“Casa organizada, mente organizada”. Este é um mantra que acompanha as pessoas que têm contato com técnicas de organização.

Uma pesquisa da Universidade de Navarra, na Espanha, feita para estudar os benefícios da organização no dia a dia, constatou que os participantes cometiam mais erros ao realizar uma tarefa em um ambiente bagunçado do que em um organizado.

Atualmente, um dos maiores nomes da área é Marie Kondo, profissional japonesa que desenvolveu técnicas e métodos de organização pessoal, e hoje tem sua própria empresa, livros e até mesmo uma série na Netflix sobre o assunto.

Onde tudo começou

A bauruense Gabrielle Moura já exercia a função de personal organizer quando era adolescente e trabalhava com a mãe, Dona Cleusa.

A mãe de Gabi fazia faxina e a filha a acompanhava depois do horário da escola. Como não sobrava tempo para a mãe organizar os armários durante a limpeza, essa tarefa ficava com a filha.

Nessa época, ela já sabia que gostava de trabalhar com organização.

Alguns anos depois, em 2014, a bauruense começou a trabalhar em um banco da cidade. O emprego a fez desenvolver depressão e síndrome do pânico, então ela decidiu tomar uma decisão importante: pedir demissão e investir em seu sonho.

Ela pensou: “deve ter uma profissão para isso. Se não tem, eu vou inventar”. Procurando na internet, ela descobriu que se chamava personal organizer. No entanto, não achou muitos conteúdos em português para se aprofundar.

Gabi traduziu uma página em inglês que encontrou e conseguiu ter uma noção melhor do que se tratava. “Eu encontrei um curso de organizador de guarda-roupa, que ensinava algumas técnicas de dobra. Não era o curso profissionalizante, mas fiz mesmo assim e comecei a trabalhar”, conta.

Primeiros passos

Quando saiu do emprego, ela criou sua página no Facebook e convidou amigos e conhecidos. De um dia para o outro, já reunia 400 curtidas.

“Uns dias depois, a TV Tem me chamou para fazer uma reportagem dando dicas de como organizar as roupas para o inverno. No dia seguinte à exibição da matéria, consegui minha primeira cliente como profissional de organização”, conta a bauruense.

Depois disso, Gabrielle começou a crescer na profissão. Pegou o dinheiro que estava guardando de sua rescisão e investiu em um curso profissionalizante. Ela passou uma semana em São Paulo estudando.

No entanto, Gabi sempre teve referências na família sobre concursos públicos. Influenciada pelo pai e pela irmã, ela entrou na Prefeitura de Bauru em janeiro de 2020. “Mas organização é o que eu amo. Nesse período em que fiquei trabalhando na prefeitura, não consegui me desligar dos meus projetos”, explica.

Ela passou pouco mais de um ano e meio trabalhando como concursada, mas mesmo aos fins de semana se dedicava ao seu trabalho com organização.

Gabi pediu exoneração no último mês e voltou para onde acha que nunca deveria ter saído – sua carreira de personal organizer.

Personal organizer por amor

“É um serviço que não exige só a técnica, você precisa gostar. Era isso que eu sentia falta nos empregos anteriores – apesar da estabilidade, eu não tinha esse olhar para o resultado final e aquele orgulho”, comenta Gabi.

A profissional ainda conta que, ao finalizar um projeto, a sensação é de dever cumprido. “Uma coisa que os clientes falam muito, é que eles conseguem retomar as rédeas da casa. Eles podem se organizar, a dinâmica melhora e o dia a dia fica mais rápido”, explica.

Em alguns projetos, Gabi e a mãe ainda trabalham juntas até hoje. É o caso do local onde ela conversou com o Social Bauru, na casa de uma cliente. “Eu faço a indicação dela como passadeira. Ela me ajuda cuidando da casa e eu faço a organização. É uma parceria”, diz.

Além do personal home – que é a organização da casa –, Gabi também se especializou no nicho de mudanças e baby. “Já tive um projeto de escritório, mas não é a minha cara. Eu tive que fazer pra ter certeza que não queria fazer mais”, brinca.

Um dos objetivos de Gabrielle na profissão é desmistificar os achismos que as pessoas têm sobre os profissionais de organização. “Todo mundo acha que é muito caro e que a pessoa vai chegar mandando na casa. Não dá pra inserir a sua regra, tem que ser realmente personalizado”, explica.

Como acontece um projeto de personal organizer?

O trabalho do personal organizer se dispõe em três etapas principais: descarte, categorização e identificação dos espaços. Segundo Gabrielle, essas três técnicas são fundamentais para manter a organização.

