Guilherme Rodrigues tem um sonho: produzir um programa para a Netflix. Esse desejo ficou mais próximo quando conseguiu se reunir com um representante da empresa americana nos Estados Unidos. Nesse encontro, descobriu as exigências técnicas, os padrões e equipamentos obrigatórios para entrar no serviço de streaming. 

E principalmente, ouviu que precisava “incomodar no YouTube”. Portanto, começou ali a desenhar o caminho. “Nós vamos fazer isso. ‘Incomodar’ eles. Quando eles virem que temos um bom programa, que poderia estar na plataforma deles, aí eles entram em contato novamente. É um objetivo”, comenta Guilherme. 

Essa possibilidade está ligada ao Arquitetura A, programa desenvolvido pelo Canal da Ilha, a produtora audiovisual do Guilherme. Com mais de 600 mil visualizações em 17 edições, o programa se tornou um das atrações de arquitetura mais vistas no YouTube. No Facebook, são mais de 2 milhões de visualizações.

O Arquitetura A mostra o processo de criação de arquitetos, a partir de projetos como casas, condomínios e estabelecimentos comerciais. Dessa forma, entre as edições, consegue apresentar diferentes estilos de trabalho.

“É incrível isso. Ver bons arquitetos e ver como cada um pensa de um jeito”, comenta Guilherme. “Eles podem pisar nas mesmas lojas e comprar os mesmos materiais. Mas um vai fazer algo completamente distinto do outro”

Mundo da arquitetura

O Arquitetura A foi idealizado por ele em 2015 e desenvolvido em conjunto com o arquiteto Odilon dos Santos Pereira. No primeiro vídeo, teve mais de 100 mil visualizações em uma semana. “Eu lembro até hoje”, comenta ele, feliz com o resultado. “Estorou! E as empresas começaram a vir atrás. Querendo saber o que era, patrocinar, recebi um feedback bem legal”.

Após sete edições com o Odilon, decidiu abrir para outros arquitetos da região, como Mário Lauris, Laiza Carrilho e Heloisa Losi, da qual falou de um projeto de um cinema do cantor Daniel, feito em Brotas. Foi o momento em que percebeu que o mundo da arquitetura tinha abraçado a ideia do programa, inclusive recebendo um prêmio dos arquitetos pelo trabalho.

Guilherme chegou a dar palestras sobre divulgação em faculdades de arquitetura e começou a se aprofundar nesse mercado. O próximo passo foi conseguir chegar a arquitetos famosos, como Camila Klein, que já projetou diversos apartamentos na capital. 

Agora, a ideia é conseguir produzir edições do Arquitetura A com os melhores profissionais do país. “Quero chegar nos galáticos da arquitetura do Brasil, como Márcio Kogan, Arthur Casas, Tiago Bernardes, Jacobsen, FMGF. o objetivo é chegar nesses caras aí”, comenta ele.

Portanto, com o tempo, foi melhorando a qualidade. “E vamos melhorar ainda mais, por exemplo a qualidade da imagem e o tempo de gravação com o arquiteto”. Nesse caminho, sonhando com a Netflix, patenteou a marca Arquitetura A e o direito intelectual do formato do programa. “Vai ser um processo e nós vamos seguir construindo para entrar lá”, garante ele.

Onde assistir ao Arquitetura A

O programa mostra o processo de inspiração dos arquitetos. Em edições de 15 minutos, o profissional concebe a ideia, desenha o projeto e explica as decisões. O resultado é mostrado no projeto 3D ou, se já estiver pronto, no prédio em si.

Nesse sentido, é uma forma de mostrar o dia a dia da arquitetura. “Conseguimos mostrar para as pessoas um pouco da vida deles. Às vezes, esses arquitetos, principalmente os mais glamourosos, são muito retraídos, não fazem marketing. É uma chance de ver como é a rotina desses profissionais, por isso eu acho que o Arquitetura A dá certo”, comenta Guilherme.

A ideia era ser um programa mensal. Devido à pandemia e ao agendamento de arquitetos, por enquanto, a periodicidade não segue esse ritmo, embora esse seja o objetivo. Atualmente, as edições do programa podem ser assistidas no Facebook e no YouTube. Em quase 20 edições, já mostrou projetos de diversas casas e apartamentos, uma academia e uma loja de conveniência.

O último programa publicado foi do projeto do condomínio bauruense Guestier. Nesta edição, o arquiteto Odilon mostra como pensou a entrada, o clube e as casas modelo. Além dele, participa também um dos maiores paisagistas do Brasil, Benedito Abbud. “Fomos gravar lá no escritório dele, que tem mais de 60 pessoas. Foi incrível. Ele está acostumado a fazer complexos gigantescos”, comenta Guilherme.

O próximo programa será protagonizado pelo escritório internacional Creato Arquitetcs, que já realizou empreendimentos em Dubai, México, Nova York, Cairo e Los Angeles.

