A história de Bauru se mistura com a do Colégio São José. Bauru tinha apenas 30 anos e uma população de pouco mais de 18,5 mil moradores quando, ali na esquina das avenidas Antônio Alves e Rodrigues Alves, seis irmãs da Igreja Católica inauguraram o colégio, no prédio que hoje é tombado como patrimônio histórico da cidade.

Quase cem anos depois e ainda relevante, a instituição mostra força. Revela valorização das famílias com o projeto educacional. “É reconhecimento e confiança em nossa comunidade educativa, a qual acolhe, cuida e educa cada estudante, como nos ensinou a Bem-Aventurada Madre Clélia, fazendo da educação uma obra de amor”, diz Jucélia Melo, atual Irmã Superiora da Casa.

Para o diretor pedagógico Valter Xavier, “chegar aos 95 anos formando e qualificando pessoas é realmente apaixonante”. É a confiança na missão de educar com afeto. “Acredito que para qualquer instituição sobreviver e chegar a essa ‘maturidade’, é preciso ter clareza de sua própria história, de onde veio, para onde vai, o que deseja, o que a move ou a impulsiona”.

Com tanta tradição na cidade, o Colégio São José é parte do desenvolvimento de gerações de bauruenses, de diretores, professores e funcionários a famílias nas quais pais, filhos e netos passaram pelos corredores da escola. “Gosto da imagem da árvore cujas raízes e frutos são alimentados pela seiva”, comenta a Irmã Jucélia, ao explicar a importância da conexão do colégio com a família.

Nesse sentido, além da história da cidade, a biografia da população bauruense também se mescla com as nove décadas e meia de pessoas formadas na instituição. Como diz Valter, o trabalho do colégio planta sementes que são colhidas futuramente na sociedade.

“As notícias que recebemos é que todos os que foram formados intelectualmente aqui levam uma marca forte no acadêmico, e são pessoas do bem e com uma vontade incrível de se posicionar de maneira justa e humana”, diz o diretor pedagógico. 

Colégio São José e Bauru

Portanto, conhecer a história do Colégio São José ajuda a compreender como foi a formação de Bauru. Ao contrário da maioria das cidades brasileiras fundadas no final do Século XIX, onde as capelas eram sempre uma das primeiras obras, Bauru começou com pensões e hotéis, devido à construção da ferrovia que ligava São Paulo a Mato Grosso.

Nesse período, a população de Bauru crescia muito rápido. Dessa forma, as pessoas aqui desenvolveram um catolicismo popular, o que fez a Igreja Católica perceber a necessidade de ampliar o trabalho evangelizador na cidade, visando um catolicismo mais “romanizado”, como chamavam na época.

Assim, vieram para cá padres missionários do Sagrado Coração. Em 1921, fundaram o Centro Católico Bauruense, para promover atividades culturais, ação fundamental para depois eles conseguirem ampliar a religião para o lado educativo. Entre esses missionários estava o padre Francisco Van Der Mass que, em 1922, fundou o Externato São José, uma escola paroquial que ficava entre as ruas Bandeirantes e Gustavo Maciel. 

Quem conta essa história é o atual diretor pedagógico da instituição. O Valter, em sua dissertação de mestrado, escreveu sobre a história do Colégio São José e sua relação com a cidade. “Procurei compreender o significado da instituição para a população de Bauru”, explica ele.

Fundação do Colégio São José

Em 1926, após a saída do padre Van der Mass de Bauru, seis irmãs transferem o externato para a Rodrigues, lançam o tradicional prédio e oficialmente inauguram o Colégio São José, com cerca de 233 alunos matriculados. Na época, Bauru tinha apenas um outro grupo educacional. 

“Com as mudanças da cidade, econômicas, sociais, intelectuais, arquitetônicas, as irmãs foram se adaptando e se inovando, mas sem esquecer o lema ‘Educar é uma obra de Amor’, da nossa fundadora [Madre Clélia]”, comenta o diretor pedagógico.

Em 1939, as atividades do Colégio foram ampliadas e, no ano seguinte, iniciou-se o curso ginasial. Posteriormente, atendendo à demanda local, instalou-se o segundo grau, o curso normal e o internato.

Com o tempo, outras mudanças foram acontecendo. “Atendimento de meninos apenas, posteriormente apenas meninas, e depois meninos e meninas. Cursos diversos como técnicos, magistério, fundamental e médio, estrutura física se ampliou consideravelmente, internato, externato e escola regular”, conta Valter.

Apesar das dúvidas que as criadoras do colégio tinham, diz o diretor pedagógico, a certeza delas era de que a educação com seriedade, envolvimento, profissionalismo, atenção, pesquisa, investimentos e amor, valores que se sustentam até hoje, seriam a base para manter o colégio forte.

Quem fez história

Durante esse quase centenário, diversos nomes fizeram parte da evolução do Colégio São José. Começando pelas seis irmãs, que faziam parte do Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus (IASCJ), criado pela Irmã Clélia Merloni e usado como base conceitual do projeto educativo.