Antes de colocar a mão na bagunça, a profissional faz uma entrevista com os clientes para entender a rotina e os espaços que deverão ser organizados. Segundo ela, os lugares mais solicitados são guarda-roupa, closet e cozinha. Se o cliente não tem muito tempo, a conversa acontece já durante a organização.

O resultado depende da rotina da casa e das prioridades da família. “Se eu sei que o cliente acorda e vai para a academia todos os dias, os espaços privilegiados do guarda-roupa serão para roupas de academia”, explica a profissional.

“Se você tem crianças em casa, não dá pra engessar e querer que os brinquedos fiquem dentro da caixa. A casa tem vida, os brinquedos vão ficar espalhados para a criança poder brincar. O negócio é sempre devolver para o lugar”, completa.

Gabi conta que as maiores dificuldades das pessoas na hora da organização são descartar e determinar o lugar de cada item. “Geralmente, a pessoa não sabe por onde começar. Então eu chego e trago essa paz, para ela entender que vai dar tudo certo, que cada coisa vai encontrar o seu lugar”, explica.

Organização para auxiliar na rotina

Com algum tempo de trabalho, a bauruense foi percebendo as particularidades da profissão.

“No começo, eu imaginava que precisava aplicar todas as regras para todos os clientes. Por exemplo, dizem que a dobra de envelopar é a melhor dobra, então eu achava que em todas as casas eu precisava aplicar a dobra de envelopar”, conta Gabrielle.

Com a experiência, ela entendeu que nem todos os clientes se adaptam às técnicas com facilidade. “Já aconteceu de cliente me falar ‘Gabi, eu não tenho nem coragem de pegar minhas calcinhas, porque ficou tão perfeito e eu não consigo manter desse jeito”’, lembra.

Então ela desenvolveu um olhar de maior atenção e compreendeu que seu trabalho deve ser extremamente personalizado. Cada cliente tem seu tempo, sua rotina e suas características, e isso é natural.

“As pessoas têm essa ideia de que a gente vai chegar e jogar tudo fora. Eu tenho que explicar que não é assim”, conta Gabi.

As três etapas

Na primeira etapa, que é a do descarte, Gabrielle dá orientações sobre o que pode ser descartado e só se desfaz de algo se for autorizada pelo cliente. “No descarte, a pessoa tem que estar comigo. No começo pode ser difícil, mas ela vai entendendo a necessidade, porque não precisa de tanto para se sentir satisfeita”, comenta.

Depois disso, está na hora de categorizar os objetos. Na cozinha, por exemplo, todos os pratos ficam juntos em um espaço, e os talheres também têm seu lugar. Já no closet, o ideal é deixar todas as camisetas em uma mesma gaveta e as calças nos cabides.

Como já falamos, a organização vai depender do dia a dia da pessoa ou da família.

Para entender melhor sobre a personalização do serviço, Gabrielle explica sobre um caso que atendeu. “Uma cliente pediu para organizar as peças por tamanho, porque o esposo estava em um processo de emagrecimento. Então eu organizei as roupas das maiores para as menores”, elucida.

Dessa forma, ele poderia saber quais roupas estavam servindo – e onde ficavam – sem precisar se desfazer delas.

Por fim, Gabi imprime e cola uma etiqueta nos espaços para identificar o lugar de cada peça a partir de agora. Assim, todas as pessoas da casa podem ajudar na organização sem se perder.

Organizar a casa para organizar a vida

Ao contrário do que possa parecer, o trabalho de personal organizer não é demorado. Mas é claro que depende da situação e da quantidade de peças.

Ela também explica que ensina para os clientes como fazer a manutenção da organização por conta própria e retorna em alguns meses – ou até mesmo um ano – para realizar um novo trabalho, caso seja necessário.

Gabi lembra que ela não organiza o ambiente da casa, e nem a disposição dos móveis, apenas a parte interna dos armários.

Novos canais

Durante a pandemia, a personal organizer continuou pensando em formas de atingir o público e levar dicas e funcionalidades para a rotina das pessoas.

Ela então criou um ebook, chamado Guia Rápido para Organização. “É um conteúdo bem sucinto que a pessoa vai ler e entender o que ela precisa fazer, por onde começar a se organizar”, explica.

Além disso, ela também começou a publicar vídeos no Youtube, dando sugestões rápidas e tirando dúvidas relacionadas à organização da casa.

Ela completa dizendo que cada vez mais percebe com clareza a importância da organização na vida de seus clientes. “A pessoa precisa se organizar para ter resultados e ambientes mais proveitosos, finaliza.

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Serviço
Gabi Moura Personal Organizer
Contato: (14) 99113-1002
Instagram: @gabimouraorganizer
Facebook: Gabrielle Moura – A Personal Organizer
Youtube: Gabi Moura – Personal Organizer
Ebook: Guia Rápido para Organização

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