Com o falecimento da esposa durante o parto, perto pai e filho experimentaram a comunhão da companhia como companheiros. O filho, embora portador de uma rara doença congênita na vista, buscava enxergar o que a vida lhe presenteava a ver.

Com o tempo, as brincadeiras infantis foram pouco a pouco emudecidas pelo aceno de uma adolescência questionadora. O que ser, onde estar, por que permanecer.

O pai, acolhedor à dúvida filial, buscava recepcionar, com naturalidade, qualquer assunto que se descortinasse no palco na curiosidade.

“Pai, o que seria um amor à primeira vista?”

Aproveitando as habilidades do vizinho, que, às tardes, dedilhava em seu piano canções emotivas, ele se dirige ao filho.

“Meu jovem, um amor à primeira vista é a canção que você está ouvindo.”
“Pai, amor à primeira vista tem início, meio e fim?”

O pai, inseguro, similar a uma nota destoante num concerto musical, com a pergunta do filho, busca algo mais tateável, na proximidade da interpretação motivadora.

“Meu filho, amor à primeira vista são fotos de casais apaixonados, como estas nestas páginas da revista.”
“Pai, amor à primeira vista é delicado, frágil ao se tocar, fácil de amassar?”

Nesse momento, o pai, com um gesto côncavo, pede aos mãos do filho e percebendo sua dificuldade visual irreparável, finalmente lhe diz:

“Filho, amor à primeira vista é quando à vista de um primeiro amor silenciamos nossos olhos para enxergar com o coração o que é imperecível à imaginação.”

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