“A arte traz a vontade da gente querer permanecer naquele espaço”, afirma a artista plástica bauruense Sophia Bortoletto, 27.

É com formas orgânicas e abstratas que ela leva tons de azul e verde para dentro de casas, escritórios e demais espaços. Ali, a intenção é proporcionar conforto e tranquilidade, assim como as plantas são capazes de promover dentro dos ambientes.

“Estamos colocando muitas plantas dentro de casa, mas elas precisam de manutenção. Então, quando você coloca um quadro verde, você não precisa irrigar o quadro, por exemplo, e ele traz essa sensação de natureza para dentro de casa”, informa Sophia, que também é arquiteta.

Com aspectos do paisagismo, área que combina elementos da natureza com componentes arquitetônicos a fim de melhorar os espaços, Sophia confecciona telas, murais, móveis e até cachepôs com as manchas orgânicas.

 

Ver esta publicação no Instagram

 

Uma publicação partilhada por Sophia Bortoletto (@sophia.bort)

Dentre as inspirações, está a natureza presente nas obras de Burle Marx, artista plástico e paisagista brasileiro.

Sophia Bortoletto olha tapeçaria do paisagista e arquiteto Roberto Burle Marx exposto no Salão Negro do Congresso Nacional. (Imagem: arquivo pessoal)

O “boom” do paisagismo durante a pandemia

Foi durante a pandemia que Sophia começou a pensar nas obras enquanto um elemento do design de interiores, já que, por conta do isolamento social, mais pessoas começaram a ficar dentro de casa e dedicar atenção a esses ambientes.

Os tons abordados nas obras da artista e arquiteta se baseiam nas sensações que ela procura cultivar nos locais. O azul, como alusão à água e suas propriedades curativas, é sinônimo de tranquilidade e ternura, ao passo que o verde complementa a composição trazendo natureza e conforto.

“Eu vejo o quadro como um elemento. Um elemento do projeto de interiores. Não enxergo eles como algo que estará em uma exposição de arte, mas sim como algo que estará na casa das pessoas”, informa. “Por isso eu quis tirar um pouco da forma e ir para o abstrato. Não quero mensagem, não quero um lado. Eu quero trazer a cor, complementa a arquiteta.

Assim, por meio da assemblage, termo francês usado para definir que todo e qualquer material pode ser incorporado a uma obra de arte, ela une tinta acrílica, tinta metalizada, plantas artificiais, pompons, papéis, pedras e até musgo em uma única obra.

Da arquitetura, quero o belo

Sophia Bortt, como assina as obras, sempre gostou de pintar. Ela era criança quando se encantou pelo mundo artístico graças a uma vizinha hippie, “super excêntrica”, como lembra, e que reformava móveis enquanto ouvia músicas do Woodstock.

Com essas inspirações, a bauruense começou com desenhos ainda quando pequena. Aprimorou técnicas e foi para a pintura. Até que entrou na faculdade de arquitetura, onde se formou em 2019 e se dedica à profissão desde então, com projetos residenciais e comerciais.

Entretanto, dos três princípios básicos da arquitetura, firmitas, utilitas e venustas, Sophia busca no terceiro a forma de conciliar as duas profissões, de artista e arquiteta.

“A arquitetura tem três pilares. Firmitas que é, basicamente, a ‘engenharia civil’ presente na edificação, a utilitas que aborda a funcionalidade do espaço planejado e a venustas, que é a beleza estética”, explica. “A beleza fica por último e é o que dá a vontade de permanecer naquele lugar. Espaço construído a gente tem um monte, agora, a vontade de estar naquele lugar é diferente. Pra mim, a arte e o paisagismo são formas de fazer com que a pessoa queira estar no local., complementa.

Exposições ao público

No final de março, Sophia apresentou a exposição “Ciano” no Centro Cultural “Acesso Popular”. Na quadra 15 da Araujo Leite, a artista reuniu as obras abstratas e figurativas, produzidas entre 2015 e 2020, para apresentar aos bauruenses.

Até o dia 30 deste mês, os quadros estão expostos na Casa Autoral, loja colaborativa situada na Av Nossa Senhora de Fátima, 11-53, Jardim América. Entretanto, para além das exposições esporádicas, também é possível acompanhar o trabalho da artista por meio do perfil @sophia.bort ou pelo site www.sophiabort.com.

 

 

 

Compartilhe!
Carregar mais em Cultura

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verifique também

Museu virtual e independente abre chamada para artistas de Bauru e região

Estão abertas as inscrições para participar do Museu Bioma, museu virtual destinado à arte…