Mais do que beleza, a esteticista Michelle de Oliveira trabalha levando autoestima para muitas mulheres, principalmente para aquelas que enfrentaram uma dura batalha contra o câncer. “Eu não tenho palavras para descrever, sinto uma alegria enorme, um misto de amor e de satisfação”, revela a idealizadora do projeto “Mamas com Amor”, que realiza micropigmentação gratuita para mulheres que passaram pela mastectomia.

“Poder desenhar parte do corpo que se foi junto com a doença e devolver traços tão importantes para a autoestima feminina me deixa muito feliz. Eu faço com a maior alegria porque a mulher já sofreu tanto com a reconstrução mamária e com a quimioterapia”, explica.

Também chamada de maquiagem paramédica, a micropigmentação areolar é uma técnica indicada para disfarçar cicatrizes ou redesenhar as aréolas das pacientes que reconstruíram os seios após o tratamento do câncer de mama. Diferente da tatuagem convencional, na micropigmentação o pigmento é implantado na camada superficial da pele.

“Fica perfeito”

A técnica esconde uma marca que muitas mulheres ainda têm receio de revelar. “Talvez por vergonha ou medo do julgamento pois, apesar de ter vencido o câncer de mama, elas ainda precisam vencer o lado estético que também afeta muito o psicológico”, conta Michelle.

Reprodução/TV TEM

A aposentada Marta Angélica Raimundo, de 61 anos, foi uma das mulheres que participaram do projeto. Há oito anos ela fez mastectomia, quimioterapia, radioterapia e venceu o câncer, mas algumas marcas ainda ficaram.

Cansada de várias cirurgias e rejeições do corpo, Martinha, como é conhecida, não queria novamente se submeter ao método invasivo.

“Eu já não queria mais fazer cirurgia, então decidi pela micropigmentação. Além de medo, eu não queria passar dor.” A aposentada conta que o procedimento foi muito simples. “Ninguém repara, fica perfeito.”

Sonho realizado

Michelle começou a trabalhar com estética há dois anos, depois de pedir demissão do antigo emprego, em outra área, para realizar o sonho de trabalhar no ramo da beleza. Aprendeu a técnica durante a pandemia e decidiu dividir a habilidade com mulheres que não podiam bancar o procedimento estético.

“Esse é o objetivo do projeto, trazer de volta o pedaço do corpo da mulher que fica mutilada e muitas têm até vergonha de falar sobre o assunto com os familiares e amigos”, conta.

Reprodução/TV TEM

A esteticista de 40 anos não escolhe paciente, apenas adverte que é determinante que a mulher não tenha restrição médica e tenha liberação clínica para realizar o procedimento. “Todas as mulheres que me procuram para este procedimento eu realizo. Para mulheres carentes o procedimento é gratuito e para aquelas que quiserem colaborar com os custos dos materiais é cobrado um valor simbólico”, explica.

Ouvir os relatos como o de Martinha, que passou pelas mãos da esteticista, emociona e traz a gratidão que ela busca com o projeto. “A Michele pra mim foi maravilhosa porque o trabalho dela ela faz de coração. Levanta a moral, o ego, deixa a pessoa mais feliz com a sua aparência. Ela faz do coração e isso é muito importante”, conta a aposentada.

A recompensa pelo trabalho é ver o fechamento de um ciclo com final feliz. “A emoção em todos os casos toma conta do momento literalmente. Mais do que palavras, eu vejo lágrimas e risos simultâneos”, se emociona Michelle.

Serviço
Projeto ‘Mamas com Amor’
Telefone: (14) 99793-7822
Instagram: @Michelle Dias

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