, Larissa pontua que essa situação causa um grande desequilíbrio na natureza. “Ocorre mortalidade da fauna de invertebrados e vertebrados locais, já que o processo de decomposição do esgoto/lixo pelas bactérias irá consumir o oxigênio da água. Neste esgoto também poderá ter efluentes químicos que podem ser tóxicos para plantas e animais, se acumulando em seu organismo ou causando mortalidade”.

No entanto, a assessora do DAE afirma que todo o trecho urbano do Rio Bauru já está despoluído. Isso, graças à instalação de 90 quilômetros de interceptores, que são tubos de recolhimento de esgoto instalados próximos às margens dos córregos e rios que recebem o fluxo de esgoto.

Porém, os interceptores são apenas uma medida provisória para diminuir o contato direto da população que vive próxima a esses córregos com o esgoto. A situação deve ser normalizada após a finalização das obras da estação de tratamento Vargem Limpa, que está prevista para o ano que vem. 

De acordo com DAE, a estação terá capacidade para tratar 95% do esgoto produzido na cidade (1.200 litros por segundo). 

Apesar do panorama da cidade estar com previsões de melhora, a bióloga Larissa Sbeghen reforça a importância de ações individuais. Em especial, cita o controle do lixo que produzimos e podem agravar a situação do esgoto não tratado. 

“Devemos ter a consciência que tudo que jogamos no chão terá um rio como destino. Então, a poluição que temos nas águas e todas as consequências negativas são ocasionadas por nós mesmos. Mas é importante também cobrar das autoridades que utilizem adequadamente o dinheiro público para obras como esta que temos em Bauru, da ETE Vargem Limpa”, finaliza.

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