O trabalho do IASCJ levou ao surgimento da Unisagrado, do Colégio São Francisco de Assis e dos projetos sociais, e, em 2011, à unificação das unidades educacionais com a criação da Sagrado Rede de Educação, que continua atuante.

Nascida na Itália em 1861, Clélia Merloni foi beatificada pelo Papa Francisco em 27 de janeiro de 2018. Uma homenagem à mensagem de amor e dedicação passada por ela e integrada à metodologia de ensino do Colégio São José.

Assessora de comunicação no IASCJ e ex-programadora visual no Colégio, Giédre Sartorelli participou do processo de beatificação, como parte da equipe que elaborou o plano de comunicação que apresentou ao mundo o trabalho de Madre Clélia. “Experiência profissional tatuada no meu coração”, comenta Giédre. 

Além das seis primeiras apóstolas, Valter lembra de dois nomes importantes na história do Colégio São José: a Madre Olivia Santa Rosa (in memoriam), que expandiu a missa educativa em Bauru, e da irmã Arminda Sbrissia (in memoriam), que trabalhou e conquistou a fundação da FAFIL (hoje Unisagrado). Lembrar delas é uma forma de homenagear todas as apóstolas do colégio. 

Apesar de destacar o trabalho delas, o diretor pedagógico sabe que cada pessoa que esteve por lá contribuiu para o colégio chegar relevante aos 95 anos. “Para mim, todos os alunos que passaram por aqui e os que estão conosco atualmente são pessoas que nos honram, assim como os professores que atuaram e atuam com dignidade, sendo apaixonados pelo ato de educar”. 

Orgulho de fazer parte do colégio

Um dos segredos para completar nove décadas e meia é a valorização da formação completa. Por lá, o ensino é pautado em princípios cristãos, assim como pelo conhecimento. A metodologia do colégio pensa em todas as dimensões: intelectual, espiritual, valores e ética. 

Como relata o diretor pedagógico, “olhar para o passado e constatar que as crianças que passaram por aqui, hoje são homens e mulheres que transformaram ou ainda transformam o seu espaço, nos dá a real dimensão da importância do Colégio São José na sua missão educativa”. 

A Ivana Casella, professora do colégio de 1988 a 2013, tem orgulho de fazer parte dessa trajetória baseada em uma proposta educacional que visa uma sociedade mais humana e justa. Primeiro aplicando na prática como docente, e agora vendo como parte da formação dos netos Artur, do 9º ano, e Nicolas, do 6º ano.

Inclusive, para Ivana, os momentos marcantes para ela são os olhares de confiança das crianças, que a faziam entender como o aprendizado muda a vida delas. “Eu sentia de maneira quase palpável a credibilidade depositada pelos próprios alunos em mim, e também pelos pais e escola”, explica.

Com essa metodologia que mistura conhecimento, valores e religiosidade, o Colégio São José é uma marca de Bauru. Tanto que falar do colégio aqui na cidade gera respeito. É o que percebe Rachel Rocha, professora de português do Ensino Fundamental dos Anos Finais e há 29 anos no colégio.

A docente conta que quando perguntam onde ela trabalha e ouvem o nome “São José”, há um sentimento de admiração. “O São José sempre desperta essa sensação, tanto agora como com diversas pessoas que já encontrei ao longo da vida. É quase uma reverência”, garante Rachel.

São pequenos momentos que mostram a potência da escola. Como diz Giédre, “o Colégio São José é um patrimônio histórico e cultural da cidade de Bauru, que transita no ontem, no hoje, com olhos no amanhã. É uma casa de ensino atemporal”.

Vidas transformadas

Os dois filhos da professora Rachel, o Caio e o Rafael, passaram pela instituição. Portanto, como docente e mãe, ela acompanha a seriedade dos profissionais que trabalham no colégio, e também conseguiu observar na prática os resultados da formação humana dos filhos.

E segundo ela, são os filhos que falam sobre os frutos do projeto educativo da escola. Rachel conta que o Caio agradece o São José, pois foi lá que conseguiu enxergar como a matemática, sua matéria favorita, está presente na vida, o que o levou a fazer engenharia na faculdade.

“Então é muito interessante quando você ouve espontaneamente, de um filho e aluno, como essas contribuições refletem na vida”, conta ela, relembrando a ideia de como a escola planta sementes. “E eu vi isso acontecendo na minha casa. Por isso eu digo: o Colégio São José foi fundamental na formação intelectual dos meus filhos. Uma base que os preparou para todas as outras etapas”

Os próprios profissionais mudaram a vida dentro do colégio, como a Vânia Madureira, que trabalhou lá entre 1978 e 2020. Ela lembra até hoje o dia que as irmãs mostraram confiança nela e a convenceram a virar professora. Atuando na escola como auxiliar, Vânia tinha um outro caminho desenhado, mas acreditou na missão educacional do São José.

