Com castramóvel parado há mais de um ano, ONG’s, protetores independentes e simpatizantes com a causa animal se unem e fundam a Frente da Defesa Animal em Bauru.

Soraya Gasparini, presidente da organização, explica que a união é um movimento apartidário, sem fins lucrativos e que pleiteia políticas públicas para os animais da cidade.

“A Frente surgiu perante a luta pela volta do castramóvel, que está inoperante desde 2019, depois que a Prefeitura sinalizou que tinha intenções de mudar a função original de castrar animais da população carente gratuitamente para um ambulatório semi móvel para atender animais com suspeita de zoonoses”, afirma a presidente.

Soraya Gasparini, presidente da Frente da Defesa Animal

Para além do castramóvel, a organização também realiza ações e levanta debates sobre questões que envolvem o bem-estar, integridade física e emocional dos animais bauruenses.

Frente da Defesa Animal e o caso Dona Chica

Uma situação emblemática e que recebe atuação direta da Frente é a Dona Chica. Francisca Maria de Queiroz contraiu Covid-19 e precisou ser entubada em Junho. Por consequência, a senhora de 55 anos deixou 66 animais (39 cães e 27 gatos) sem os cuidados necessários.

Dona Chica, como é mais conhecida, morava sozinha com os animais em uma casa no Parque Paulista. Com a internação, os filhos da cuidadora foram acionados. Entretanto, não conseguiram cuidar dos animais e pediram pela ajuda da Frente.

Leandra Marquezini, vice-presidente da organização

Com a atuação, o local foi higienizado, os animais foram tratados e houve a transferência de alguns para lares temporários.

Dona Chica ainda está internada. Após a intervenção, os cuidados da residência continuam por conta da família e amigos próximos, enquanto os protetores se dedicam na adoção dos animais e na arrecadação de remédio e alimentos.

Castramóvel

A unidade itinerante oferece atendimento veterinário e castração de animais domésticos de forma gratuita. Sendo assim, possui tudo o que é necessário para realizar os procedimentos em cães e gatos, como equipamentos médicos, instrumentos cirúrgicos, esterilizador e etc.

Se o castramóvel estivesse em atuação, cerca de 8 a 12 animais poderiam ser castrados por dia, de acordo com Soraya Gasparini.

Leandra Marquezini e Soraya Gasparini em abrigo independente

Por meio do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) é responsável por colocar o castramóvel em funcionamento. A unidade é usada com o viés de saúde pública pela SMS, ou seja, visa diminuir a população de animais com o objetivo de diminuir a incidência de zoonoses, doenças infecciosas transmitidas entre animais e pessoas.

A escolha dos bairros que recebem esse atendimento é feita por meio de levantamento técnico, onde é observado quais locais têm maior índice de casos de zoonoses, como raiva e leishmaniose.

Afastamento

De acordo com Dorival José Coral, secretário da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMA), o castramóvel parou de atuar por dois motivos.

“Há um problema com o Conselho Estadual de Medicina Veterinária. Para que o veterinário atue no castramóvel, ele precisa ter algumas documentações, uma licença para fazer esse tipo de atendimento. O segundo motivo é que o viés do Centro de Controle de Zoonoses é de controle de população canina e felina que possam trazer problemas à saúde humana, como doenças tipo leishmaniose ou raiva. A somatória dessas duas coisas é o que fez com que o município parasse de atuar com o atendimento do castramóvel”, informa

Além desses dois fatores, Dorival cita que a pandemia afetou a atuação da unidade médica, já que une profissionais da saúde e população em um espaço pequeno e fechado.

Mudança do castramóvel para a SEMMA

Sociedade civil, ONGs e protetores independentes que sofrem com a falta de atuação do castramóvel pressionam as entidades públicas para a volta do atendimento.

Com isso, a Prefeitura Municipal de Bauru pensou em colocar a unidade para atuar como uma clínica móvel. Entretanto, a alteração foi desaprovada pela comunidade bauruense.

Segundo Soraya, a mudança de função afeta diretamente o ecossistema de atuação de ONG’s, protetores e do setor público de saúde e zoonoses.

“Sabemos que a castração é o único programa efetivo de controle populacional, assim, se diminui drasticamente o abandono e maus tratos”, afirma.

Porém, de acordo com Dorival, a atuação do castramóvel dentro da Secretaria Municipal de Saúde é apenas quando há incidência de zoonoses na população de cães e gatos. Portanto, a unidade não trabalha com o objetivo de apenas diminuir a população dos animais.

Segundo Dorival está em andamento um projeto que transfere o castramóvel da Secretaria Municipal de Saúde para a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, já essa atua com o viés de controle da população, “principalmente para que os animais não fiquem abandonados à sorte em diferentes locais”, informa o secretário.

O secretário afirma que está finalizando o termo de referência, documento que deixa claro para a clínica quais são as ações que ela vai desenvolver dentro do castramóvel. Por isso, ele estima que a unidade móvel volte a atuar somente no ano que vem dentro da SEMMA.

Programa Municipal de Controle Ético da População Canina e Felina de Bauru

Enquanto o castramóvel não volta a atuar, os bauruenses que precisam castrar animais domésticos podem aderir ao Programa Municipal de Controle Ético da População Canina e Felina de Bauru.

De forma gratuita, o programa realizado pela SEMMA castra animais de bauruenses de baixa renda. Para isso, o tutor pode entrar em contato com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SEMMA), Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (SEBES) ou procurar um CRAS para fazer o cadastro.

Apesar de possuir programa de castração gratuita, o secretário Dorival disse reconhecer que não há nenhuma iniciativa que retira e ajuda animais em situação de rua, sem tutores.

“ONGs, entidades e cuidadores fazem isso. Recolhem esses animais, encontram um lar adotivo e orientam para que essas pessoas procurem o programa da SEMMA. Mas em geral, a SEMMA não tem uma ação ativa de busca dessas populações”, informa.

Serviço

Frente da Defesa Animal
Facebook: @FrenteDaDefesaAnimal 
Instagram: @frentedadefesaanimal

Secretária Municipal do Meio Ambiente (SEMMA)
Fone: (014) 3239-2766 / (014) 3234-6849 / 3223-3928
Avenida Alfredo Maia, 1-10 – Vila Falcão
Funcionamento:Das 8h às 12h e das 13h às 17h
E-mail: [email protected]

Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (SEBES)
Fone: (014) 3227-8624 / (Cadastro Único) (014) 3223-2849
Rua Alfredo Maia, quadra 1
E-mail: [email protected]

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