O Dia da Consciência Negra, que acontece em 20 de novembro, foi criado em memória a Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares, que se tornou um símbolo da luta pela liberdade do povo negro.

Esta data que parece tão comum para a gente nos dias atuais e é até feriado em alguns municípios, nem sempre existiu. Muito pelo contrário, segundo a artesã bauruense Yngrid Suellen, o reconhecimento deste dia pela sociedade demorou a acontecer.

Em meados da década de 70, ativistas do movimento negro se reuniram e entraram em acordo que 20 de novembro, dia da morte do Zumbi dos Palmares, seria considerado o Dia da Consciência Negra, uma data para relembrar a luta dos negros escravizados que se rebelaram contra o sistema da época. Em 2003 o governo Lula criou a Lei nº 10.639 que constitui a obrigatoriedade do ensino da história da cultura afro nas escolas brasileiras. E só depois, em 2011 a presidente Dilma Rousseff, por meio da Lei nº 12.519, oficializou a data como ‘Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra’”, explica


Yngrid Suellen, artesã, estudante e participante do grupo Leia Mulheres

A instituição da data, segundo o Prof. Dr. Juarez Xavier, que ministra aulas de Jornalismo na Unesp, foi importante por conta de seus objetivos. Que são: denunciar a falta de democracia racial no Brasil, o preconceito, a discriminação e o racismo que afeta a população negra e reivindicar políticas públicas para a superação das desigualdades raciais.

Consciência não só hoje, mas todos os dias

Desse modo, o Dia da Consciência Negra é importante para refletir sobre a trajetória do povo negro no Brasil, tendo em vista os obstáculos enfrentados até hoje por essas pessoas em busca da igualdade ainda não existente em nossa sociedade.

No entanto, vale lembrar que as ações de conscientização e a discussão de temas a respeito da história e da realidade dos negros não devem ser apenas realizadas neste período.

Afinal, diariamente a população negra sofre com o racismo estrutural em nosso país, sendo a parcela de brasileiros que é mais atingida pelo desemprego e analfabetismo, por exemplo.

Em nossa realidade é muito comum as pessoas insistirem que vivemos em uma ‘democracia racial’. Isso não é verdade! Enquanto nós não tivermos as mesmas oportunidades e direitos que as pessoas brancas, não vai ser uma democracia. Também é comum vermos histórias de superação ditas como regras, o que não é certo. Toda uma realidade é silenciada quando usamos uma exceção para representá-la. Dessa forma, precisamos diariamente ouvir, consumir e dar voz a pessoas negras. Para que elas sejam vistas, ouvidas e levem sua mensagem para quem precisa escutar”, pontua Letícia Pinho, estudante de jornalismo e estagiária de comunicação do Colégio Anglo Bauru.


Letícia Pinho, estudante e estagiária de comunicação do Colégio Anglo Bauru

Ainda sobre o assunto, o professor Juarez acrescenta:

A ideia é que 20 de novembro possa ser um dia especial para discutir esse tema. Mas que ele também possa ser irradiado pelos 364 dias do ano. O objetivo é criar condições para que se faça o debate sobre a questão da necessidade da igualdade racial”.


Prof. Dr. Juarez Xavier, docente de Jornalismo na Unesp

Indicações de livros sobre o tema

Dito isso, com o objetivo de que possamos discutir esses temas mais frequentemente e que tenhamos a consciência de que o racismo deve ser combatido não só por negros, mas por toda a sociedade, o Social Bauru pediu indicações de livros para os entrevistados.

Confira abaixo:

  • Letícia Pinho

Consciência

  • Yngrid Suellen

consciência

  • Juarez Xavier

 

 

 

 

 

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