Seu nome contrasta com seu movimento. Uma pomba esculturada em bronze fixa seu pouso ao centro. Entre a certeza do voo, ela parece estender suas asas com uma beleza lateral rara. Na praça da Paz é assim. Entre suas geometrias, cães dormem o sossego do focinho entre as patas absortos de qualquer exclamação. Pássaros riscam o céu num azul em abuso de belezas. Alguns ciscam nas fissuras do concreto palmilhado. O mendigo passa. Ele maldiga a vida. Guardadores assediam Hondas e Fords.

Hambúrgueres, cachorros-quentes, batata frita, pipocas, sorvetes, algodões-doces, maçãs do amor, cocadas, tapiocas, pula-pula, bexigas e até adereços hippies a ouvidos e braços púberes disputam a atenção dos passantes. Ambulantes vêm e vão. A praça da Paz é metáfora itinerante. É cartão-postal de banquete.

Risadas largas mordem o pastel que se junta às vogais molhadas repousadas em gestos. Refrigerantes mastigam o queijo derretido na satisfação gorda do lazer compartilhado. Uma aglomeração de fila torta saboreia o doce de leite terroso dos churros. Alguns, conservados no silêncio, acompanham o ir e vir visitante. Outros cervejam a recompensa do passeio noturno nas mesinhas ordinárias das calçadas.

Gente feita ao ar livre. Bancos sossegam preguiças e conversas promíscuas. A praça da Paz acorda em caminhadas. Insone, recepciona brisas de baforadas frituras. Dormi a miséria farta das migalhas demitidas ao chão. Na pressa, na prece, Bauru acontece na praça da Paz.

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