Pode até parecer balela ou desnecessário trazer um assunto como esse à tona, até porque, quem em sã consciência praticaria preconceito contra idosos? Porém, o ageísmo, termo que define a discriminação contra essa faixa etária, está presente diariamente e em mínimos detalhes. 

O tema tem urgência de ser discutido, especialmente, porque com o avanço da medicina, as pessoas estão vivendo cada vez mais. Além disso, de acordo com o Ministério da Saúde, atualmente, os idosos representam 14,3% dos brasileiros. Porém, em 2030 a expectativa é que número supere o de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos. 

A coordenadora da Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI) do UNISAGRADO, Verônica Carneiro dos Santos, explica mais sobre o conceito: “Esse tipo de comportamento discriminatório já existe em nossa sociedade há anos e causa um grande sofrimento nas pessoas. Por isso, estudar e refletir sobre o processo de envelhecimento e opções para atividades adequadas aos idosos é um desafio e uma necessidade nos dias de hoje”, pontua.

Pouco conhecido, o ageísmo deve ser, cada vez mais, tema de conversas para que as pessoas tomem conhecimento da importância de evitá-lo. Ainda está um pouco confuso? Vamos explicar mais um pouco sobre o assunto. 

Age o que? 

O palavrão pode até causar um pouco de estranhamento, porém vem da palavra age, que em inglês significa idade. E, como explicamos, ele determina a forma preconceituosa de criar estereótipos ou discriminar pessoas pela idade. 

Verônica ainda esclarece que ageísmo refere-se, essencialmente, às atitudes que os indivíduos e a sociedade têm em relação às pessoas em função da idade. E, para se ter uma noção da dimensão da questão, de acordo com uma pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 57 países, mais de 60% dos  entrevistados possuíam uma visão negativa sobre o envelhecimento. 

Entre as principais consequência que esse comportamento pode causar estão a perda da autoestima, isolamento, depressão, incapacidade física e demência. Além disso, esse tipo de marginalização é capaz até de reduzir a expectativa de vida do idoso.

Como combater? 

Uma das formas mais efetivas de opor-se ao ageísmo é desmistificando crenças que envolvem o envelhecimento. Além disso, criar opções de atividades para reinserir idosos na sociedade também é essencial. 

Verônica frisa que Bauru possui algumas possibilidades para as pessoas da terceira idade cultivarem uma melhor qualidade de vida.

Existem programas específicos para a terceira idade nas universidades locais, associações de idosos, grupos nas paróquias, etc… Isso mostra que a sociedade bauruense está procurando saídas para que os idosos tenham uma longevidade com saúde. Afinal, é uma etapa que chega para todos”, pontua a coordenadora da UATI. 

Enquanto isso, o coordenador da Universidade Aberta à Terceira Idade (UNATI), da Unesp de Bauru, Prof. Dr. Fabio Augusto Barbieri, ressalta a importância que atividades, dos mais variados tipos, podem gerar para os integrantes dos grupos. 

“Idosos apresentam um distanciamento social que aumenta o quadro de solidão e depressão. A realização de atividades é uma forma de evitar que este quadro se agrave e que o idoso mantenha uma vida social ativa. Além disso, as atividades apresentam outros objetivos, como por exemplo, melhorar a capacidade funcional, como força e flexibilidade, nesta população. Assim, disponibilizar atividades para esta população é uma forma de melhorar a qualidade de vida”, explica o profissional.

Mão na massa

Atualmente, a UNATI (UNESP) desenvolve três atividades principais: 

  • Arte para a terceira idade: destinado ao fazer artístico e oficinas de artesanato; 
  • Avaliação física para a terceira idade: destinado a avaliação física de pessoas na terceira idade e divulgação da necessidade da realização de atividade física regular na terceira idade; 
  • Atividade física para a terceira idade: destinado à promoção de atividade física regular para idosos saudáveis e patológicos, como idosos com diabetes mellitus, hipertensão arterial e desordens do movimento.

Fábio explica que o projeto é vinculado com pesquisa, o que aumenta a qualidade do serviço e dá mais legitimidade para as atividades desenvolvidas. Além disso, os resultados positivos são notados nas avaliações dos participantes.

“As avaliações realizadas nos projetos têm mostrado que os participantes apresentam melhor qualidade de vida e integração social. Ainda, com a realização de atividade física, a capacidade funcional dos participantes apresenta elevado nível quando comparado a idosos que não participam do projeto”, esclarece. 

Enquanto isso, de acordo com Verônica, a UATI (UNISAGRADO) desenvolveu 23 oficinas neste segundo semestre de 2019. Todas relacionadas à saúde, cultura, esporte, lazer, convivência, atualidades, dança, ginástica, artesanato, desenho e línguas (Inglês, Mandarim e Italiano). 

“São cursos livres que acontecem pela manhã e à tarde, de segunda a sexta-feira. Promovemos eventos onde os próprios idosos são os protagonistas tanto na elaboração como na execução do mesmo”, expõe a coordenadora

Assim, sem nos esquecermos que, como parte do ciclo natural de nossa vida, todos envelheceremos, promover a discussão e esclarecer mais sobre esse assunto é um dever de todos. 

E, se você ficou receoso se já praticou ageísmo, Verônica deixa uma dica sucinta para não errar de novo! “O ‘termômetro’ que devemos ter em relação à maneira de tratar, de relacionar-se com as pessoas, sobretudo com o público da terceira idade, que prefiro chamar de sequência da vida, é sempre colocar-se no lugar do outro e se perguntar: ‘Se fosse eu, gostaria de ser tratado assim desta maneira?’”, finaliza.  

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