Em 2020, o TikTok virou uma febre no Brasil. Eu, como uma boa brasileira isolada em casa, decidi baixar para ver qual era a daquele app que estava todo mundo usando.

Entre conteúdos de diversos tipos, as “dancinhas” também apareceram na minha for you – que é a timeline do TikTok. Então acabei seguindo alguns influenciadores (sim, eu estou revelando que aprendi algumas coreografias), entre eles a Laura Ikegami.

 

@laura.ikegamiHannah Montana é tudo pra mim♬ original sound – 🎀 jó¡ค♡Lima🎀

Mas algo me chamou atenção: algum detalhe nos cenários em que ela gravava me parecia bem familiar. Bom, aí eu olhei com calma e percebi que a rodovia que passava atrás dela em um dos vídeos era a Marechal Rondon – a Laura mora aqui em Bauru!

Hoje, ela soma mais de 300 mil seguidores no TikTok e tem vídeos dançando vários ritmos musicais diferentes. Alguns vídeos dela têm mais de um milhão de visualizações! Além disso, a Laura também é instrutora de FitDance. Ou seja, dançar também é sua profissão.

E é claro que eu quis bater um papo com ela sobre como é esse paralelo entre o trabalho e a criação de conteúdo para a internet.

Há quanto tempo você trabalha como instrutora de dança? Como você começou?

Sou instrutora desde 2020. Eu descobri o FitDance em 2018, quando estava afastada das aulas de dança e sentia muita falta de dançar. Estava fazendo academia e fui experimentar essa aula pra ver o que era. Me apaixonei de primeira, porque eram ritmos muito diferentes dos que eu estava acostumada.

Eu já tinha feito aula de jazz, balé, sapateado, dança contemporânea e street dance, e o FitDance vem com ritmos de funk, axé, pagode e sertanejo.

Eu acabei me destacando nas aulas e uma colega que já era instrutora me perguntou se eu não queria fazer o curso para ser instrutora também. Como eu sempre gostei muito, decidi fazer o curso. Passei e desde então trabalho com isso.

Há quanto tempo você produz conteúdo para a internet? Começou já com o TikTok ou já fazia antes disso em outros aplicativos?

Eu comecei a produzir conteúdo para a internet em 2020, um pouco antes do auge da pandemia. Já comecei no TikTok, porque um amigo me disse que era um app que já estava crescendo e fazia muito sucesso lá fora.

Eu não entendia muito bem o que era o TikTok, achava até meio vergonhoso, mas ele me mostrou a parte de dança e eu achei interessante.

Então eu participei de um concurso em que precisava fazer um vídeo dançando. Gostei desse vídeo, uma amiga me ajudou, outra participou e esse foi o primeiro vídeo que eu postei no TikTok. Ele bateu 1000 visualizações. Mas no começo não era frequente, eu gravava muito pouco.

Hoje você tem mais de 300 mil seguidores no TikTok. Foi um crescimento que aconteceu aos poucos ou você teve um vídeo especial que viralizou e te trouxe muitos seguidores?

Foi acontecendo aos poucos. Eu tive alguns vídeos virais que me trouxeram muitos seguidores, mas nenhum específico que deu um grande “boom”.

As “dancinhas” ganharam bastante força com as redes sociais, especialmente TikTok e Reels. O que você acha disso? Acha que é uma desvalorização da profissão ou um incentivo para novos profissionais?

Eu acho que essa é uma pergunta muito boa para ser discutida. O TikTok abriu portas para muitos profissionais da dança, e eu mesma tive contato com vários dançarinos por meio do TikTok. Mas tem que tomar cuidado para não haver desvalorização.

Por exemplo: uma influenciadora estava ensinando passinhos do TikTok e um deles veio do hip hop. Ela não sabia o nome e disse que ia inventar, já que ela não sabia. Ela desvalorizou a dança, o passo e a história, e isso influencia as pessoas que veem.

Por outro lado, já vi vários influenciadores que ensinam os passos com os nomes certos, e isso é muito legal de se ver. É um assunto que dá para ser muito discutido, tem várias coisas para abordar.

Pode ser um incentivo para novos profissionais, até porque você está mostrando seu trabalho para várias pessoas, mas tem que tomar cuidado. As dancinhas tem um objetivo de diversão, entretenimento, não têm técnica ou estudo, até porque muitas delas são criadas por pessoas que nunca tiveram contato com a dança profissional. Então é isso, é saber separar.

Você acha que um profissional da sua área, atualmente, precisa estar presente nas redes sociais criando conteúdo ou não necessariamente? Esse reconhecimento fez diferença para você?

Eu não acho que um profissional da dança precisa criar conteúdo nas redes sociais, mas, se você souber usar, ela vai te ajudar bastante. Por ter um alcance maior, seu trabalho é mais divulgado e mais pessoas conhecem.

Esse reconhecimento já me fez ser notada pela Redbull. Eles escolheram três criadores de conteúdo e eu fui uma delas, nós fizemos uma live. Foi muito surreal! É muito louco o que a rede social pode proporcionar.

Alguém já te procurou para fazer uma aula dessas “dancinhas” do TikTok?

Sim! Mas não é muito frequente, até porque no TikTok tem vários tutoriais. O pessoal procura mais pelo FitDance.

Qual é a faixa etária mais atingida pelo seu conteúdo? Quais são os benefícios da dança em todas as fases da vida?

O TikTok não disponibiliza a faixa etária dos meus seguidores, mas eu recebo comentários de crianças de 10 anos até jovens de uns 20, 30 anos.

A dança tem vários benefícios, tanto para a saúde física quanto para a mental. Estimula o ganho de massa muscular, melhora o condicionamento físico, tonifica os músculos, e o que eu acho mais legal é o ganho de consciência corporal.

 

@laura.ikegamiTentando viralizar minha dancinha 😋 ##anitta ##banganitta ##anittabang♬ Bang – Anitta

Os benefícios mentais, ao meu ver, são os maiores. A dança ajuda na memória, porque a gente tem que decorar sequências e coreografias, traz sensação de bem-estar, aumenta a autoestima e reduz o estresse.

Quando eu danço, esqueço todos os meus problemas, me jogo mesmo. É uma válvula de escape.

Na dança a gente também tem a interação social. É muito legal conversar com pessoas que estão ali pelo mesmo objetivo que você, é um momento muito gostoso e você tem a sensação de pertencimento.

E você que está lendo, aprendeu alguma dancinha que viralizou nas redes sociais? Acompanhe o trabalho da Laura no TikTok e Instagram.

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