Você sabia que de 1500 a 1827 as mulheres não tinham o direito ao ensino? As brasileiras puderam ingressar na educação só em meados de 1867, apenas em colégios particulares. Foi somente em 1880 que elas tiveram acesso ao ensino público.

Sete anos depois, em 1887, Rita Lobato Velho Lopes se tornou a primeira mulher a se graduar no Brasil, pelo Faculdade de Medicina da Bahia. De lá pra cá, houve muitas mudanças no cenário educacional feminino. Mais mulheres começaram a ocupar cada vez mais os espaços das universidades, tanto na graduação quanto na pesquisa científica.

Segundo a Organização dos Estados Ibeto-americanos (OEI), entre 2014 e 2017, o Brasil publicou cerca de 53,3 mil artigos, dos quais 72% são assinados por pesquisadoras mulheres. Para conhecer um pouco sobre esse trabalho, vamos te apresentar a pesquisa de três estudantes de Bauru, das áreas de biológicas, exatas e humanas!

Biológicas

Bárbara Casella Amorim está na área de pesquisa há sete anos. Atualmente, ela se encontra no último semestre de doutorado pelo programa de pós-graduação em Doenças Tropicais da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp).

Seu interesse pela área da pesquisa surgiu do convite de dois amigos doutorandos, que a chamaram para fazer um curso oferecido pelo laboratório deles.

“Esse reencontro com a biologia fez com que me lembrasse o quanto eu gostava da área e me fez conhecer um pouco da rotina de um aluno de pós-graduação”, relembra.

Em sua pesquisa, Bárbara avalia substâncias encontradas em plantas brasileiras que tenham potencial de atual no sistema imunológico, modificando a resposta imunológica do nosso corpo.

Exatas

Aline Gabriela Ferrari é formada em Engenharia de Produção e entrou na área de pesquisa em novembro de 2017. Depois de criar um projeto de iniciação por um ano, agora, ela se prepara para o mestrado! Seu interesse na ciência surgiu por meio da própria universidade, que divulgou o projeto de um professor do departamento de Engenharia de Produção.

“Eu li sobre o tema, que até então desconhecia, achei muito interessante e manifestei interesse, porque queria aprender mais sobre!”, comenta.

Seu projeto de pesquisa foca no “Open Innovation”, a inovação aberta.

“Esse conceito é utilizado para descrever o processo de inovação de indústrias e organizações que não utilizam apenas ideias e recursos internos para inovar, mas sim compartilhar ideias e tecnologias com outras organizações, universidades, agências de inovação, institutos de pesquisa, dentre outros”, pontua Aline.

Segundo ela, o objetivo de sua pesquisa foi entender quais eram as principais dificuldades que as empresas brasileiras encontravam em implantar o modelo da inovação aberta. Após propor soluções para facilitar essas interações, a pesquisa seguiu para um nível internacional.

Humanas

Já Gabriela Carvalho, é formanda em jornalismo pela Unesp de Bauru, e entrou na pesquisa científica em 2019. Tudo começou durante o trabalho de conclusão de curso, em que desenvolveu um documentário colaborativo sobre a cultura na periferia, mais especificamente no bairro Nicéia, em Bauru.

O tema se expandiu para um projeto científico com o objetivo de estudar como é feita a divulgação de eventos culturais voltados para a periferia.

“Esses mesmos moradores apontaram a questão sobre como eles não são inseridos no espaço cultural. E que isso acontece porque não há uma vontade das próprias pessoas que estão à frente dos espaços culturais ou que divulgam eventos culturais”, explica.

Para ela, é importante mostrar como a pesquisa também está presente na área de humanas. Isso, porque a partir dos estudos é possível compreender não só a sociedade, mas como ela se comunica em suas relações interpessoais.

Ainda precisamos lutar

Mesmo com um espaço acadêmico cada vez mais democrático, as três pesquisadoras concordam que existe muito para se evoluído.

Ainda que nunca tenha sofrido preconceito dentro do meio acadêmico, Bárbara já presenciou casos com amigas. Já Gabriela, sofreu com professores desvalidando sua fala e seu projeto, no conhecido mansplaining.

“Ainda que as pesquisas assinadas por mulheres tenham aumentado, não vejo diversificação, porque quando ocupamos esses espaços vemos que a maioria das pessoas são homens”, comenta Gabriela.

Para isso, segundo as pesquisadoras, há uma explicação: a responsabilidade de gênero. Em nossa sociedade, a mulher ainda é a figura responsável por cuidar da família e dos filhos. Sem ajuda, elas têm dificuldade de conciliar a vida pessoal com a pesquisa.

“É necessária uma nova percepção das pessoas sobre este assunto para que as mulheres recebam apoio em continuar seu trabalho, mesmo com novas responsabilidades”, completa Aline.

A importância da pesquisa no Brasil

A pesquisa vinda de institutos de educação e universidades brasileiras são de extrema importância para o desenvolvimento do país, independente da área.

Remédios, tratamentos, equipamentos, tecnologias, informações, tudo que estamos em contato no dia a dia vem da pesquisa. Por isso a importância de apoiá-la.

“O que eu mais gosto na área de pesquisa é poder me debruçar em cima do que eu gosto e pensar como isso irá gerar retorno para a sociedade”, finaliza Gabriela.

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