“A minha área era a saúde. Meu pai era farmacêutico e minha mãe enfermeira. Então nunca passou pela minha cabeça fazer o magistério, que na época era o curso para dar aula. No fim fiz e me especializei em educação infantil, que é onde trabalhei e amo. Adoro trabalhar com crianças de 4, 5 anos”, conta.

Giédre foi outra que também cresceu dentro do Colégio São José. Formada em Programação Visual, ela entrou em 1992 como auxiliar de coordenação. Aos poucos, foi aplicando os conhecimentos da faculdade e, com o tempo, participou ativamente da evolução do setor de comunicação.

Começou produzindo convites para os eventos e acabou criando um departamento específico de comunicação. Hoje, dezenove anos depois, é a assessora de comunicação da Rede Sagrado. Ou seja, uma história pessoal e profissional gerada dentro do prédio na Antônio Alves.

Sagradas Gerações

Assim como Rachel, Ivana e Vânia, outras histórias de diferentes gerações da mesma família fazem parte do colégio São José. Por lá, é comum encontrarmos avós, pais, filhos e netos que passaram pelas mesmas salas.

Por isso, o colégio lançou o projeto Sagradas Gerações, para eternizar as famílias que ajudaram a tornar a instituição tão importante em Bauru. Na calçada da Rua Antônio Alves, placas celebram esses alunos. Valoriza quem estudou no colégio, assim como também é uma demonstração da confiança de pais que sentiram na pele o resultado da proposta educativa. 

Para o Carlos Alberto Neves, o Carlão, ex-professor de matemática e que trabalhou lá de 1972 a 2004, ver o seu nome marcado na calçada gerou um sentimento de orgulho. “Meu coração pulsou mais rápido e um filme se passou na minha cabeça, desde o dia em que iniciei minha vida profissional no colégio, em 17 de agosto”, diz ele, cujos filhos Fabiano e Fernando estudaram no colégio, e os netos Eduardo e Leonardo estão atualmente por lá.

Com 32 anos de trajetória na escola, é uma vida construída dentro do São José. Desde a transição de dar aulas de estenografia a assumir como professor do Ensino Fundamental dos Anos Finais, além das lembranças com carinho dos pequenos momentos, como a participação em festas juninas, as excursões do terceiro ano ao Águas Quentes de Goiás, as festas de primavera e os bailes de formatura.

“Eu sempre tentava fazer do ensino de matemática algo prazeroso, e adorava a interação com os estudantes. São amizades que se perpetuam até hoje! Acompanho os alunos espalhados pelo mundo e recebo muito carinho deles pelas redes sociais”, relembra Carlão.

Assim como ele, a Vânia também viveu esse desenvolvimento dela e dos dois filhos. “Quando eu entrei, não era nem casada”, conta a ex-professora. “E virou minha segunda casa. Criei meus filhos lá dentro, vi eles participarem de tudo, crescerem, estudarem. O colégio marcou minha vida”

Hoje, o filho Eduardo trabalha na Sagrado Rede de Educação em São Paulo e a filha Daniela participa de projetos sociais da instituição. “Eu me sinto parte do São José”, finaliza. 

Passado, presente e futuro do colégio

Da mensagem da Madre Clélia Merloni que direcionou a fundação do colégio ao Carlos, à Vânia e à Ivana, que dedicaram a vida à instituição, são pessoas que consolidaram o nome do Colégio São José e mostram uma história de empenho, paixão e cuidado.

Uma trajetória construída no passado para que, no presente, os profissionais assumissem a complexidade da missão educacional e mantivessem a tradição, unindo maturidade e experiência com a capacidade de se adaptar aos atuais desafios. “O colégio consegue se manter fiel aos seus princípios ao mesmo tempo que acompanha a evolução e o progresso da sociedade”, diz Rachel.

Nesse sentido, os 95 anos representam uma força para se manter pronto para o futuro. Segundo o diretor pedagógico, os constantes cursos, estudos, palestras, conversas são formas de manter a equipe atualizada. A missão é unir tradição, atualidade e adaptação para educar com amor de forma integral e humana.

Como diz a Irmã Jucélia, inspirada na frase do Papa Francisco,“celebrar os 95 anos do Colégio significa uma oportunidade para fazer memória grata do passado, abraçar o futuro com esperança e viver o presente com paixão”. 

É uma forma de falar das gerações de famílias bauruenses que passaram e ainda devem passar pelas salas de aula do Colégio São José. Como a história de Bauru e do Colégio estão combinadas, assim também será o futuro.

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Serviço
Colégio São José
Endereço: R. Antônio Alves, 1266 – Centro, Bauru
Telefone: (14) 3366-3000 e (14) 99742-0456 (WhatsApp)
Site: www.sagradoeducacao.com.br/sao-jose
Instagram: @colegiosaojose.bauru
Facebook: /colegiosaojose.bauru

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