O mês de Junho celebra um marco ainda não conhecido por muitos: o orgulho LGBTQIAP. Comemorado no dia 28 deste mês, a data marca um episódio de perseguição policial, ocorrido em Nova Iorque, em 1969, época em que a comunidade era amplamente reprimida e violentada. 

O local em que ocorreram as batidas policiais era frequentado por gays, lésbicas e trans. Contudo, diferente de outras ocasiões de opressão, os grupos, com o apoio da sociedade, revoltaram-se contra a intolerância. Assim, a coragem vista naquela noite culminou, um ano depois, na 1ª Parada do Orgulho LGBT+. 

Como forma de enaltecer a data, o designer bauruense, João Vicente Araújo, idealizou o projeto Cartas do Orgulho. Nele, reforça – por meio da arte – a importância de dar visibilidade a personalidades que representam a comunidade LGBT+.

Dessa forma, o designer escolheu sete influenciadores digitais e criadores de conteúdo brasileiros, que abordam essa pauta tão importante, para ilustrar. Cada um deles representará uma cor da bandeira LGBT+.   

Homenagem em forma de arte 

A ideia do projeto surgiu neste período de isolamento social, no qual João retomou sua paixão por ilustrar. “Eu precisava usar minha arte para comunicar, dar mais voz à comunidade e fortalecê-la neste mês que é tão crucial para que nossas pautas tenham validade”, acrescenta sobre a escolha da temática com a qual trabalha pela primeira vez.  

Sendo assim, escolheu representar as personalidades no formato de cartas de baralho. A ideia propõe o conceito de uma carta aberta sobre a importância do tema. Além disso, também simboliza uma metáfora explicitando que a luta e a comunidade existem, e não serão silenciadas novamente. 

Ademais, as pessoas escolhidas são figuras contemporâneas, as quais João já acompanha há anos. Essas personalidades tratam e explicam muitas questões do universo LGBT+ e introduziram o profissional em temas de importante discussão.  

“Minha tarefa, sinto, é aumentar a voz dessas pessoas. Para que além da comunidade ser ouvida por outros públicos, ser um incentivo para que essas vozes nunca se calem. Uma vez que se discute sobre novas realidades as pessoas podem até não aceitar na hora, mas voltam pra suas casas com uma pulga atrás da orelha sabe? É um caminho sem volta”, explica

Ademais, o projeto também propõe desconstruir o conceito de que as pessoas LGBTs são “apenas militantes”. “[Eles] são ótimos podcasters, ótimos escritores, ótimos professores, ótimos comunicadores, e assim vai. É uma forma de dizer que somos mais do que um rótulo, do que nos é imposto”, acrescenta João. 

Ainda, o projeto é especial, pois nele, o profissional fez seu processo de outting – ou seja, assumiu sua sexualidade. 

Importância da data 

A sigla LGBTQIAP representa pessoas com diferentes orientações sexuais e identidades de gênero. As letras significam, respectivamente, lésbicas, bissexuais, gays, transgêneros, queer, interssexuais, assexuais e panssexuais.

O termo queer é usado para designar quem não se identifica com padrões, transita entre os gêneros – sem concordar com tais rótulos – ou que não saibam definir seu gênero/orientação sexual.

Felizmente, a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero tornou-se crime no Brasil, no ano passado. No entanto, a situação de violência ainda é crítica com essa comunidade. 

Um relatório divulgado pelo Grupo Gay da Bahia mostrou que 329 pessoas LGBT+ tiveram morte violenta no Brasil, vítimas da homotransfobia, em 2019. Foram 297 homicídios e 32 suicídios. Isso equivale a 1 morte a cada 26 horas.

Por isso, ações que divulgam, explicam e incentivam o respeito ao assunto, ainda são mais que necessárias! A própria iniciativa de Cartas do Orgulho já tem um feedback muito positivo do público, surpreendendo até o designer. 

“Se não colocarmos essas pautas na cultura do povo, isso vai continuar crescendo. Ao passo que o ser humano só tem ’empatia pelo que é palpável ou dentro da sua realidade’, enquanto não inserirmos pessoas de minorias no imaginário social de todos, ainda sofreremos os abusos que são tantos, que a comunidade tem tal abusos como cotidiano, finaliza João. 

Você pode conferir a iniciativa completa no Instagram do João, clicando aqui.

Compartilhe!
Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por Paula Borim
Carregar mais em Geral

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verifique também

SORRI-BAURU completa 44 anos atendendo cerca de 2 mil bauruenses por mês

Vencer dificuldades é uma rotina nos 44 anos da SORRI-BAURU, completados neste 25 de setem…