Para a maioria das pessoas o Ano Novo é um dia de festa que ficamos com os familiares e amigos. Mas você já parou para pensar nos profissionais que não param de trabalhar nesta data?

Jornalistas, bombeiros, policiais, porteiros, garis, médicos, enfermeiros e motoristas de aplicativo, por exemplo, são profissionais essenciais e, por isso, muitas vezes passam a virada de ano em seus respectivos trabalhos.

Buscando saber um pouco de como é a rotina dessas pessoas e algumas de suas histórias e tradições de Ano Novo, o Social Bauru entrevistou seis bauruenses que trabalham neste feriado.

Um dia normal de trabalho

O bauruense Wander Donisete trabalha na portaria do prédio residencial Spot e é um dos profissionais que não param no Ano Novo.

Wander conta que gosta de trabalhar nesta data e que estar empregado neste ano difícil tornará as comemorações do Réveillon com sua família ainda mais felizes.

Já trabalhei em outras empresas no Ano Novo também e é muito bom, porque você vê tantos pais de família que não tem uma oportunidade dessa e eu estou tendo. Então para mim é como se fosse um dia de trabalho normal mesmo”, conta.

O porteiro ainda ressalta um ritual que possui mesmo trabalhando: orar e agradecer pelo ano que se passou.

O primeiro bebê do ano

A jornalista Júlia Bonventi Nunes trabalha em um veículo jornalístico que realiza plantões durante os feriados. Desse modo, as pessoas que trabalham nesta empresa devem escolher entre trabalhar no Natal ou no Ano Novo.

Júlia conta que seu primeiro Ano Novo trabalhando foi ano passado, em 2019, e que apesar de inicialmente ter ficado frustrada de trabalhar neste dia conseguiu aproveitar o momento.

Geralmente a minha família tem o costume de viajar no Ano Novo ou ir para a casa da minha avó. Ano passado, como eu tive que trabalhar, a minha família veio para Bauru. Então minha mãe, minha irmã e minha avó vieram para cá e a gente passou o Ano Novo em um restaurante. Foi muito divertido e também foi uma experiência diferente”, relata.

Além disso, a jornalista conta que um fato que a marcou na data foi a tradição de contar a história do primeiro bebê do ano.

Eu achei bem interessante falar sobre o primeiro bebê do ano e conversar com os pais dele. Acredito que este ano vai ter de novo essa reportagem”, comenta.

Ajudando o próximo no Ano Novo

Cristina da Costa é técnica de enfermagem e trabalha no período da noite na UPA do Ipiranga. Trabalhando geralmente no dia da virada ou no dia primeiro, ela tem que deixar sua família neste período e conta como se sente sobre isso:

É meio triste porque a gente sai e deixa a família, mas a gente fica contente também de estar lá para ajudar outras pessoas que precisam. E nós não podemos mudar o nosso humor, temos que continuar bem para atender da melhor forma”.

Ainda, a bauruense diz que à meia noite parece que tudo para por um minuto na UPA:

Tem toda uma expectativa e à meia noite dá a impressão que tudo para e 00h01 já volta tudo de novo e começa a entrar todo tipo de caso: parto humanizado, cesárea e etc. Como eu sou do centro cirúrgico, sempre tem alguma coisa para entrar. Mas a gente dá o feliz Ano Novo para o pessoal e segue a rotina”, explica.

Quanto às comemorações tardias, a técnica de enfermagem não abre mão de fazer um almoço com a família para comemorar a chegada do novo ano.

O Ano Novo com colegas de trabalho

A supervisora de enfermagem do Hospital São Francisco, Talita de Paula Marques, passa por uma situação parecida com a de Cristina.

Assim, ela conta como foi passar o Réveillon em plantão no ano passado:

“Trabalhar no Ano Novo parece uma ideia ruim, porque é uma data que geralmente a gente gosta de passar com a família, com os amigos e nesse dia a gente acaba passando com os colegas de trabalho. Porém também foi uma experiência boa porque são pessoas que eu convivi a maior parte dos meus dias e que eu gosto de estar junto. E também tinha aqueles pacientes que já estavam internados há um bom tempo então também já tinha um contato diário e foi bem legal”.

Além disso, a supervisora revela que possui a tradição de fazer uma oração no momento da virada e quando está trabalhando, reúne sua equipe para fazer isso.

Pedido de casamento inusitado

A bauruense Yasmin Mathias Santana é dançarina e também atendente de restaurante, desse modo, este já é o sexto ano em que trabalha no Réveillon.

Durante esse tempo, Yasmin conta uma das histórias mais inusitadas que presenciou:

Teve um Réveillon que uma pessoa pediu outra em casamento na hora dos fogos e ela ficou travada e não respondeu nem que sim, nem que não”.

Sobre seus rituais Yasmin diz que agradece por mais um ano e comemora no dia seguinte junto com sua família.

Os percalços dos eventos

O bauruense Pedro Godoy vê os dois lados da moeda: o de empregador e o de funcionário, pois já esteve nas duas posições enquanto trabalhava no Réveillon.

Como funcionário, Pedro já foi ritmista da Banda Malaka e conta como foi a sua experiência fazendo dois shows em clubes da região bem na hora da virada:

Eu nem tive tempo de ligar para a família e acabei comemorando apenas no outro dia. Por isso, trabalhar durante a comemoração do ano novo não foi uma das melhores experiências, ao meu ver. Apesar de fazer parte do escopo de quem trabalha com eventos, é uma data que grande parte prefere estar com a família e amigos. Então estar trabalhando, por mais que você seja apaixonado pelo trabalho, acaba sendo um pouco frustrante, pois você verá todos comemorando e, muitas vezes, não terá muito tempo para isso”.

Já como empregador, dono da Team Bartenders, Pedro diz que tenta proporcionar um bom clima para seus funcionários, além de pagar mais por estarem trabalhando nesta data comemorativa.

E justamente por ter estado dos dois lados, o bauruense finaliza salientando que é importante que tenhamos empatia pelos trabalhadores que não estão de folga neste período:

Existe um contraponto da pessoa que está ali trabalhando enquanto você está festejando. Em qualquer data essa pessoa deve ser tratada com o máximo de respeito como qualquer funcionário e acho que ainda mais em datas comemorativas. Porque a pessoa está deixando de estar com a família e dos amigos dela para te servir. Então os outros devem ter a sensibilidade de pensar isso”.

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