É inegável que a estrada de ferro é um marco em Bauru. Isso, porque, durante muito tempo, ela foi responsável pelo crescimento da cidade. Porém, com o passar dos anos, e devido a sua importância, os danos que ela causou a outros povos foi omitido. 

Não sabe do que estamos falando? Bom, o artista Victor Harabura de Freitas trouxe a questão à tona em forma de uma escultura, chamada “Rasgo de Ferro”, que será inaugurada, e estará exposta a partir de amanhã (05), no Museu Ferroviário

Transformando memórias em escultura

Desde que chegou em Bauru, Victor passou a pesquisar sobre a história da estrada, e, diante dos resultado, notou uma inconsistência. Ao mesmo tempo que a implantação da malha ferroviária trouxe progresso, ela também quase dizimou os indígenas que viviam na região, os Kaingangs.

“Quando mudei para Bauru, comecei a fazer esculturas relacionadas às histórias da cidade, como ela surgiu e seus personagens. Percebi que a cidade é muito conectada com a ferrovia. Porém, poucos habitantes da cidade sabem dessa parte obscura da cidade, o massacre de milhares de indígenas durante a construção dos trilhos”, explica o artista. 

Assim, a obra foi criada a partir do elemento principal de desenvolvimento da cidade: o trilho de trem. No entanto, conta com grafismos relacionados a etnias indígenas, o que retrata a sobreposição cultural que recaiu aos indígenas que aqui habitavam.

Representando outras culturas

Assim, todo o trabalho foi desenvolvido por meio de entrevistas e visitas que Victor realizou à reserva indígena Araribá. “Meu contato foi por meio de um indígena, Irineu Nje’a, que me assessorou no processo de entrevista para conversar com os anciões das aldeias para contarem sobre os grafismos”, explica

Os grafismos foram entalhados nos dormentes a partir dos dados coletados com anciões das etnias Kaingang, Guarani e Terena. De acordo com Victor, os Terenas são representados por um ema, enquanto os Guaranis são representados por uma cobra e os Kaingangs por uma onça.

Dessa forma, o principal objetivo do artista com a escultura é que as pessoas possam compreender como a expansão cafeeira foi grandiosa e essencial para a cidade. No entanto, por outro lado, foi prejudicial e responsável pela expulsão de um povo tão significativo e representativo para esta região.

Além disso, a obra busca ir além do fato histórico e engloba o momento atual, representando não só os Kaingangs, mas também as tribos Guarani e Terena, que de algum modo sofreram, e ainda sofrem, as consequências da imponência da malha ferroviária.

Ainda, sobre ter sua obra exposta no Museu Ferroviário, o artista comemora: “Sendo meu primeiro monumento público, fico honrado e agradecido por poder instalar a obra no museu e retratar de algum modo esse momento histórico e os indivíduos que têm importância para a região, mas que por razões diversas estão esquecidos”

A obra, desenvolvida com verba do Programa de Estímulo à Cultura de 2018, ficará exposta permanentemente na praça Kaingang do Museu Ferroviário de Bauru.

O artista Victor Harabura, natural de São Paulo, é graduado em História e Artes Visuais. Vive na cidade de Bauru há quatro anos e vem participando das principais exposições da cidade e do estado, ganhando prêmios e se destacando no circuito artístico com suas esculturas. 

As informações são da assessoria de comunicação da Prefeitura de Bauru.

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