O Palhaço Faísca é uma figura muito conhecida aqui em Bauru. O homem por trás do sorriso que alegra as crianças da cidade se chama Aleksander Rodrigues de O. Soares e, este ano, ele completa 31 anos de história como o personagem.

Para comemorar essa data, nós fizemos 31 perguntas para conhecer um pouco mais da sua história, ouvir seus causos e relembrar o que mantém seu fascínio pela profissão até hoje. Confira:

1. Por que o palhaço Faísca se chama Faísca?

Na época em que eu estava me preparando para fazer meu primeiro evento, em 18 de agosto de 1990, eu e meu amigo estávamos andando sobre os trilhos da linha férrea no Bauru XVI.

Quando eu arremessei uma pedra no trilho, saiu uma fagulha. Meu amigo gritou: “Olha aí, olha aí, o seu nome saiu!”, eu perguntei: “É fogo?” e ele me respondeu: “não, é FAÍSCA!”

2. Com quantos anos você começou sua carreira?

Como o personagem Palhaço Faísca, eu tinha 12 anos.

3. Quais foram os primeiros lugares que se apresentou?

O primeiro foi na regional do Redentor às 16h, e a noite me apresentei na Praça da Paz, às 21h do mesmo dia, 18 de agosto de 1990.

4. Você lembra quando recebeu o primeiro pagamento trabalhando como palhaço? Como foi?

Sim, me recordo. Na época, quando eram contratados pela Prefeitura de Bauru através da Secretaria de Cultura, os artistas recebiam a cada pacote de 10 shows realizados. Eu logo fiz esse número, até porque como esse tipo de show era novidade, muitos bairros queriam a minha presença.

Não demorou muito para que eu fizesse os 10 shows, porque eu fazia nos finais de semana – eram três aos sábados e três aos domingos.

Receber o primeiro cachê foi maravilhoso, logo já peguei o dinheiro e fui fazer uma roupa para todo o grupo.

5. Vi que você fez o laboratório no Circo Palco Livre ainda quando criança. Você já trabalhou ou trabalha com circos?

Sim, fiz laboratório de circo no Circo Palco Livre que estava armado na Avenida Nações Unidas, onde hoje é a empresa de valores perto do Poupa Tempo.

Em circos, eu fui apenas para fazer shows depois de já ser o palhaço Faísca. Me apresentei em vários: Bilibarnum, Los Agadi, Circo Anahi, Asa Delta e recentemente no Circo Moscou durante a pandemia em uma live solidária em prol do circo.

6. Quando começou a trabalhar em festas infantis?

Praticamente junto com os shows nos bairros. Não demorou muito para as mães virem me perguntar se, as apresentações que eu fazia no palco, eu poderia fazer nas festas.

Mais que depressa eu disse: “claro que sim!” E fomos nos apresentar nas casas, pois antigamente as festas eram feitas em residências ou salões, não existiam os buffets.

7. Além de ser palhaço, você pratica outra arte circense? Malabarismo, ilusionismo, equilibrismo, etc?

Quando fiz esse laboratório de circo, aprendi muitos números como parada de mão, parada de cabeça, mágica e até malabares com bolinhas e claves. Criei meu estilo próprio de show, mas se precisar em algum evento faço com tranquilidade – menos as paradas, já estou meio gordinho para isso (risos).

8. Para você, como palhaço, existe diferença entre trabalhar em uma festa infantil privada e uma festa pública?

A diferença é praticamente zero. A única coisa é que, em festas públicas, o contato com as crianças é feito antes ou depois das apresentações, e nas festas de aniversário o contato é ali na hora, no momento de cada brincadeira.

9. Qual foi a maior dificuldade em seguir na área?

Olha, eu digo que enfrento essa dificuldade até hoje… Ainda não encontrei um empresário que pudesse levar esse tipo de show para outros eventos. É triste ver e saber que os empresários se preocupam tanto com o público adulto e jovem, mas, empresários que buscam variedade de atrações infantil para levar ao grande público, são poucos.

Não só levar, mas sim investir e acreditar no talento da mesma forma que acreditam nos cantores sertanejos, grupos de samba e até no funk.

10. Em entrevista, o Palhaço Plim-Plim diz que ser palhaço é um dom. Você acredita nisso?

Com toda certeza. Se você não tiver o dom de alegrar as pessoas, não adianta. E falo em alegrar não só para fazer piadas e estripulias. Primeiro você alegra com carisma, e carisma acredito que o Faísca tem de sobra.

11. Qual é o número que as crianças mais pedem para você?

Como meu show é musical, acredito que as crianças gostam mais quando eu canto a música “O Circo da Alegria” composta por Cid Guerreiro nos anos 80, que virou o hino do circo.

12. Qual a identidade do Palhaço Faísca? Uma característica bem marcante?

A identidade do Palhaço Faísca é ser um cara carismático que gosta de brincar e se divertir, porém ele é um pouco tímido quando não está entre amigos. Digamos que ele parece ser um Faísca mais sério (risos).

13. O Palhaço Faísca tem diferentes roupas de apresentações? Quantas?

No começo, eu estava em busca da minha identidade perfeita, usei várias cores de roupas, mas sempre roupas elegantes (aposto mais nesse tipo de traje). Já tive roupa laranja, azul com vermelho e branco, roxo com vermelho e hoje uso a minha cor predileta que é o amarelo, vermelho e branco.

