Tristeza, desânimo, falta de perspectiva, perda de apetite, culpa e afastamento de pessoas amadas. Tudo isso pode ser sinal de depressão. A doença, ainda hoje, é tratada – equivocadamente – por muitos como “frescura”. 

Contudo, para se ter uma ideia, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país mais deprimido da América Latina, com 12 milhões de pessoas acometidas pela doença.  

Além disso, dados do Ministério da Saúde de 2017 apontaram o suicídio como a terceira principal causa externa de mortes no país! Por isso, a desmistificação da doença é cada vez mais necessária, assim como suas opções de tratamento, porque sim, é possível curar-se. 

Atendimento com especialistas 

A psicóloga Letícia Lozan explica que a depressão envolve uma alta frequência de sensações e sentimentos como tristeza, perda de apetite, oscilações em relação a sono, entre muitas outras questões.

Porém, compreender e aceitar que a ajuda externa é necessária pode ser complicado, mas faz parte do processo; assim como buscar um profissional especializado. 

Leticia pontua que o receio em relação ao tratamento pode ocorrer por conta de um estigma social que atrela a depressão à fraqueza. Por isso, campanhas informativas e educativas, como o Setembro Amarelo, são necessárias para desmistificar os tabus. 

Ainda, a especialista acrescenta que um tratamento efetivo pode envolver muito mais que um profissional da Psicologia.

“O acompanhamento profissional é imprescindível e essencial. Neste caso, falamos até em um acompanhamento com uma equipe multidisciplinar. Dessa forma, conseguimos olhar para as particularidades desse indivíduo e entender a forma como tudo está acontecendo”, destaca a profissional. 


Letícia Lozan é psicóloga clínica. 

Tratamento multidisciplinar 

Com o potencial terapêutico das práticas integrativas, o tratamento acaba não se restringindo apenas a consultas particulares. Tanto é que, desde 2017, o SUS oferece terapias alternativas pensando na depressão, como meditação, arteterapia e reiki, além de atendimentos em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). 

Segundo o Ministério da Saúde, as práticas integram “ações de promoção e prevenção em saúde”, definidas pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) em 2006.

“Quando consideramos as individualidades dos pacientes, não há uma ‘receita pronta’ em relação ao tratamento. Por isso, analisamos e vemos o que faz sentido em relação à escolha de prática integrativa, assim como a continuidade dos tratamentos convencionais. Uma pessoa pode entender que a meditação funciona, ou a acupuntura, ou a yoga. Porém, isso não substitui a psicoterapia, o atendimento com médico”, acrescenta a psicóloga. 

Encontrando um complemento

Dessa forma, entre as possível práticas integrativas, estão: 

  • Aromaterapia: Essa prática consiste em massagens, águas  de banho ou inalação de óleos essenciais com o objetivo de sanar problemas físicos, psicológicos ou emocionais;
  • Fitoterapia: Trata-se da utilização de extratos, tinturas, pomadas, ou cápsulas que possuem como matéria-prima qualquer parte de uma planta com conhecido efeito farmacológico;

  • Yoga: Esse método combina diversas técnicas com exercícios do corpo, como as posturas, e com os exercícios mentais, como a meditação; 
  • Reiki: a prática é baseada na teoria de que existe uma “energia vital” que flui através de cada pessoa. Isso leva à harmonização e à reposição energética que mantém e recupera a saúde do corpo;

  • Meditação: Essa técnica ancestral desenvolve habilidades como a concentração, tranquilidade e o foco no presente. É capaz de aliviar temporariamente sentimentos prejudiciais, como estresse e ansiedade, e transformar a maneira de interagir com o mundo;
  • Acupuntura: É uma técnica milenar que consiste na aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo. Seus benefícios têm sido cada vez mais reconhecidos e sua aplicação vem sendo expandida e utilizada para cuidar de diversas áreas da saúde humana, incluindo a saúde mental; 

  • Acompanhamento nutricional: O equilíbrio da dieta e a escolha correta dos alimentos garantem saúde ao paciente, que, em um quadro depressivo, por exemplo, pode sofrer oscilações no apetite. 

São inúmeras as técnicas integrativas, no entanto, independente da escolha dos pacientes, a medicina tradicional não deve ser deixada de lado!

“O mais importante é conseguir entender que, dentro do tratamento convencional, é possível, mesmo com as oscilações, seguir em frente. Devemos pensar que é um caminho possível a ser trilhado, e que as práticas integrativas podem ser ótimas aliadas às práticas tradicionais”, finaliza Letícia.

Consultoria

Letícia Lozan – Psicóloga (CRP 06/132377)

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