Observe os detalhes dessa ilustração digital: traços finos, linhas retas, curvas evidentes, cores simples e sombras bem marcadas. São desenhos feitos com a técnica da arte vetorial, que significa a criação visual por meio de um software – por exemplo, o Illustrator.

Arte vetorial

Isso faz com que a arte seja fácil de ser alterada e escalável, ou seja, a obra pode alcançar qualquer tamanho sem distorções, ao contrário de uma foto ou uma pintura digital. “[Essa técnica] é muito utilizada para criar marcas, mas eu resolvi me aperfeiçoar nela para produzir ilustrações”, diz a artista bauruense Vivian Maria, conhecida como ‘Vienix’ e especialista em arte vetorial.

Assim, explica a ilustradora, esse estilo é uma opção à pintura, técnica mais comum nas artes digitais. Nesse caso, o artista desenha em um software para fotos – como o Photoshop – e usa a ferramenta ‘Pincel’ para simular o que se faz no papel. É replicar a técnica das artes plásticas no meio digital.

Já a arte vetorial é a construção do desenho no computador a partir da junção de pontos, linhas, cores, formas geométricas e nós como ponto de controle.

Por isso, Vienix até inicia as produções de maneira ‘analógica’. “Eu começo no papel, faço em um caderninho ou em algumas folhas soltas. Eu sempre procuro exercitar esse tradicional”, conta. Entretanto, é no software de ilustrações que o esboço se transforma em arte.

Faculdade de Design

Antes de entrar na arte vetorial, ela não imaginava nem ir para a criação visual. A ideia inicial era fazer faculdade na área de tecnologia, quando estudava programação no Colégio Técnico Industrial (CTI).

O rumo mudou depois de uma aula de criação de sites no CTI. Mais do que programar a página, o que ela mais gostou foi de criar visualmente o site, considerando que o desenho já era um hobby. “Eu acabei pensando: por que não sigo com o que eu gosto? Decidi fazer design na Unesp faltando um mês para a prova [avaliação técnica para entrar no curso]”, comenta.

Na faculdade, especificamente no segundo ano, começou a arriscar uns desenhos. “Eu via muitos colegas ilustrando, e eu achei que seria legal eu talvez tentar fazer também. Nesse meio tempo, acabei explorando como era desenhar no computador, e entrei na arte vetorial”, relembra.

Hoje trabalhando com marketing digital, a ilustração tornou-se quase um hobby profissional. “É o meu tempo pra mim mesma”, enfatiza, contando como está constantemente em busca de aprimorar a técnica. “Então, é algo descontraído, mas que eu me doo bastante. Eu tenho muito carinho pelas minhas ilustrações”.

Produzindo arte vetorialIlustração é finalizada no computador (foto: Divulgação)

Arte de fã

Um dos caminhos de produção em arte vetorial foram as fanarts – obras criadas por fãs, baseadas em personagens da ficção ou personalidades. “É uma ilustração do personagem com meu estilo, ou seja, como eu enxergo ele. Seria realmente quase uma releitura do personagem”, explica.

Dessa forma, a paixão é usada para expandir o universo do qual é fã. Além disso, diz a artista, é também uma forma de aprimorar a técnica, já que a ilustração precisa de um estudo do personagem para entender as características e imaginar como ele pode ser representado.

Nesse sentido, ela acha interessante desenhar até personagens que ela não conhece, pelo desafio de conhecer novos contextos. “Eu vou lá assistir ao filme e série, ou jogar o jogo para conhecer o personagem. Então, para mim, é uma expansão de horizonte. Um personagem em uma narrativa diferente do que eu costumo abre muito espaço para as ilustrações, diz ela.

Com fanarts, ela conseguiu reconhecimento. Um dos projetos, baseado em personagens de League of Legends, foi publicado pela Riot Games (produtora do jogo) em fóruns oficiais e versões brasileiras das redes sociais.

The Runeterra Tarot

Como ilustradora, o principal trabalho de Vienix é o ‘The Runeterra Tarot’, no qual ela desenhou 22 cartas de tarô. Parte do trabalho de conclusão do curso de design, o projeto é resultado de uma longa pesquisa que surgiu da ideia de unir dois interesses: League of Legends e a estética do baralho esotérico.

O desafio foi combinar os detalhes do personagem do jogo com a história das mensagens do tarô. Dessa forma, as poses foram pensadas para passar a emoção de cada carta, o que exigiu um processo de estudo de referências.

Ela já vendeu cartas avulsas e o baralho inteiro. Agora, a ideia é voltar para os estudos e desenvolver mais cartas. Isso porque o baralho tradicional de tarô tem 78 cartas, e o objetivo dela é oferecer o pacote completo.

“Eu vivo falando que é o projeto da minha vida, porque era um sonho que consegui colocar no papel”, exalta. “Por isso, já estou dando continuidade nele, apesar de ser um projeto extenso. Eu acho que vale a pena. É um projeto que me garantiu um certo reconhecimento, e me cobraram uma continuação!”.

Outros projetos

Além do tarô, Vienix trabalha com outros projetos pessoais. Os principais são os retratos personalizados e os produtos com ilustrações, como os mousepads. Nos planos, a artista quer imprimir as artes digitais em canecas e camisetas.

Para conhecer mais a obra da artista, acesse o site ou o portfólio.

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