Clarice Lispector (1920-1977) foi uma das maiores escritoras do Brasil. Nascida na Ucrânia e refugiada com a família no país, ela escreveu mais de 30 livros – entre romances, contos e outros gêneros – e nos legou clássicos como ‘A Hora da Estrela’, ‘A paixão segundo G. H’. e ‘Perto do coração selvagem’.

A trajetória como escritora começou com envio de textos para suplementos literários. Oficialmente, a carreira inicia com o lançamento nacional do conto ‘Triunfo no semanário Pan’, em 1940.

Clarice LispectorClarice Lispector (foto: Maureen Bisilliat/Wikimedia Commons)

Além de autora de livros e contos, Clarice também atuou como jornalista, entrevistadora, cronista e colunista. No final dos anos 1960, ela intensificou a participação em jornais, quando passou a atuar como colaboradora no Jornal do Brasil, no Correio do Povo e no Jornal da Cidade, aqui de Bauru.

Jornal da Cidade

Em Trabalho de Conclusão de Curso do Unisagrado, o jornalista Vinícius Bonafé fez uma análise das colunas dominicais da Clarice Lispector no Jornal da Cidade.

Segundo ele, foram 30 textos – sendo oito de publicação original no JC – escritos pela autora, entre 15 crônicas, 13 contos, uma resenha e um perfil, publicados entre 3 de outubro de 1971 e 30 de abril de 1972.

Coluna de Clarice Lispector no Jornal da Cidade (foto: Reprodução/TCC de Vinícius Bonafé)

Nessas produções, Clarice escreveu sobre a própria trajetória, refletiu sobre as artes, antecipou clássicos e aproveitou para exercer a criatividade de autora com a produção de contos. Temas presentes nas obras dela fizeram parte nesse período, como a animalidade e a cosmogonia.

Com isso, ler as colunas é também conhecer mais sobre Clarice. “Ao final de cada leitura, a impressão é a de que se termina um breve capítulo de uma biografia não autorizada”, escreveu Bonafé, em matéria no Jornal da Cidade.

Coluna de Clarice Lispector no Jornal da Cidade (foto: Reprodução/TCC de Vinícius Bonafé)

Análise dos textos

Dessa forma, as reflexões foram temáticas presentes nas colunas, como em ‘Carta sobre Maria Bonomi’, ‘De Como Evitar um Homem Nu’, ‘Fugir com o Circo’ ‘Dança Estranha’, na qual fala sobre diferentes formas artísticas, e em ‘Cérebro Eletrônico’ e ‘Refúgio’, em que aborda a sociedade.

A presença de Clarice nas linhas também é perceptível nas leituras dos textos. Em ‘Córdoba’, ‘As Pontes de Londres’ e ‘Minha Próxima e Excitante Viagem pelo Mundo’ falam sobre viagens, enquanto ‘Perfil de um Ser Eleito’, ‘Morro de Pena de Meus Personagens’, ‘O Pianista’ e ‘Uma História Estranha e Inacabada’ abordam a trajetória de escritora.

Clarice LispectorClarice Lispector e Tom Jobim (foto: George Gafner/Wikimedia Commons)

Outro aspecto interessante nas produções são os contos, que ampliam a bibliografia da escritora. Ou seja, ela também aproveitou o espaço nos jornais para exercer o talento na ficção, como em ‘A Antiga Dama’, ‘Destino’ e ‘Verão no Baile’.

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