Uma fotografia é uma recordação que pode ultrapassar gerações e guardar momentos com muito carinho. Há muito tempo, mulheres são protagonistas de fotos, especialmente, em ensaios boudoir, caracterizados por retratá-las utilizando peças de lingerie, penteadeiras e objetos pessoais em seus quartos.

Os primeiros ensaios desse tipo surgiram por volta de 1920, e, nas últimas décadas, ganharam ainda mais notoriedade como forma de valorizar a beleza feminina. Porém, para além das superproduções de propagandas e corpos padrões, mulheres de diferentes corpos e idades perceberam que também poderiam estar no centro desses ensaios. 

E, além de uma lembrança, essas experiências têm se mostrado parte de um processo de recuperação da autoestima. Com isso, conversamos com três fotógrafas de Bauru para saber tudo por trás da produção e qual a importância da representatividade de mulheres reais na fotografia. Confira o resultado a seguir. 

Veridiana Ferrari (@veridianaferrari.fotografa)

Moradora de Bauru há seis anos, Veridiana Ferrari trabalha com fotografia desde 2002. Contudo, foi apenas dez anos após sua estreia que mergulhou num processo intenso de autoconhecimento, no qual estreitou o contato com outras mulheres, passando a direcionar seus ensaios para elas por meio, principalmente, de seu projeto “Correndo com Lobos”. 


Veridiana  trabalha com fotografia desde 2002. (Foto: Veridiana Ferrari)

“Eu percebi que o contato com outras mulheres, seus anseios, seus medos e inseguranças, e principalmente suas forças e histórias, era também uma forma de encontrar respostas que eu buscava”, explica a profissional. 

Essa aproximação também fez com que Veridiana reconhecesse que um ensaio feminino feito por uma mulher traz, além de intimidade, muita identificação. Tanto é que em seu projeto pessoal não faz nenhum tipo de alteração nas imagens. 

Eu não me identifico com mulheres padrões retratadas em muitos desses ensaios. Eu tenho 40 anos, um filho, meu corpo não é completamente liso e sem marcas, tenho flacidez, tenho barriga, celulite, estrias, cabelos brancos, rugas. E eu sou assim porque tenho uma história. Meu corpo conta essa história e tenho orgulho dela como deveria ter do meu corpo”, disserta.  


(Foto: Veridiana Ferrari)

Assim, por meio da perspectiva da fotógrafa, as mulheres têm conseguido reconhecer e aceitar sua própria beleza. Além disso, Veridiana destaca que mulheres reais sendo cada vez mais retratadas em fotografias incentivam ainda outras mulheres a se amarem mais. 

“Quando uma mulher comum, real, com corpo normal, vida normal, é fotografada, ela, de certa forma, rompe um padrão e abre caminho para todas as mulheres que vêm depois e ao lado dela. Quando vemos fotografias de mulheres comuns, com corpos normais, vidas normais, e lindas, felizes, empoderadas, isso nos fortalece e mostra o quanto já passou da hora de olharmos pra nós mesmas com mais carinho, cuidado, generosidade e liberdade”, finaliza.  

Luana Maximiano (@lumaximianofotos)

Apesar de ter começado sua carreira na fotografia em 2017, Luana Maximiano conta que a paixão pela área já está está presente desde sua adolescência. Já o gosto pela fotografia feminina vem da criação dada pela avó, que hoje é sua inspiração. 


Luana Maximiano começou sua carreira na fotografia em 2017. (Foto: Luana Maximiano)

A fotógrafa explica que a delicadeza presente em cada clique busca retratar a beleza única o poder que todas as mulheres têm. 

“O ensaio é uma maneira da mulher se enxergar com outros olhos. É uma maneira linda de cultivar o amor próprio e elevar a autoestima que, muitas vezes, é perdida pela pressão social em que vivemos. A falta de representatividade também desencoraja quem pensa em fazer um ensaio”, destaca


(Foto: Luana Maximiano)

Ainda, Luana pontua que retratar mulheres reais acaba gerando uma reação em cadeia. “Isso acaba encorajando outras mulheres reais a também viverem essa experiência incrível que é ser fotografada e se sentir livre pra ser quem é”, pontua

Mariana Luz (@boudoirfeminino)

A artista bauruense, Mariana Luz, trabalha com fotografia feminina desde 2012, após quase dez anos no ramo. A decisão veio depois de ter atuado com ensaios infantis, de moda e casamentos, até chegar no boudoir, com noivas. 

“Eu sempre gostei de trabalhar com mulheres e elevar a autoestima delas. Até porque, minhas clientes casavam, tinham filhos, eu fotografava elas grávidas, aí depois os bebês, etc. Eu via que elas viviam em função das crianças e meio que se esqueciam delas mesmas na correria. Por isso, o ensaio feminino foi uma forma de conseguir trazer aquela essência delas de antigamente, muita vezes, recuperando sua autoestima”, relata


(Foto: Mariana Luz)

Sobre um olhar feminino por trás das lentes, Mariana descreve uma maior facilidade de distinguir o conceito sensual do sexual. Com isso, as modelos conseguem ficar mais confortáveis e confiantes.  

“O meu olhar, focando no que eu acho de mais bonito nelas, ajuda também. Muita gente não se acha bonita, se olha no espelho e não gosta do que está vendo. Nós, profissionais, conseguimos ter esse olhar e mostrar o melhor e mais bonito da cliente”, explica.


(Foto: Mariana Luz)

Sentimento das modelos  

A bauruense Ariane Dutra foi uma das escolhidas para protagonizar o projeto de Veridiana, o Correndo com Lobos. Sobre o resultado da experiência, ela pontua: 

“O ensaio reforçou tantos sentimentos que estavam guardados em mim. Eles floresceram de uma maneira tão linda. E isso fica até bastante figurado, já que o ensaio foi feito num campo de girassóis. As fotos refletem exatamente a essência do que sou e isso me deixou muito realizada”, relembra.  (Foto: Veridiana Ferrari)

Giovanna Gutierres, que também foi uma das presenteadas com o ensaio, conta que a ideia de participar foi decorrente de um processo de transformação e conexão consigo mesma.

“Sempre vi mulheres tirando fotos de si, ou sendo fotografadas e sempre me encantei. Porém, nunca me imaginava sendo fotografada, afinal, mal tiro fotos minhas, sou um tanto reservada, tímida. Assim, acreditei que fazer as fotos me traria empoderamento e força, para eu me conectar mais comigo”, descreve. 


(Foto: Veridiana Ferrari)

“Resolvi fazer algumas fotos nua, e olha, confesso que gostei demais, me redescobri.  Me amei do jeito que eu realmente sou, com minhas curvas lindas, e o principal, o meu sorriso que vem da alma. Saí do ensaio muito mais do que empoderada, estava também realizada. Transbordando alegria, amor, força e muita coragem para viver do jeito que eu sou. Fazer as fotos renovou minha alma, alegrou meu espírito, minha autoestima subiu muito, não deixando nada me abalar”, finaliza Giovanna. 

Compartilhe!
Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por Paula Borim
Carregar mais em Cultura

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verifique também

Jornalista lança livro com histórias sobre o amor usando experiência adquirida em Bauru

O amor é um sentimento recorrente na vida de todas as pessoas, já que se apresenta de vári…