O carnaval de Bauru carrega muita história e já foi até considerado um dos melhores carnavais de rua do interior paulista.

A fim de matar a saudade da festa, que não pôde ser realizada este ano por conta da Covid-19, revisitamos o surgimento da folia em nossa cidade e a história da primeira escola de samba que surgiu por aqui, a Mocidade Unida da Vila Falcão.

O início da folia

Embora o sambódromo seja o principal cenário que nos vem à cabeça quando falamos do carnaval bauruense hoje, nem sempre foi assim.

Isso porque, assim como em várias cidades, as festas de carnaval em Bauru começaram nas ruas.

Até a metade do século XX, o carnaval era comemorado a partir de um festejo chamado “corso” em que os foliões passeavam pelas ruas em carros luxuosos, jogando confetes e serpentinas pelo caminho. Em Bauru, este percurso era feito entre as ruas 1º de Agosto e Batista de Carvalho.

Somente depois, com o aumento da popularidade do carnaval, surgiram os famosos blocos de rua e os festejos bauruenses foram transferidos para a Avenida Rodrigues Alves e, posteriormente, para a Nações Unidas.

Segundo sambódromo do Brasil

Em 1983, quando os desfiles passaram para a Avenida Nações Unidas, o carnaval de Bauru teve seu grande momento de glória, ganhando fama no Estado de São Paulo.

Allison Talon Carlos, atual presidente da Liga das Escolas de Samba e Blocos de Bauru, revela que neste período o carnaval bauruense foi considerado patrimônio cultural por aqui.

Além disso, a festa recebeu o título de “Carnaval Turístico” já que as agremiações levavam milhares de pessoas (entre turistas e bauruenses) para desfilar e curtir os festejos.

Dessa forma, o título de melhor carnaval do interior paulista veio à tona. Então, para melhorar a estrutura e receber melhor as pessoas na comemoração, a prefeitura teve a ideia de construir o sambódromo.

Assim, em 1991, foi inaugurado o Sambódromo Guilberto Carrijo, o segundo sambódromo a ser construído no Brasil, ficando atrás apenas do Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.


Foto: Solutudo

A história da primeira escola de samba bauruense

As primeiras escolas de samba bauruenses, segundo Allison, começaram a surgir na década de 70, quando os desfiles ainda ocorriam na Avenida Rodrigues Alves.

As escolas de samba surgiram derivadas de blocos de rua e união de famílias e sambistas da cidade. A primeira a surgir, em 1976, foi a Mocidade Independente da Vila Falcão, originada do bairro que é chamado do ‘berço do samba’ de Bauru”, conta.

Essa escola deixou de desfilar em 2000 por divergências entre seus diretores. Entretanto, em 2014, houve uma reunião de seus antigos membros e de simpatizantes da antiga agremiação e surgiu a Mocidade Unida da Vila Falcão, que existe até hoje.

Passados estes 14 anos a Vila Falcão sentiu a necessidade de voltar ao sambódromo com uma escola de samba, pois o bairro era representado somente por blocos. Então houve uma mobilização da comunidade para arrecadar fundos, materiais, mão de obra, captar pessoas para desfilar. Neste primeiro ano de desfile, em 2015, não houve recursos públicos por força do regulamento. Mesmo assim, a Mocidade Unida ficou em segundo lugar, logo na estreia, por uma diferença de apenas 0,7 pontos da campeã”, conta Allison.

Entre os membros desta nova escola estavam Jair Odria (que foi o primeiro presidente da Mocidade) e muitos outros ícones da história do carnaval em Bauru como Carlão Mocidade, Nilza Talon, Angela Carrijo, Tia Zilda e Celso Chermont.

Atualmente, o presidente é Carlos Toneli e a diretoria conta com 21 membros no total. No entanto, contando com associados, colaboradores e patrocinadores são mais de 60 pessoas ativas.

De acordo com Allison, somando a história da escola antiga com a atual, a Vila Falcão já recebeu 16 vezes o título de campeã e três vezes de vice-campeã do carnaval em Bauru.

 


Mocidade Independente da Vila Falcão, em 1986 (Foto: Reprodução/Carnaval em Bauru: Quem te viu, quem te vê)
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