O NFT (Token não fungível) surgiu como uma oportunidade para os artistas digitais. Como a tecnologia de certificação por meio de blockchain garante a originalidade de obras artísticas, ela funciona como um certificado de autenticidade e aumenta o valor das artes.

Por isso, apesar de ter se transformado em um mercado de especulação atualmente em crise, para os artistas, o NFT é uma forma de simular a venda de quadros físicos. Ou seja, eles conseguem comercializar os trabalhos seguindo a lógica da escassez, na qual a obra original tem um custo maior do que as cópias.

Considerando a facilidade para replicar artes digitais, ter uma tecnologia que permite indicar qual obra é a original fez os colecionadores do meio artístico se movimentarem em busca da exclusividade.

Casal lança NFT

Moradores de Bauru, o casal Shirley e Oliver Reinis, fundadores do estúdio ReinisCouple, é especialista em fotografia surreal/conceitual, foto manipulação e fine art. Recentemente, a dupla começou a vender trabalhos como NFT.

Arte em NFTCountry Life da coleção AlienX (foto: ReinisCouple)

“Ouvimos falar sobre essa tecnologia pela primeira vez no final de 2019, e achamos um conceito interessantíssimo para vendermos nossa arte. Depois de muito estudo, lançamos nossas primeiras coleções no Hic et Nunc, um dos primeiros marketplaces de NFT, que foi criado por brasileiros”, relembra a fotógrafa.

Além deste site, eles também disponibilizam obras pelo reiniscouple.space ou por outros marketplaces, como o OpenSea, Foundation e Rarible. 

Arte em NFTRio Colorido (foto: ReinisCouple)

A última coleção produzida para a venda usando a tecnologia chama-se ‘Alien X’, apenas com obras que se iniciaram a partir de fotografias feitas em Bauru. Essa coleção conta com 24 trabalhos no total, que terão três lançamentos de 8 obras cada. As primeiras foram divulgadas no dia 11 de maio.

Arte em NFTThe Portal (foto: ReinisCouple)

Para o casal, o mercado de arte como NFT é ótimo para os artistas. “[Podemos] se empoderar no processo de venda das obras, e atingir o mercado mundial. Desde lá, só crescemos. Este ano chegamos a 26 colecionadores das nossas obras, no mundo todo. Já vendemos obras para o Brasil, Estados Unidos e até Finlândia”, comenta Shirley.

Somado às vendas, os Reinis também conquistam reconhecimento no mercado de NFT. Eles foram capa da edição de maio da revista digital The Assets Times, uma publicação recém-lançada e especializada na tecnologia.

Capa da revista The Assets Time (foto: Reprodução)

Token social do criador

Complementando o NFT, Shirley e Oliver também lançaram o Token social de criador, formato ainda pouco utilizado por artistas no Brasil. O termo indica um tipo de economia baseada na propriedade digital, no qual as pessoas adquirem criptomoedas ligadas a organizações ou pessoas, e podem ganhar recompensas.

Todos os compradores de NFTs do estúdio se tornam colecionadores e ganham automaticamente mil $REINIS, nome do Token social deles.

Arte em NFTNow da coleção AlienX (foto: ReinisCouple)

Os portadores dessas moedas digitais têm acesso a lançamentos prévios das novas coleções a preços especiais, conteúdos exclusivos e terão, futuramente, acesso a uma área exclusiva no site.

Em breve, eles também devem lançar uma DAO (Organização Autônoma Descentralizada), que funciona como uma entidade participativa na qual os integrantes podem apresentar ideias e votar nas sugestões dos demais. 

Arte em NFTThe Return da coleção AlienX (foto: ReinisCouple)

A DAO do ReinisCouple permitirá que os membros opinem sobre coleções, formatos, exposições, preços das obras e, até mesmo, que apresentem sugestões para novas coleções. “Com isso criamos uma forma moderna de troca de experiências entre os artistas e os colecionadores. É uma espécie de mecenato moderno”, comenta ela.

