É engraçado, e até um pouco assustador, pensar que inúmeros acontecimentos podem influenciar as nossas vidas. Seja no âmbito mundial, a exemplo do aquecimento global, ou nacional, como os incêndios na Amazônia que chegaram a escurecer os céus de várias cidades do Estado de São Paulo, inclusive, Bauru. 

Eventos como esses, especialmente os que estão relacionados ao meio ambiente, e sua destruição, impactam nossas vidas. Se não imediatamente, a longo prazo e também as gerações futuras.

No entanto, apesar de estarmos cientes de grande parte do que ocorre com o meio ambiente, muitas vezes, devido à grande proporção dos fenômenos, nos sentimos impotentes em relação às nossas ações. 

Bom, até porque, fazer algo para impedir o derretimento das calotas polares parece uma ação impossível, não é mesmo? Porém, é exatamente com uma visão oposta a essa, que temos, ao menos, uma chance de reverter essa situação. 

E um exemplo desse tipo atitude que vem dando certo é o Comitê Pelo Clima, grupo que atua na cidade de Bauru há quase seis meses. Você já tinha ouvido falar nessa iniciativa? Não? Então, confira um pouco da conversa que tivemos com uma das cofundadoras do projeto, Fabiana Araújo Silva. 

A união faz a força

A iminência de uma crise ambiental está aí todos os dias em nossa frente, e ciente disso, Fabiana fez tudo o que estava a seu alcance. A fisioterapeuta adota desde o consumo de cosméticos low poo – técnicas menos agressivas para os cabelos e que também impactam menos no meio ambiente – e produtos naturais e não testados em animais, até a prática de zero lixo

Porém, como não dá para salvar o mundo sozinha, ela teve a ideia de buscar ajuda. “O agravamento da crise climática, os ataques à natureza e o enfraquecimento das políticas de proteção ambiental estavam me deixando inquieta. Em uma conversa com uma amiga, apontamos que apenas a mobilização coletiva é capaz de gerenciar essa crise e que é preciso popularizar o discurso socioambiental”, explica. 

Dessa forma, Fabiana convidou amigos e conhecidos que também expressavam preocupação com a causa socioambiental para se mobilizarem. E foi assim que, junto com a designer de moda, Iana Uliana Perez, o biólogo José Roberto Silva Junior e a mestranda em design Júlia Kano, ela fundou o Comitê pelo Clima na cidade, em 13 de agosto do ano passado. 

A iniciativa surgiu com o principal intuito de realizar reuniões, campanhas e atos que conscientizassem a população bauruense sobre a urgência da pauta. E, apesar de, inicialmente, eles terem a intenção de estruturarem-se antes de agir, um infortúnio fez com que as ações fossem adiantadas. 

O “dia do fogo” na Amazônia fez as engrenagem do projeto girarem mais rápido que o esperado. “Decidimos convocar uma reunião aberta, convidando a população de Bauru para participar do Comitê. Após a reunião, várias pessoas se aproximaram, em especial a Júlia, que é a quarta cofundadora do Comitê”, relembra Fabiana.

Com a mão na massa 

Logo em seguida ao encontro para mobilizar bauruenses, o grupo também participou de atos na Mobilização Global pelo Clima, em setembro. No entanto, uma outra adversidade colocou-se no caminho: o incêndio no Jardim Botânico, em outubro do ano passado. 

O ocorrido, que destruiu cem hectares de Cerrado – o equivalente a cem campos de futebol – foi um choque porém, também foi um incentivo para continuarem firme com sua atuação. 

Em outubro, assinamos a Carta de Repúdio aos incêndio no Cerrado de Bauru, redigida pelo Núcleo Ecossocialista do PSOL de Bauru, e participamos do Ato em Defesa do Cerrado, realizado na Câmara Municipal. Além disso, organizamos, juntamente com o Fruto Urbano e a ONG SOS Cerrado, uma agenda cultural em Defesa do Cerrado. Como resultado do ato, o secretário do Meio Ambiente realizou uma reunião e esclareceu alguns aspectos”, explica Fabiana.

A cofundadora do projeto ainda pontua que, apesar de ter sido uma reunião positiva, a postura das autoridades ainda é insuficiente. Isso, principalmente porque as leis de proteção ao Cerrado são constantemente ameaçadas por interesses de terceiros. 

Apesar disso, ela acrescenta confiante: “Nós, como coletivo socioambiental, ainda estamos nos estruturando, mas pretendemos, a longo prazo, levar mais pautas para as autoridades, cobrando medidas efetivas”.

Como funciona? 

Desde o início do projeto, Fabiana conta que já foram realizadas diversas atividades, como mobilizações, oficinas de hortas domésticas, de cartazes e de biotintas, cine debates, ações educativas no calçadão, campanhas na internet, entre outros. 

E apesar de uma atuação mais regional, a cofundadora pontua que, pelo fato da crise socioambiental ser um problema amplo e estrutural, temos um horizonte nacional e global. “Procuramos estabelecer vínculos com outras organizações locais (Fruto Urbano, ONG SOS Cerrado, Ayandù e o Núcleo Ecossocialista do PSOL) e nacionais, como a Coalizão pelo Clima de São Paulo e o Fridays for Future Brasil”, acrescenta. 

No momento, o grupo planeja explorar, com suas atividade, quatro questões ambientais em Bauru: 

  1. Especulação imobiliária e da ameaça ao Cerrado; 
  2. Gestão de resíduos; 
  3. Transporte e áreas públicas; 
  4. Democratização de uma alimentação segura que garanta a soberania alimentar dos munícipes.

Assim, Fabiana reconhece que um dos maiores motivos para as pessoas se conscientizarem e engajarem é simples: os problemas socioambientais atingem a todos.

“Contudo, essa pauta ainda é tratada como supérflua ou apenas como um ‘estilo de vida’ adotado por pessoas com maior poder aquisitivo. É importante democratizar e popularizar a luta socioambiental para incentivar uma mobilização coletiva nas bases e promover mudanças estruturais”, reflete.

Tornando-se parte da mudança 

E aí, curtiu a iniciativa pelo clima? A boa notícia é que o grupo é aberto e precisa de apoio para a participação em ações específicas e para a colaboração mais ativa. 

“Nossos desafios são grandes e precisamos de mais pessoas envolvidas com a organização para podermos expandir o alcance das nossa ações. Além disso, estamos sempre abertos para parcerias e queremos fazer aproximação com outros grupos que já travam a luta socioambiental na cidade, como o MST, o movimento indígena e outros movimentos relacionados, como projetos de educação socioambiental e coletivos femininos”, explica a cofundadora.  

De acordo com Fabiana, os encontro são quinzenais, geralmente aos sábados e o formato é variado, desde reuniões de planejamento, debates, palestras, oficinas ou piqueniques. 

Ademais, toda a agenda mensal é divulgada nas redes sociais e a próxima atividade é um Cinedebate, com a apresentação do documentário “Amanhã”, no dia 15 de fevereiro. Por fim, também é possível fazer parte do Comitê mediante o preenchimento do formulário de cadastro disponível neste link.

Serviço 

Comitê Pelo Clima – Bauru
Site: medium.com/@baurupeloclima
Facebook: www.facebook.com/baurupeloclima
Instagram: @baurupeloclima

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