Guitarra. Baixo. Bateria. Três instrumentos que, juntos, conseguem produzir um dos melhores sons do mundo: “esse tal de rock’n’roll”, como diria Rita Lee. Nos anos 50, nos Estados Unidos, foram esses três instrumentos, especialmente no blues e no R&B, que levaram ao início do rock.

Apesar de não ter uma data exata, muitos consideram Chuck Berry como o “pai” do estilo musical, em canções como Johnny B. Goode e Rock and Roll Music. Depois dele, Elvis Presley e Jerry Lee Lewis, no mesmo país, e The Beatles e Rolling Stones, na Inglaterra, levaram ao mundo e consolidaram a qualidade sonora do estilo.

Mais dançante nessa época, posteriormente o rock se elevou a diferentes subgêneros e diferentes nomes, de Guns n’ Roses, Angra, Metallica e Sepultura a The Strokes, CPM 22, Skank e Blitz.

Banda de rockArmazén Bar (foto: Reprodução/Instagram)

Além disso, o gênero musical passou a representar também uma atitude. “O que toda banda de rock’n’roll deve ter em comum é o amor ao estilo de vida. Rock e a atitude rocker que é a liberdade do ser, da arte e da expressão, tornando assim o estilo mais amplo que qualquer outro”, comenta o músico bauruense Amil Mauad.

Nesse sentido, são as pessoas – ouvindo, tocando, indicando – que mantêm vivo o rock. E, como comenta Márcio Lanzarini, vocalista da banda Calibrados, gente de toda idade curte o som, o que demonstra a força do estilo. “Ver gente jovem ouvindo o gênero é um ótimo sinal de que esse papo de que ‘o Rock morreu’ é uma baita ‘duma’ conversa fiada de gente que já desistiu e se justifica com esse papo mole”, diz.

Bandas bauruenses

A Calibrados é uma dos grupos que perpetua o estilo musical ao tocar clássicos de bandas conhecidas em shows pelos bares de Bauru. Em diferentes lugares da cidade, eles interpretam System of a Down, Raimundos, Rage Against the Machine, Creedence e Raul Seixas.

Outra banda conhecida na noite bauruense é a 12 Cordas. No repertório deles, não faltam as melhores de Nirvana, AC/DC, Linkin Park, The Doors, Guns n’ Roses, The Doors, Legião Urbana, Charlie Brown e CPM 22. Guitarrista e vocalista da banda, Léo Couto considera a importância de estar nos palcos.

“Qualquer banda que toca o rock em Bauru está ajudando a conservar esse legado, essa cultura e essa história. É um movimento rico! Imagina, músicas feitas nos anos 60 e que até hoje são conhecidas e amadas. Isso nunca vai acabar. Sempre vai ter uma banda tocando, com guitarra, baixo, bateria, ou com violão, tocando rock, sempre vai ter isso”, conclui Léo.

O próprio som

Banda de rockBanda D’Maori (foto: Ana Cardoso)

Todo roqueiro tem uma história de como entrou nesse mundo. Para o Léo, o encontro foi aos 10 anos, com uma fita cassete. “Algum instinto me levou para isso, pois eu não tinha amigos que gostavam de rock. Aí, do nada, resolvi comprar uma fita do Sepultura e gostei para caramba!”, relembra, citando também o Nirvana e a trilha sonora do filme Mortal Kombat. 

Já Márcio Lanzarini diz que quem “abriu a porteira” foram AC/DC, Metallica e o Black Sabbath. Também da Calibrados, Euler Silva lembra de ‘Twist And Shout’ dos Beatles e ‘Have You Ever Seen The Rain’ do Creedence Clearwater Revival. “Meus tios e minha mãe gastaram os discos de vinil de tanto ouvirem essas bandas nos churrascos da família. Daí para frente, foi só amor e loucuras”, diz.

A partir dessas inspirações, diversas bandas compõem as próprias músicas e fortalecem a continuidade do rock. Além da 12 Cordas, Léo Couto também integra a Supersônica, na qual as guitarras pesadas são a marca.

