O cartunista Maurício de Sousa nasceu em Santa Isabel, cidade próxima a São Paulo, mas, morou em nossa querida Bauru, no período de 1960 a 1962. Casou-se, aos 23 anos, com Marilene, em uma igreja de Bauru. Este curto período, no entanto, foi suficiente para Maurício, considerado um dos maiores cartunistas do Brasil, abraçar a cidade como sua. Neste tempo que aqui residiu nasceu sua segunda filha, Mônica, de um total de dez filhos. Ela deu origem à sua mais famosa personagem das tiras e histórias em quadrinho, ao lado de Cebolinha e Bidu.

Toda a concepção dessa personagem foi lapidada nos altos da cidade sem limites, mais precisamente, na esquina das ruas Padre João e Araújo Leite. Posso bem me lembrar desta família que morava muito próxima à minha casa, na rua Manoel Bento Cruz, quadra 8. Naquela época, a cidade não era tão desenvolvida para muito longe dali. Eu fazia constantemente incursões com a minha bike Gulliver para a região sul da cidade.

Interessante frisar que, além da Mônica, há mais personagens das historias de Maurício, inspirados em pessoas de Bauru. Titi é o garotinho que veste camiseta listrada, que participa dos quadrinhos do cãozinho Bidu, além de Franjinha, que foram fundamentados em dois sobrinhos bauruenses de Maurício.

Após aqui morar, Maurício retornou à Mogi das Cruzes, onde começou a desenhar cartazes e ilustrações, principalmente, para jornais. Seus negócios nunca mais pararam de crescer. Só para se ter uma ideia, hoje, a Maurício de Sousa Produções, da qual Mônica Sousa é diretora, possui mais de 300 colaboradores. Destaca-se que também Mônica é simpática à sua cidade natal.

Quando a ela perguntou-se sobre a cidade, respondeu, se referindo ao pai: “Ele recorda direitinho de tudo: de como era a casa, a vizinhança. E conta com tantos detalhes que parece até que você viaja até o lugar. Mesmo sem conhecer direito a cidade, tenho imagens guardadas pelas histórias que ele conta, sempre com tanto carinho”, contou ao JC, em 2009.

Um fato pitoresco para nós foi a criação do personagem Pelezinho. O desenhista afirma que a concepção de Pelezinho se deu em conjunto, com base em histórias de Pelé e seus conhecidos das ruas de Bauru. Pelé assim se refere a um caso amoroso de infância: “Quase prejudiquei a carreira para voltar a Bauru, onde morava, por causa de uma ‘japonesinha’ de quem eu gostava. Aí, veio o danado do Maurício e colocou ela (sic) no gibi, com o mesmo nome, Neusa”.

Pelé, se referindo ao gibi, contava: “…será uma revista otimista, sempre muito alegre, contando histórias da minha infância – eu, o Cana Brava e a turminha lá de Bauru.” Por sua vez, Maurício lembra que “Pelezinho é uma criação minha e do Pelé. Ele me contou as histórias da infância, me mandava bilhetinhos viajando, contando situações que viveu em Bauru”.

Há que se destacar que, apesar do pouco tempo que aqui morou, Maurício faz questão de citar a cidade que viu nascer tantas pessoas famosas como Casimiro Pinto Neto, Oziris Silva, Marcos Pontes, Mauro Rasi, Edson Celulari, Damásio de Jesus, Mário Sabino, Toninho Guerreiro dentre outros.

Em 2009, Sousa afirmou ao Jornal da Cidade: “Guardo as melhores recordações de Bauru e ainda levei, de presente maior, minha filha Mônica”. Em 2018, contando sobre suas relações de amizade com Ziraldo, citava Bauru como parte de sua trajetória, para o Mogi News.

Em 2017, foi lançado o livro “Maurício a história que não está no gibi”, pela editora Sextante, escrito pelo jornalista Luis Colombini e, nele, o nome Bauru é citado por dez vezes. Em abril de 2020, ele postou no seu Instagram uma foto junto com sua mulher, suas filhas Marilene e Mônica, em na sua antiga casa na cidade.

Enfim, Maurício, com a simpatia que lhe é peculiar, sempre demonstrou carinho para com a cidade que o acolheu e sua família, na década de 1960. Fica minha sugestão para que o município possa homenageá-lo, qualquer que seja a forma, retribuindo o seu apreço para com a cidade coração do estado.

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