Tenho no meu armário, por incrível que pareça, mais de 10 trocas de roupas. Porém quem não repara muito, pouco vê a diferença, mas tenho roupa para chegar em eventos, para fazer inauguração de lojas (quando solicitado) e até para grandes eventos e festas infantis, onde uso minha roupa de gala, meu terno completo com direito a colete e tudo.

14. Quais roupas você mais gosta e por quê?

Eu praticamente gosto de todas, porém a que eu mais gosto de usar é o meu fraque, acho mais elegante. Para mim é sempre uma honra participar de um evento, seja ele qual for. Festa infantil ou grande evento, acho que tenho que ir com minha melhor roupa, porque meus amiguinhos e minhas amiguinhas merecem o meu melhor.

15. Ao longo da carreira, quantas vezes você já mudou a maquiagem do Palhaço Faísca?

Nenhuma vez. O primeiro traço que fiz no rosto, faço até os dias de hoje. Espero continuar fazendo, pelo menos, por mais 50 anos!

16. Já passou por algum momento constrangedor com uma criança?

São vários, mas um deles foi quando a criança ficou surpresa porque eu usava luvas. Uma vez eu tirei a luva e ela achou que minha mão fosse branca, mas a minha mão é morena, porque eu sou negro. Uma outra vez também, quando a criança viu que eu sou negro, não branco como a cor da maquiagem.

Hoje eu já não uso mais maquiagem branca, uso maquiagem da cor da pele, justamente porque eu fujo da imagem do palhaço branco fantasma, que infelizmente está sendo associado a personagens de horror.

17. Qual foi o maior “perrengue” que o Palhaço Faísca já passou?

Acredito que quando fui fazer uma festa e meu equipamento queimou. Tive que fazer a festa no gogó. Como em alguns buffets os garçons esquecem que o artista bebe água, minha voz estava acabando e tinha muito tempo ainda de show até a hora de cantar o “Parabéns a você”.

18. Qual é o prato de festa favorito do Palhaço Faísca?

Todos! Adoro comida temperada e gostosa, não tenho muita preferência. Sendo feito com amor, vale todos.

19. O que te faz continuar a ser palhaço?

Saber que sou capaz de levar alegria às crianças mesmo estando com o coração triste.

20. Já pensou em desistir da profissão?

Sim, várias vezes. Mas quando vejo a forma de diversão que as crianças têm nos dias de hoje, paro e penso que ainda sou capaz de fazer a diferença na forma deles se divertirem.

21. Já teve que abandonar um show no momento da apresentação? Por qual motivo?

Abandonar não, mas quase. Foi em uma apresentação de grande porte em uma cidade que não deixou nem um camarim, nem água, nem nada, nem um biscoito. Quando estava finalizando minha apresentação, eu estava com muita sede.

Pedi água e me trouxeram um copo de água em temperatura ambiente, mas estava tão calor, tão calor, que a água estava quente. Resultado: me deu uma dor de barriga e precisei sair rapidamente, assim que terminou o show, nem tive tempo de dar atenção no pós-show.

22. O que mais te ofende como palhaço?

Ouvir as pessoas xingarem ou manifestarem contra algo que não está certo chamando aquele ato de “palhaçada”. Nossa, isso me irrita profundamente! E o que mais me deixa bravo é saber que vem da boca de pessoas estudadas e esclarecidas, pessoas que frequentaram escola e aprenderam o que é sinônimo e o que é antônimo (risos).

23. Existe um momento que você destaca como o mais feliz da sua carreira?

Sim, vários até agora. Na sequência: participar das festividades da minha cidade, ser reconhecido pelos meus anos de carreira e continuar alegrando crianças de zero a 120 anos.

24. Quais são os títulos que você coleciona ao longo destes 31 anos?

Quando ganhei minha primeira Moção de Aplausos quando completei 25 anos de carreira; ganhei também quando comemorei 27 anos, onde também recebi o título e a faixa de “Embaixador da Animação Infantil”, oferecido pelo ENAI (Encontro Nacional de Animadores Infantis).

Estavam presentes vários palhaços do Brasil, foram mais de 30 artistas escolhidos pelo seus anos de carreira e profissionalismo, lá estava desde a Turma da Pakaraka, Teleco e Teco, Topetão e até o Bozo.

25. Quantas cidades e estados do Brasil o Palhaço Faísca já conheceu?

Fazendo shows somente São Paulo. Como já disse, espero que ainda surja um empresário para espalhar Faísca de Alegria para as crianças de outros estados.

26. Qual é sua maior inspiração?

Os Palhaços Atchim & Espirro e o Bozo.

27. Se você tivesse que escolher outra profissão, qual seria?

Palhaço! (risos)

28. Tem alguma pessoa que você conheceu na infância e hoje já é adulta?

Tem pessoas que eu comecei a fazer shows lá atrás e hoje já são pais e até avós, eu faço peças para os netos deles, já estou na terceira geração.

29. Qual é o conselho que você daria para alguém que sonha em ser palhaço?

Primeiro você precisa ter o dom e gostar muito, mas muito mesmo do que faz, e não se preocupar com os ‘nãos’ que a vida vai te dar. Faça tudo direcionado às crianças, para alegrá-las, e o reconhecimento vem. Demora, mas vem!

30. Uma palavra para resumir sua carreira de 32 anos como Faísca.

Persistência e acreditar no que faço.

31. Quem faz o Palhaço Faísca rir?

Minha filha Isabella e as crianças de zero a 120 anos.

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