Desde que a COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus, mostrou-se uma ameaça ao planeta, cientistas de inúmeras nacionalidades buscam alternativas que possam frear seu contágio e impacto na saúde da sociedade. 

Entre as recomendações de higiene já conhecidas e o isolamento voluntário, manter o sistema imunológico em dia também destaca-se como uma forma de amenizar os sintomas da COVID-19. Até porque, ainda não há nenhum medicamento ou vacina que seja capaz de nos proteger dessa nova doença. 

O sistema imunológico, essencialmente, tem a função de proteger nosso organismo de substâncias estranhas, como bactérias, vírus e fungos. No entanto, para isso, suas células devem estar fortalecidas. Caso contrário, ficamos mais suscetíveis a infecções, gripes, resfriados e outras doenças. 

Sendo assim, mesmo que não impeça ninguém de contrair a doença, ter uma imunidade em dia é vital para ajudar na luta contra a infecção e na recuperação do doente, explicam especialistas ao portal online da BBC News Brasil.

E, uma das formas de fazê-lo é cuidando de perto da alimentação, até porque ela é o nosso combustível, e é capaz tanto de nos beneficiar quanto de nos prejudicar! Confira a seguir:

Como funciona a imunidade? 

Primeiramente, é importante esclarecer que não é possível “aumentar nossa imunidade”. Apesar de poder causar estranhamento, isso se explica pelo simples fato de que as pessoas têm apenas as seguintes opções: ter a imunidade normal ou baixa por algum problema de saúde prévio.

“Imunidade alta não existe, não tem como elevar a imunidade”, explica o infectologista Alberto Chebabbo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia e diretor-médico do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Rio de Janeiro à BBC. 

No entanto, o estilo de vida que levamos – o que inclui hábitos e alimentação –  é capaz sim de fazer com que a nossa imunidade caia. Alimentar-se mal, dormir pouco, não se exercitar e experimentar muito estresse constantemente são elementos que afetam diretamente nosso sistema imunológico, debilitando-o.

Portanto, alterar algumas dessas práticas pode melhorar a saúde, fazendo com que a imunidade retorne ao normal, e não necessariamente “aumente”. Entendeu como funciona? 

Nós conversamos com Maria Grossi Machado, docente do curso de Nutrição do UNISAGRADO, para entender quais alimentos são mais recomendados na manutenção da imunidade. 

Melhor se alimentar do que remediar 

Ainda, devemos ter em mente que nenhum alimento ou vitamina isolados são capazes de combater o novo vírus. Sendo assim, cuidado com as fake news! Muitas delas apontaram itens específicos, como o café ou alimentos alcalinos, como eficientes na cura da doença e já foram desmentidas por veículos responsáveis por checagem notícias. 

Porém, um sistema imune ativo e saudável é sim capaz de ajudar na prevenção e combate de inúmeras patologias. Assim, Maria Grossi explica, inicialmente, que a imunidade de uma pessoa começa a ser construída enquanto ainda estamos nas barrigas de nossas mães. 

Ademais, detalhes como a forma do parto (normal ou cesárea) e aleitamento materno exclusivo até, pelo menos os seis meses de vida, também influenciam na consolidação da imunidade. 

“Sendo assim, é um histórico todo que constrói o sistema imunológico. Depois dos primeiros anos de vida, é a alimentação do dia a dia, baseada em frutas, verduras, legumes, arroz, feijão, carnes, leites e laticínios – tudo muito natural – que mantém o sistema imunológico saudável”, continua a nutricionista. 

Grossi recomenda, não só neste momento, mas também na rotina normal o consumo dos seguintes alimentos: 

Frutas

Principalmente as ricas em vitamina c, um potente antioxidante que ajuda a diminuir o dano celular, sendo benéfico para o sistema imunológico. A profissional cita as frutas ácidas, a exemplo do limão, laranja, mexerica, acerola, goiaba, tamarindo, kiwi. Além disso, também indica as cor de laranja, como mamão e manga. 

