Desde criança, o Prof Dr. Rodolfo Langhi sempre teve interesse e curiosidade pela Astronomia. Não à toa, ele é, há quatro anos, coordenador do Observatório de Astronomia e desenvolveu diversos projetos sobre o assunto.

Um desses projetos foi o livro “H2O” lançado esse ano e originado de um filme para ser projetado em um planetário – em que a projeção do vídeo é feita em uma cúpula, em vez de uma tela plana. A obra, que está disponível para compra neste link, explora a relação da Astronomia com a Água, um elemento extremamente importante para nossa sobrevivência neste planeta.

Para contar um pouco sobre a origem do livro e sobre todas as curiosidades que os apaixonados por Astronomia poderão saciar com ele, o professor nos concedeu uma entrevista!

Então, sem mais delongas, confira abaixo:

Como surgiu a ideia de escrever o livro?

A ideia surgiu no ano de 2013, quando foi declarado o Ano Mundial da Cooperação pela Água, pela UNESCO. Tínhamos uma temática importante e uma situação problemática real de escala mundial: o uso consciente da água. O desafio inicialmente era criar um filme de planetário com este tema (planetário é como um cinema, mas a projeção se dá dentro de uma cúpula inteira, ao invés de uma tela plana, tornando os efeitos muito mais realistas e dando a sensação de observar um céu estrelado de verdade, além de permitir viagens interestelares virtuais).
Depois de pronto, o filme foi exibido várias vezes no planetário de Foz do Iguaçu, localizado dentro da usina hidrelétrica de Itaipú, lugar perfeito relacionado com este tema da água! Assim, esta produção audiovisual posteriormente se tornaria o livro atual de mesmo título: H2O, em referência à fórmula química da água.

Como o livro complementa o filme?

A ideia era que o livro se tornaria um material de apoio aos professores que visitassem o planetário e assistissem a esse filme. Por isso, o texto do livro é exatamente igual ao texto do filme, assim como as imagens e ilustrações. Mas, além do texto-roteiro do filme, o livro apresenta algumas atividades práticas de Astronomia relacionadas ao tema para professores e leitores comuns possam executá-las e aprender mais esta bela ciência.

As pessoas que tiverem interesse também podem assistir ao filme?

As pessoas podem assistir sim ao vídeo, que está no meu canal do Youtube, e podem acompanhar a narração com o livro inclusive! Mas é preciso lembrar que algumas partes do vídeo ficam totalmente escuras, sem imagens, porque o projetor do planetário é quem faz a projeção nestes momentos. Então só fica o som. Outra particularidade de um vídeo feito para planetário é que ele é “redondo” ou “circular” porque se trata de um filme para ser projetado em uma cúpula.

Quais assuntos são abordados nesta obra?

Todo o texto é permeado com a seguinte questão central: como a interdisciplinaridade da Astronomia pode potencializar a conscientização do uso da água? Com uma linguagem de fácil compreensão, o livro mostra como a cultura indígena brasileira está relacionada com os astros e a água.

Além disso, revela verdadeiras lições que podemos aprender com os nativos brasileiros e com os conhecimentos atuais da astronomia acerca do uso consciente da água no nosso planeta.

Desse modo, a obra responde questões curiosas tais como: De que forma os índios já sabiam sobre a importância da água, olhando para as constelações do céu? Que lições podemos aprender deles quanto a isso? Como as fantásticas histórias e lendas indígenas estão relacionadas com as atuais descobertas da Astronomia? E como saber disso nos afeta com relação ao uso consciente da água, este líquido precioso?

Quanto tempo levou para produzir o livro?

Para iniciar a escrita do texto que se tornaria o roteiro do filme e, posteriormente, o livro, realizei uma ampla revisão bibliográfica sobre o tema. Além dos artigos e livros estudados, também foi feito um levantamento de imagens e vídeos que poderiam ser potencialmente usados no filme.

Após o conteúdo ter sido estudado, a linguagem do texto passou a ser escrita usando as regras da Transposição Didática, que visa transformar a linguagem científica numa linguagem acessível ao público. Contínuas revisões foram realizadas por profissionais da área da Astronomia e de Divulgação Midiática. Grupos foram usados como pilotos para assistirem o filme e darem seus feedbacks.

Após chegarmos a um consenso sobre a versão final, iniciou-se a gravação definitiva do áudio, contendo a locução por um profissional, trilhas sonoras, imagens e vídeos autorizados, a edição e a avaliação final. Todo este processo levou quase dois anos. Mas o livro levou mais tempo, pois acrescentamos outros materiais e atividades, passando por outras revisões e editorações, de modo que acabou sendo lançado só agora em 2020.

Você já tinha escrito algum livro antes?

Sim, este é o meu sexto livro. Os anteriores são: “Aprendendo a ler o céu: pequeno
guia prático para a astronomia observacional”, “Educação em Astronomia: repensando a formação de professores” , “Astronomia na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental: relatos de professores”, “Uma breve história da Astronomia e do seu ensino no Brasil (em inglês)”, “Fotografando o céu noturno: uma introdução à astrofotografia básica (ainda em fase final de revisão)”.

Como foi a experiência de produzir esta obra?

Foi fascinante e empolgante. É emocionante saber como a água está mais presente no
Universo do que nós imaginamos. Água é vida! É absolutamente essencial para o
nosso corpo, composto mais da metade por água. Ao mesmo tempo, é triste saber
como os habitantes deste planeta não estão cuidando dela como deveriam, pois se
enganam ao acharem que há muita água disponível aqui. Sempre é bom lembrar, que não temos outro planeta que possa nos abrigar vivos, caso não cuidemos deste.

Ser coordenador do Observatório de Astronomia da Unesp te influenciou de alguma forma na escrita do livro?

Na época do início da escrita, em 2013, ainda não atuava na coordenação do Observatório (assumi a coordenação em 2016), mas já era um membro bastante ativo na equipe dele. Certamente, gostar da Astronomia desde criança e fazer parte do Observatório foram condições essenciais na motivação desta escrita.

Por fim, você pode revelar algumas das respostas que o livro dá sobre o Universo?

Algumas sim, senão vira muito spoiler! O livro mostra a composição do Universo e como isso está surpreendentemente relacionado com a nossa própria composição química. Também apresenta como os nativos brasileiros usavam as constelações para conhecer o mundo e viver melhor, e o que podemos aprender disso. Como os astrônomos descobrem quais elementos químicos compõem os astros é outro assunto apresentado no livro, que ensina até a construir um aparelho caseiro que revela a composição química de algumas
fontes de luz. Também traz um mapa celeste para o leitor aprender a localizar uma
das mais famosas constelações ensinadas pela etnia tupi-guarani. Espero que curtam a leitura!

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