Produtora Canal da Ilha

Além do programa Arquitetura A, o Canal da Ilha é uma produtora audiovisual que atende desde agências de publicidade a clientes que chegam apenas com os objetivos. Para esses, a partir de um briefing, além da idealização e produção do vídeo, traçam uma estratégia de ação.

Por isso, a solução foi estender o processo até depois da entrega, auxiliando também no marketing e nas estratégias de comunicação. Ou seja, na melhor forma de divulgação. “Quando eu simplesmente fazia o processo normal e entregava o vídeo, às vezes ele usava uma vez e o produto morria”, diz ele.

Por lá, eles conseguem fazer os vídeos institucionais, documentários, comerciais, lives, explicação de processos internos, cards para redes sociais, entre outros produtos audiovisuais. 

Recentemente, produziram vídeos de treinamentos, pois muitos trabalhadores estavam em casa. “Com as pessoas em home office, as empresas, ao invés de treinar todo mundo de forma presencial, fizeram vídeos com a gente e dispararam para todos os colaboradores”, diz ele. 

Portanto, Guilherme diz que o Canal da Ilha é uma produtora que vende um “pacote de soluções audiovisuais”. Nesse sentido, consegue mostrar para as pessoas que o audiovisual é um caminho de investimento. “Atendemos empresas que estão há 30 anos no mercado e não tinham um site”, comenta. 

Paixão por televisão

O sonho de lançar um programa no Netflix começou com o Guilherme segurando um refletor de luz que esquentava seu corpo. De São João da Ponte-MG, ele estava morando perto de Juazeiro do Norte quando ganhou um concurso de redação para estudantes.

Por causa do prêmio foi dar uma entrevista na Verde Vale, emissora de TV da região. Paixão à primeira vista. Ficou impressionado com as tecnologias, com as celebridades e com a capacidade de transmitir eventos.

“Eu queria fazer Direito, e ali desisti. Perguntei se podia trabalhar na emissora. Como eu tinha 17 anos, falaram que eu não podia, mas eu insisti e disse que eu ia mesmo se fosse só para olhar. Aí deixaram”, relembra Guilherme.

Nesse momento, começou a trabalhar como, nas palavras do seu coordenador, “colaborador versátil”. A primeira tarefa era auxiliar nas reportagens de rua, carregando o tal refletor de luz que iluminava os entrevistados, e depois foi aprendendo todas as técnicas. Com a experiência, conseguiu trabalhar no programa do Amaury Júnior em São Paulo, novamente após insistência e uma conversa com o diretor do programa paulistano.

Tudo começou com uma ilha de edição

Cansado da rotina da capital, onde acordava às 4h e dormia meia-noite, veio para o interior na primeira oportunidade, em 2007. Cinco anos depois, trabalhando em uma campanha, ele fez um vídeo para uma colega de trabalho, com imagens da filha dela. “Depois de assistir, ela chorou, me abraçou e disse que na primeira oportunidade que ela pudesse, iria me ajudar”, conta. 

Essa oportunidade surgiu alguns meses depois. A colega de trabalho o chamou para trabalhar na produção de um vídeo para a indústria do tio, em Pederneiras. “E eu não sabia nem precificar, não sabia quanto custava nada. E aí eu citei um valor calculando o quanto eu precisava para comprar equipamentos”, diz ele. 

Com o dinheiro, comprou a primeira ilha de edição e lançou a produtora. A partir daí, o boca a boca aumentou a quantidade de clientes, fortaleceu o nome, lançou o Arquitetura A e apostou em projetos locais.

Uma ação recente foi em parceria com a Sicredi, na qual ajudou empresários da região a chegar aos clientes, gravando mais de 700 vídeos para pequenos negócios. Outras ações na mesma linha foram os vídeos contando histórias de pessoas de Bauru, a adoção de cinco praças na cidade (onde resgatam e revitalizam a área) e a divulgação do Centro, onde fica a produtora. Desse último, além da ilustração do Rafael Monte com pontos do bairro, a ideia é expandir e produzir vídeos para falar da área.

Nesse sentido, é uma forma de contribuir com o crescimento da cidade. “As pessoas brincam que da [Avenida] Duque [de Caxias] para baixo, ninguém conhece”, diz ele. “E tem muitos lugares bonitos no Centro de Bauru. Coisas legais para as pessoas conhecerem”

E nesse compasso segue o Canal da Ilha. Enquanto trabalha para levar o Arquitetura A ao Netflix, no caminho vai deixando sua marca em Bauru.

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Serviço
Canal da Ilha
Endereço: Rua Gerson França, 4-68
Telefone: (14) 3208-7007 | (14) 99668-6859 (WhatsApp)
Horário de funcionamento: De segunda a sexta, das 8h às 17h
E-mail: [email protected]
Site: www.canaldailha.com.br
Instagram: @canaldailha | @arquiteturaaoficial
Facebook: /canaldailha | /programaarquiteturaA
Youtube: /canaldailha | /arquiteturaA

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