Psicólogas, jornalistas, professoras universitárias, produtoras, artistas, lideranças comunitárias, militantes. Mulheres de várias idades, profissões e diferentes grupos e coletivos se juntaram em Bauru com um único propósito: pedir mais direitos e proteção para as mulheres e pessoas transexuais.

O movimento “Mulheres Unidas em Movimento: Bruna, Presente!” teve a participação de mais de 50 mulheres de Bauru e região para elaborar e protocolar um pedido à prefeitura de Bauru com sugestões sobre o que pode melhorar em relação ao combate à violência contra a mulher e pessoas transexuais na cidade.

Entre as sugestões estão a implantação de auxílio emergencial municipal para famílias em situação de vulnerabilidade, a criação de redes de apoio à vítimas de violência e expansão do horário de atendimento da Delegacia da Mulher (DDM) para 24 horas.

Feminicídio

O grupo se uniu após a morte de Bruna Giovana da Silva, que sofreu feminicídio, quando uma mulher é assassinada pelo fato de ser mulher, em dezembro de 2020. Ela foi morta pelo ex-companheiro e pai do seu filho no bairro Jardim Ouro Verde, em Bauru.

Casos como o de Bruna poderiam ser evitados caso o município oferecesse suporte adequado para mulheres em situação de violência. Por isso é importante garantir um atendimento 24 horas na DDM, assim como ampliar a rede de apoio”, explica a professora do Departamento de Educação Física da Faculdade de Ciências da Unesp Bauru e integrante do manifesto, Andresa de Souza Ugaya, de 44 anos.

Hoje, a DDM funciona das 8h às 18h, e fora desse horário, as mulheres precisam procurar o Plantão Cível, o que faz com que elas tenham que lidar com policiais que não têm o treinamento adequado para atendê-las em um momento de fragilidade. “Muitas mulheres desistem da denúncia porque sabem que serão julgadas, sofrerão preconceito, passarão por serviço inadequado, muitas vezes com falta de cuidado e empatia”, explica Andressa.

O Brasil é o quinto país que mais mata mulheres no mundo, segundo o Mapa da Violência 2015. Muitas vezes, elas fazem a denúncia, mas continuam sendo perseguidas por seus agressores. Por isso é importante o acompanhamento das vítimas e a criação e manutenção de espaços e redes de apoio para mulheres vítimas de violência, com atendimento psicológico.

Entendemos que melhorar o atendimento das delegacias não deve ser a única frente de solução para este problema. É preciso que a Prefeitura capacite profissionais para atender mulheres que sofrem violência, fiscalize o trabalho realizado pelas delegacias, atue com campanhas de conscientização, garanta a proteção das mulheres que realizaram denúncias e estabeleça redes de apoio para elas”, afirma a assessora de comunicação e produtora cultural, Mariana Vita, de 29 anos.

O suporte financeiro também é necessário para que essas mulheres, vítimas de violência, tenham meios para deixar seus abusadores e sejam capazes de sustentar as suas famílias, já que muitas vezes elas são dependentes desses homens.

Pessoas trans

O grupo também busca o atendimento adequado para denunciar casos de homotransfobia na cidade. De acordo com Protocolo Policial para Enfrentamento da Violência LGBTfóbica no Brasil, feito em 2020 pela Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), existem recomendações para orientar a atuação da força policial.

Elas também pedem que os casos de desaparecimento de pessoas trans sejam tratados com urgência, já que a possibilidade do desaparecimento estar relacionado a um crime de ódio é alto, levando em consideração os dados de que o Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo, de acordo com os dados da Antra.

Também é preciso políticas públicas para apoiar a inclusão de pessoas trans no mercado de trabalho, promover campanhas de conscientização sobre os direitos trans e facilitar a alteração de nome e gênero nos documentos de identidade.

Levantamento de dados

Coletar dados do município é uma das medidas pedidas para aprimorar o plano de ação de combate à violência contra a mulher e pessoas transexuais em Bauru. Elas explicam que é preciso fazer um mapeamento dessa violência para ter conhecimento das demandas e necessidades dessa população, para assim elaborar políticas públicas que possam melhorar a vida das pessoas de forma efetiva.

O Manifesto foi protocolado de forma online. Agora o grupo aguarda uma reunião por videoconferência com os responsáveis e está organizando lives e rodas de conversa.

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