Outra banda autoral da região é a D’Maori, que recentemente lançou o primeiro EP. Inspirados em Raimundos, Charlie Brown Jr., Legião Urbana, Titãs, Red Hot Chili Peppers e Foo Fighters, eles decidiram lançar suas próprias músicas após 10 anos de estrada.

Para Renato Coletta, integrante do grupo, compor novas canções é uma forma de deixar a marca deles na música. “Levar este estilo de vida e de música à frente move nossa história para um futuro que a gente não quer que acabe nunca”, diz. 

Rock nos palcos bauruenses

Por trás dos palcos, outros personagens bauruenses também contribuem para manter o rock vivo. São os donos de bares na cidade que oferecem um espaço para quem quer curtir o gênero.

Entrada do Armazén (foto: Reprodução/Instagram)

Existente há cerca de 40 anos, o Armazén é o mais tradicional aqui em Bauru. Segundo os donos Valéria e Paulão, o bar foi uma forma de viver do som que eles mais ouvem. Por lá, todas as vertentes e todos os públicos estão presentes. “É legal ver filhos acompanhando os pais e passando a ser frequentadores”, comenta Valéria. 

O James Joyce teve um caminho parecido. Mais recente em Bauru, o bar também carrega a paixão do dono Fernando Gimenes pelo rock. Ele cresceu ouvindo Ramones, Sex Pistols, Queen e Aerosmith e não teve dúvida sobre o estilo do bar. 

Agora, o local virou espaço para as bandas da região fomentarem o gênero musical na cidade, como XYZ, Audiohertz, Leão WR3, Oi Sumida, Rockduto, Turco e Banda e Yellowstone.

Banda de rockArmazén (foto: Reprodução/Instagram)

Dessa forma, os bares se tornam os pontos de encontro entre os roqueiros bauruenses, como percebe Léo Couto. “Cada dia eu conheço mais pessoas que gostam de rock. Tem uma turma nova, galera de 20 anos, que estão formando bandas, que estão curtindo os sons, bandas de rock que são super modernas. Então a coisa está borbulhando, tem muita coisa que está por vir”, diz. 

Como diz João Pedro Dias, da banda D’Maori, é um público grande e fiel. “Vai desde o rock ‘n’ roll das guitarras gritantes até o pop-rock. Independente do som ser mais leve ou mais pesado, os amantes desse estilo musical querem ouvir a mensagem passada, seja ela de amor, esperança, protesto, etc”. 

Manter o legado do rock

Nos mais de 70 anos desde as apresentações de Chuck Berry nos EUA, o rock passou por diferentes vertentes e se transformou em um terreno amplo. Rock Clássico, Hard Rock, Heavy Metal, Indie Rock, Glam Rock, Punk Rock, Grunge, Rock Progressivo e Country Rock são apenas alguns subgêneros.

“O estilo rock’n’roll é um estilo livre que ao longo de sua existência flertou e flerta com muitos outros ritmos como blues, jazz, erudito, regional, folclórico, tribal, pop, eletrônico, hip-hop e o que mais a imaginação puder criar. E todos eles sempre caíram muito bem”, explica Amil Mauad.

O guitarrista é um dos músicos locais que explora o rock. O bauruense interpreta o surf music na banda The Zombrain, que tem, na guitarra e nos solos, o principal som. Além dele, os Últimos Escolhidos do Futebol são outros que inovaram ao misturar os instrumentos tradicionais com elementos dos metais.

Ou seja, vale tudo pelo rock. Elementos e estilos. Cover e composições próprias. Em palcos e nas redes sociais. O que importa é manter guitarra, baixo e bateria ligados. 

“Toda boa banda de rock precisa mesmo é de atitude. Para a galera envolvida não é diferente. Estamos trabalhando do jeito que podemos, seja produzindo material novo, ensaiando novos repertórios, gravando álbuns novos ou engatilhando novos projetos, mas jamais deixaremos o rock morrer. O rock’n’roll é imortal”, finaliza Amil.

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