Legumes e verduras

A nutricionista ressalta a importância dos vegetais verdes escuros, que são muito ricos em diversos minerais e vitaminas, como potássio, ácido fólico, magnésio, vitamina K. Ela sugere o consumo de plantas como taioba, ora-pro-nóbis, bertalia, beldroega, e também outras tradicionais, como a couve, a rúcula, o brócolis, o espinafre e o almeirão. 

Estes últimos, inclusive, contêm ácido fólico, nutriente que auxilia na formação de glóbulos brancos, responsáveis pela defesa do organismo.

Leguminosas verdes claras, como alface, repolho, abobrinha também são essenciais diariamente para a construção do sistema imunológico

Cereais  

O arroz se sobressai nessa categoria, principalmente quando ingerido com o feijão – que é uma leguminosa. “A junção do arroz com o feijão tem uma quantidade de proteína importantíssima para a formação das células brancas, responsáveis pela defesa do organismo”, comenta Maria Grossi. 

Foco no natural 

A recomendação da nutricionista também é clara quanto à origem dos alimentos: quanto mais natural, melhor! 

Inclusive, para beneficiar o sistema imunológico é pertinente primar pelo consumo em feiras ou de alimentos minimamente processados – que são aqueles que possuem apenas o invólucro natural, a exemplo do arroz e o feijão, ou com poucos ingredientes nos rótulos. 

“Quando você olha lá no rótulo, dependendo do número de ingredientes de cada alimento, pior ele é. Nesse contexto, existem chances de terem grandes quantidades de açúcar, gorduras ruins, como gorduras trans e saturadas, e também xaropes, corantes e estabilizantes. Então, quanto mais industrializado e processado, pior para o sistema imunológico”, explica a nutricionista. 

Dessa forma, os alimentos orgânicos ganham um destaque especial nesse contexto, uma vez que são livres de agrotóxicos – o que os torna ainda mais naturais.  

“O orgânico deve ser consumido sempre, independente do coronavírus ou não. Isso, porque ele não tem defensivos agrícolas, que são disruptores endócrinos. Ou seja, são substâncias estranhas, que prejudicam todo o funcionamento do organismo, inclusive do sistema imunológico”, acrescenta Grossi. 

No entanto, apesar da recomendação, a especialista pontua que não são necessários exageros. Caso não seja possível adquirir os produtos orgânicos, os usuais também podem dar conta do recado. Portanto, opte por consumir frutas, verduras e legumes, de preferência, da estação, já que possuem menos defensivos agrícolas. 

Outras formas de fortalecer a imunidade 

Dessa forma, deu para perceber o quão significativo é seguirmos uma dieta balanceada para o bom funcionamento de nossas células de defesa, não é mesmo?  

No entanto, a alimentação equilibrada e saudável é apenas uma das formas de manter a imunidade em dia, como já mencionamos. 

Maria Grossi destaca a importância da adoção de outros hábitos, como a exposição ao sol, para a produção de vitamina D, atividades físicas de intensidade moderada – responsáveis por liberar hormônios que ajudam a regular o sistema imunológico – e uma boa noite de sono. 

Este último é tão primordial quanto os demais, pois é no período em que dormimos que ocorre a maior produção de células de defesa pela medula óssea!

Gostou das dicas? Uma das formas de garantir frutas, legumes e verduras fresquinhos é nas feiras livres – de orgânicos também – que ocorrem na cidade.

Apesar do decreto de calamidade pública, elas continuam ocorrendo normalmente, no entanto, as barraca operam a três metros de distância umas das outras e os clientes também devem manter 1,5 m de distância dos vendedores.

Consultoria

Maria Grossi Machado, docente do curso de Nutrição do UNISAGRADO, possui graduação em Nutrição pela Universidade Federal de Ouro Preto (2002), Residência em Nutrição Clínica pela FEPECS/DF (2004) e Mestrado em Nutrição e Saúde pela Faculdade de Nutrição/ UFG (2011). 

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