Aos 32 anos, um professor de geografia de Bauru só pensava em tirar um ano sabático: viajar pelo Brasil de bicicleta, fotografar paisagens e conhecer novos amigos. Mas os problemas relacionados à seca no país e o rompimento da Barragem de Mariana-MG levaram Márcio Francisco Martins a mudar os planos.

Em 2016, o também geógrafo e gestor ambiental saiu de bicicleta por 13 estados do País registrando a importância da água para a população brasileira. “O consumo do volume morto da Cantareira e o maior acidente ambiental da história do Brasil não saíam da minha cabeça. Pedalando pela Caatinga, convivi com pessoas que moravam em um local de déficit hídrico. Eu tenho o sonho de alertar as pessoas para as grandes dificuldades que podem vir a acontecer com a escassez de água em um futuro próximo”, conta o cicloativista.

Arquivo Pessoal

Hoje, aos 38 anos, esse sonho se concretizou em um rico material coletado durante a aventura. E, em março deste ano, em comemoração ao dia mundial da água – 22 de março – ele lançou o documentário “Qual valor da água pra você?”. A pergunta era simples. Mas a resposta nem tanto.

O valor da água depende muito da forma como ela chega até você. Ou não chega! Afinal, mesmo o Brasil sendo dono de 12% das reservas de água doce superficial do mundo e de alguns dos maiores destes reservatórios subterrâneos, são quase 35 milhões de brasileiros (16,3% da população) sem acesso a abastecimento de água tratada, segundo Instituto Trata Brasil.

Documentário

Buscando promover o debate e levar educação ambiental para as escolas do país, Márcio criou um documentário composto por seis episódios, disponíveis gratuitamente no canal do Pedalágua no YouTube. “Esse lançamento faz parte da concretização desse alerta que eu quero fazer”, comenta o geógrafo.

Foram 43 entrevistas gravadas com a população das cidades que enfrentam situações ambientais. Os episódios foram divididos em temas como: a Transamazônica BR-230, a transposição das águas do rio São Francisco, a indústria da seca, o rompimento da barragem de Fundão em Mariana (MG), consumo da Cantareira e a tragédia de Brumadinho.

Como bom professor, Márcio também disponibilizará um material didático de forma gratuita, com propostas de aulas para escolas e professores do Brasil. “Quero fomentar atividades e discussões sobre questões do meio ambiente.

O projeto Pedalágua foi um dos ganhadores do prêmio “A voz dos cidadãos”, do 8º Fórum Mundial da Água. E o projeto não para por aí! “Pretendemos levar o Pedalágua por novos caminhos e um deles é conseguir debater o valor da água em Bauru. Uma cidade que tem problemas com questões hídricas”, revela.

Econômica e acolhedora

Todo o percurso foi feito em cima de uma bicicleta, veículo que Márcio já estava acostumado, já que ele usava a bike desde 2002 para trabalhar. Além da economia com combustível e manutenção, a viagem de bicicleta é capaz de agregar pessoas.

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Você chega devagar e as pessoas rapidamente te acolhem. A bicicleta tem o poder de unir, despertar curiosidade e chamar muito a atenção para debater as questões ambientais”, explica.

Durante quase um ano, o professor passou por 13 estados do Sudeste, Nordeste e Norte e dormiu nos mais diferentes lugares como museus, postos de gasolina, praças públicas, orfanatos, entre outros. Mesmo com dificuldades, o projeto trouxe ótimas lembranças.

“Foi muito interessante ter contato com realidades muito diferentes das que vivo em São Paulo. O Brasil é muito desigual e isso é muito triste. Mas mesmo assim, a amizade do povo brasileiro e o acolhimento que recebi foram maravilhosos”, lembra.

Serviço
Site: http://pedalagua.com
Email: [email protected]
Instagram: @Pedalagua
YouTube: https://www.youtube.com/pedalagua

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