Dia 15 de abril é comemorado o Dia Mundial da Arte. Mas afinal, o que é arte? Para alguns, é a expressão de um ideal estético. Para outros, a expressão da criatividade, das emoções. Mas ela também pode ser o reflexo da cultura de uma época e sua ruptura ou mesmo a forma de contar a história de um povo.

A arte pode ser representada através de várias formas, seja da música, da escultura, da pintura, do cinema, da dança e os artistas são peças fundamentais para essa expressão.

Por isso, os artistas bauruenses aproveitam a data para fazer uma reflexão sobre as próprias obras e sobre o cenário local contemporâneo.

“Melhor sensação do mundo”

A artista plástica de Bauru, Viviane Mendes, conhecida por suas pinturas com colagens e cores vivas, revela que busca transmitir em seus trabalhos um pouco do que vê no seu mundo. Ao lado de seus animais de estimação, a imaginação flui.

O meu trabalho sempre tem alguns códigos velados de cores, símbolos, sentimentos. Mas meu foco está sempre mudando, já tive várias fases, depende do que está acontecendo comigo, depende do material que eu tenho disponível. O que não muda é que ele é sempre harmônico, para os olhos e para os sentimentos”, conta.

Para Viviane, a arte também é seu sustento, mas vai além disso. “A melhor parte é quando eu estou trabalhando e eu não penso em nada. É como se eu desaparecesse naquele momento, é a melhor sensação do mundo. Normalmente é assim que eu consigo os melhores resultados. Essa ausência de pensamento é um bálsamo”, revela.

“Transmitir a beleza”

A arte realmente parece ter essa qualidade de tirar as pessoas da realidade. Pelo menos é o que confirma a artista Denise Fernandes, especialista na arte de quilling ou filigrana de papel.

Meus pensamentos literalmente voam, pois é uma infinidade de opções e ideias que vem à cabeça quando inicio o processo de um quadro. Quero transmitir a beleza que se torna a minha arte após cortar e manusear as tirinhas de papel. É uma alegria enorme quando finalizo. São inúmeros detalhes a serem observados”, afirma a artista de 58 anos, que entrou para o mundo das artes há apenas quatro anos, como autodidata.

O quilling é uma técnica focada em trabalhar com tirinhas de papéis especiais de diversas gramaturas, cores, tamanhos e formatos. Consiste em enrolar e modelar as tiras, transformando os desenhos em relevo. Podendo ser desenhos simples ou complexos.

“Me traz alívio”

Diferente da Denise, que procurou a arte já adulta, o compositor Leonard Couto teve suas primeiras experiências aos 11 anos quando ganhou um teclado de sua mãe. “Eu ficava gravando sons nele, experimentando. Comecei a compor e gravar antes de aprender a tocar qualquer música de outro compositor porque eu gostava de ficar inventando”, lembra o músico.

Hoje aos 35 anos, Leonard conta ter composições de vários estilos como música eletrônica, anos 80, balada, heavy metal, pop e instrumental. Ele explica que cada música é feita de uma forma, que algumas demoram anos e outras simplesmente ficam prontas em um dia.

Quando eu gosto muito de uma música, parece que ela se fez sozinha, como uma peça de crochê, que você começa pequeno e do nada é uma toalha”, explica.

Leonard também acredita que a arte é a expressão de um povo. “É muito difícil definir a arte porque cada pessoa entende a arte de uma forma. Mas é uma expressão humana que traz alívio, emoções, sentimentos, reflexões, conexões de diferentes formas”, acredita.

“Reverenciar e inspirar”

E arte também é expressão corporal, como faz o ator Gael Gramaccio, de 27 anos. “A arte é um universo tão rico, que é, sem dúvida, a coisa mais importante que já me aconteceu. E foi só através da arte que eu consegui encontrar sentido nessa sociedade. Quando estou atuando não é apenas por um desejo pessoal. A minha arte precisa reverenciar os que vieram antes de mim e inspirar os que virão depois”, esclarece.

Arte também pode gerar mudanças, quebrar padrões. Por isso Gael busca trazer questionamentos em seus trabalhos sobre crenças, normas e instituições sociais que historicamente são dominantes na nossa sociedade, buscando combater toda e qualquer forma de repressão.

“Traduz o intraduzível”

O Dia da Arte foi instituído no dia 15 de abril em comemoração ao nascimento do pintor, escultor, cientista, inventor e arquiteto Leonardo da Vinci, em 1452.

Reconhecido por obras famosas como Mona Lisa, A Última Ceia e Homem Vitruviano, o renascentista italiano foi um artista muito importante do século XV. Assim, ele resumia o que era arte em uma frase: “A arte diz o indizível; exprime o inexprimível, traduz o intraduzível”.

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