Seja pelo próprio bem-estar ou pela preocupação com os animais e o meio ambiente o número de pessoas que aderiram às dietas vegetarianas e veganas tem aumentado atualmente.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) em 2018, 14% da população brasileira se diz vegetariana. Essa porcentagem equivale a aproximadamente 30 milhões de pessoas.

Embora não existam dados referentes ao número de veganos no Brasil, a pesquisa também apontou o interesse das pessoas por produtos desse gênero, que não contém nenhum ingrediente de origem animal e não testados em animais.

Assim, 55% dos entrevistados declararam que consumiriam mais produtos veganos se isso estivesse melhor indicado nas embalagens e 60% comprariam mais produtos deste tipo se o preço fosse igual ao dos que estão acostumados a consumir.

O bolso do vegano e vegetariano

Geralmente, quando se trata de preços, o estilo de vida vegano é o que gera mais dúvidas, já que nele não é consumido nenhum tipo de produto de origem animal, o que inclui desde alimentos, até cosméticos, roupas e calçados.

Como revelado na pesquisa do IBOPE, um dos impedimentos para que as pessoas comecem a consumir mais produtos desse gênero é a concepção de que estes são mais caros.

Entretanto, segundo Natália Baraldi, nutricionista e docente de Nutrição da UNISAGRADO, nem a dieta vegana, nem a vegetariana precisam custar rios de dinheiro.

“Essas dietas não serão mais cara desde que a pessoa opte por alimentos in natura ou minimamente processados, ou seja, o mais natural possível. Optar por alimentos processados ou ultraprocessados (aqueles que são comercialmente processados pela indústria como alimentos enlatados, por exemplo) pode encarecer a alimentação”, informa Natália.

A industrialização do veganismo

A existência de produtos industrializados veganos vem crescendo atualmente, já que as grandes empresas do ramo alimentício detectaram o boom do veganismo como uma nova tendência e avistaram neste público um novo nicho de mercado.

Isso, apesar de trazer mais possibilidades de consumo para os veganos, nem sempre é uma boa coisa, já que também ocasionou o encarecimento deste tipo de produto.

É o que explica Kamila Feldenheimer, vegana há seis anos e proprietária do Happig em Bauru.

Algumas empresas e marcas se aproveitam da falta de opções e das tendências pra cobrar muito caro em produtos veganos, geralmente são as maiores e mais conhecidas. E é isso que chega até a maioria dos consumidores. Mas quando a gente compara na prática, vemos que, por exemplo, um quilo de proteína vegetal texturizada custa menos do que as carnes mais baratas. Enquanto a carne perde peso no preparo, a proteína vegetal quase triplica em volume” , comenta a bauruense.

Praticando o veganismo

Para Kamila, que coloca o veganismo em prática há muito tempo, houve uma diminuição em seus custos após a mudança de dieta.

Não acredito que seja mais caro ser vegano, do que ser uma pessoa que consome produtos de origem animal, porque na verdade eu vi uma boa economia depois que deixei os derivados, em 2014”, declara.

Para ter acesso a preços mais acessíveis, a bauruense diz que prefere consumir alimentos de produtores locais, ou então comprar diretamente com as pessoas que produzem artigos artesanais.

Quando o assunto são roupas, Kamila diz que não é tão difícil quanto parece! Isso porque a maioria dos produtos utilizados não têm origem animal como, por exemplo, algodão, náilon, poliéster e linho.

Mas quando surge uma dúvida sobre a origem do produto que vai consumir, a bauruense não exita:

Quando quero alguma coisa e tenho dúvidas, mando e-mail para a marca e pesquiso se algum outro vegano já fez isso e se tem as informações online. A comunidade vegana é muito unida quando se trata desse tipo de informação”, completa.

A saúde do vegano

Outra dúvida muito frequente quando se trata da dieta vegana é em relação à saúde.

Quando se trata desse assunto, de acordo com a nutricionista Natália Baraldi veganos e vegetarianos devem sempre fazer um acompanhamento de sua dieta com especialistas para evitar a deficiência nutricional.

Se não houver um acompanhamento nutricional e uma responsabilidade por parte do indivíduo que pratica este tipo de alimentação, a carência nutricional vai aparecer na forma de anemia principalmente, e o tratamento necessitará de suplementos ou medicamentos. Nesses casos, o custo da dieta subirá, pois estamos falando de tratamento e não um simples acompanhamento”, ressalta Natália.

Ainda segundo a nutricionista, os veganos devem se atentar à vitamina B12 que é essencial para nossa saúde e só pode ser encontrada em alimentos de origem animal. Os adeptos dessa dieta, devem consumir essa vitamina através da suplementação.

Tirando a suplementação de vitamina B12, o vegano (que não tem nenhum problema de saúde) não teria nenhum custo adicional necessário com a saúde. É claro que falo de forma generalizada esta informação. Mas lembro que toda regra tem sua exceção, e cada situação deve ser avaliada de forma individual”, salienta a profissional.

Maneiras de economizar

Além de focar em dietas com alimentos naturais, existe outra forma de economizar sendo vegetariano ou vegano: o aproveitamento total de alimentos.

Muitas vezes acabamos desperdiçando alimentos ou nem sabemos que podemos utilizá-los de maneira integral em nossa alimentação. Entretanto, aproveitá-los totalmente além de ser uma ótima maneira de economizar, traz um grande ganho nutricional.

É uma excelente forma de aproveitamento nutricional. Porque nas cascas e talos, que muitas vezes jogamos fora, é onde fica concentrada uma grande parte dos nutrientes”, revela Natália.

Receitas não faltam! Existem diversas maneiras de aproveitar os alimentos totalmente. Você pode cozinhar ou comer alguns com casca, utilizar seus talos para fazer sopas e sucos ou colocá-los no meio de tortas e bolinhos assados.

 

Consultoria: Prof.ª Dra. Natália Baraldi Cunha CRN-3: 32265/P

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