Estúdio em conjunto

Hoje trabalhando em conjunto, o casal entrou na fotografia em momentos bem diferentes. Oliver Reinis começou cedo, aos 22 anos, após criar o site Maresias Online, com fotos de surf e da vida social da área.

Oliver Reinis (foto: Divulgação)

Já para Shirley, a fotografia veio como um hobbie em 2007, quando tinha 33 anos. Na época, completava 10 anos de carreira como advogada e teve um tumor cerebral. Fez cirurgias, se curou, mas teve sequelas que a impediram de seguir a carreira jurídica.

Shirley Reinis (foto: Divulgação)

“Encontrei na fotografia uma motivação, uma ferramenta de recuperação, um hobbie e em seguida minha profissão”, enfatiza a artista, esclarecendo também como foi uma forma de se conectar com o marido.

“Para nós dois a fotografia é um trabalho e um imenso prazer ao mesmo tempo. Como o Oliver ainda advoga até hoje, é na fotografia que ele descansa a mente também. A fotografia nos une como casal. Amamos estar juntos, discutir os temas, as coleções, as fotografias, tudo”, conclui.

Fotografia e arte digital

Uma olhada no portfólio do ReinisCouple mostra a variedade dos estilos e ilustra a especialização em fotografia surreal/conceitual, foto manipulação e fine art. 

Feitas todos em conjunto, é possível ver as fotografias realistas com luz natural e espontaneidade e também cenários alterados digitalmente e com aplicação de elementos de desenho.

“Realmente, misturamos tudo!”, resume a fotógrafa. “É difícil definir. Eu diria que é uma arte que segue o caminho da arte conceitual, de uma forma bem livre. Começamos pelas fotos, mas sentimos que queríamos inserir mais da nossa personalidade, das nossas inspirações no momento da execução da obra”.

Dessa forma, eles produzem os trabalhos mais tradicionais de fotografia e também fazem arte digital. Nesses casos, de aspecto “futurista e surreal”, o trabalho de campo se mistura à criatividade. Eles contam como funciona o processo de criação dessas obras: saem juntos, cada um com a própria câmera, e procuram cenários que sirvam de base para contar uma história.

Diary 001 (foto: ReinisCouple)

The New Normal da coleção AlienX (foto: ReinisCouple)

“Então quando vemos um ambiente, já imaginamos uma nave, ou uma degradação estilo fim dos tempos, ou esse lugar em outro planeta, ou com outros seres”, exemplifica a fotógrafa. “Ou seja, eu arriscaria dizer que temos um estilo moderno e livre. Usamos qualquer recurso que esteja a nosso alcance para expandir e exercitar nossa criatividade”.

Masterchef, SP-Arte e galeria

A trajetória do casal também demonstra a diversidade no repertório. Dois dos principais trabalhos foram fotografar o Masterchef, em 2021, e o Rolex Ilhabela Sailing Week, evento de vela em Ilhabela.

Além disso, os dois já realizaram projetos de fotografia boudoir, “um trabalho interessante, porque mexe com a autoestima da pessoa, comenta Shirley, e outro para registrar a cultura do skate bauruense e da região – disponível no Instagram @bmag.me.

Recentemente, os dois expuseram obras no SP-Arte, por meio de um convite da galeria Kogan Amaro. “Levamos a peça ‘Rainbow Factory’, que foi desenvolvida a partir de uma foto que produzimos da nossa varanda, aqui em Bauru”, comenta a artista.

Arte em NFTRainbow Factory exposta no SP-Arte (foto: ReinisCouple)

“Foi uma honra, uma alegria muito grande. Produzimos nossa arte com paixão, e é maravilhoso vê-la ser notada por uma galeria tão importante, valorizada e exposta na maior feira de arte do hemisfério Sul. É difícil descrever como é gostoso ver que nossos “bebês”, nossas obras, são apreciadas!”, diz ela.

Para conhecer o trabalho deles, basta entrar no reiniscouple.space ou na plataforma Behance. O casal também possui uma exposição virtual do trabalho Alien X.

Arte em NFTCoundtdown da coleção AlienX (foto: ReinisCouple)

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