A bauruense Luciane Bezerra de Toledo, 53 anos, foi diagnosticada com COVID-19 no dia 29 de abril. Sendo assim, permaneceu na UTI do Hospital São Francisco até o dia 03 de maio, quando foi para enfermaria. Já curada, no dia 05 de maio teve alta e foi embora sob aplausos da equipe.

Em entrevista para o Social Bauru, Luciane relata como foi ser diagnosticada, estando dentro do grupo de risco por ser hipertensa. Ela também conta como os profissionais do hospital fizeram além do trabalho, ajudando-a com carinho e apoio. Por fim, ela alerta os bauruenses de que a COVID-19 precisa ser levada a sério.

Confira a entrevista na íntegra:

– Luciane, quais foram os primeiro sintomas que você sentiu?

Na realidade, eu achei que estivesse com rinite e sinusite atacada. Como essa época do ano eu sempre tenho, não me assustei muito. Automaticamente meu marido estava com sintomas de laringite e minha filha também tem laringite. Então os três não estavam bem, mas achávamos que era alguma doença do tempo. Em uma quinta-feira eu fui limpar a casa e ao lavar o tapete escorreguei e caí de costas. Eu já estava com dor nas costas, mas fiquei com muita dor no pulmão, mas eu relevei e achei que era dor muscular.

Na segunda-feira eu convulsionei e achei que era do tombo e fui ao pronto atendimento do Hospital São Francisco. A Dra. Janaína me atendeu e fez todos os exames e não havia feito o do pulmão, porque até então eu só havia reclamado do tombo. E ela sempre me falando que não ia desistir e ia descobrir o que eu tinha. Conversando com a equipe, fizeram a tomografia e descobriram que meu pulmão estava tomado pela COVID-19.

– Como foi receber o diagnóstico de COVID-19? O que sentiu com a notícia?

Receber o diagnóstico foi um choque, porque eu estava em casa confinada, então nunca imaginamos que fossemos pegar. Na hora me faltou o chão, porque eu achei que fosse morrer. Não foi fácil, porque pensei “se eu estou assim, meu marido e minha filha também estão”. Eu tive uma dor muito grande em imaginar perdê-los.

– Você ficou uma semana no hospital, certo? Como foi esse tempo?

Não foi fácil ficar na UTI, pelo isolamento e pelo tratamento, que é muito difícil, porque tem muita injeção, muitos exames, sem contar a cabeça. Mas a minha fé em Deus é muito grande, eu fazia muita oração, fiquei sabendo que minha família tinha pegado, mas estava com sintomas leves, então fui ficando mais tranquila. Tinha momentos de querer desistir, mas o pessoal da UTI, sob o Comando do Dr. Paulo, me dava ânimo, me perguntava se eu estava bem.

Tinham enfermeiras maravilhosas que colocavam cartazes no vidro da sala me incentivando com palavras de apoio. Todas elas batiam no vidro perguntando se eu estava bem, sem contar todos os medicamentos que eles me davam e os médicos que me acolheram. O amor e o carinho deles foi o que ajudou a me recuperar.

– Como é estar no hospital durante a pandemia do coronavírus?

No estado que você está lá, você acha que vai morrer. Eu me curei, mas para chegar a isso, a sua cabeça tem que estar bem. Não foi fácil, por mais que eu tenha recebido todo o carinho e atenção, o medo é muito grande de saber de tanta gente que tinha morrido. Eu sou uma pessoa hipertensa, sou do grupo de risco, então fiquei muito abalada.

– O que mudou, em relação ao isolamento e à forma de encarar a gravidade da situação, depois de passar pela COVID-19?

Mudou muita coisa, porque eu, meu marido e minha filha estávamos isolados, mesmo não acreditando muito. Ficamos em dúvida. Mas o meu marido cuida do pai e da mãe, ele ia para o hospital, para o mercado e para a farmácia. Então ele se contaminou e contaminou todos nós. Eu estava em confinamento e fui contaminada, porque meu marido tinha que sair. Mesmo ele chegando, lavando as mãos, de alguma forma ele acabou pegando.

Mudou muito a minha relação com o isolamento, temos que ficar isolados sim, temos que usar máscaras sim! Lá dentro do hospital eu pude ver o quanto é grave e quantas pessoas estão com a COVID-19. Muita gente acha o mesmo que eu estava achando, que é besteira, que é política, mas não é não.

Estou em casa confinada, não posso receber mais nenhuma bactéria e nenhum vírus por causa do meu pulmão. E eu peço para a população, se isolem, comprem pela internet e não tenham contato com outras pessoas. É a melhor coisa que fazemos, porque tudo isso, com a graça de Deus, vai passar.

– Qual o sentimento de estar curada e sair do hospital?

É uma vitória! Com relação ao hospital é só gratidão a todos que me ajudaram. Mas o sentimento de estar curada e sair, parece que você renasce, é uma coisa maravilhosa. Ver a luz do dia, eu me emocionei muito, porque quando você entra, você acha que não vai sair.

Já curada, Luciana continua em confinamento em sua casa (Foto: arquivo pessoal)

Eu sempre fui muito religiosa, sempre dei valor à vida, sempre ajudei muito o próximo, agora, isso é muito mais valioso do que já era. Então Deus me deu mais uma oportunidade. Estou viva com a graça de nosso Senhor Jesus Cristo.

– Se pudesse falar algo para as pessoas que não estão levando o coronavírus à sério, o que falaria?

É forte, é grave e mata. Então se isolem, não tenha contato com outras pessoas, não fiquem fora de suas casas, usem a máscara. Principalmente muita higiene com as mãos, muito álcool em gel e procura não sair de casa, fica em isolamento. As pessoas acham que não vai acontecer com elas, eu também achei, mas acontece. Eu dentro de casa me contaminei, imagina quem fica saindo. Se isolem, é por pouco tempo e é para a saúde de todos nós.

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