Novo filme renova a franquia e deixa um fôlego para o futuro

Um filme despretensioso de 1968 protagonizado pelo eterno Charlton Heston se desenrolava em uma franquia, ou melhor, duas franquias (e um remake) em pleno 2024 seria uma das melhores surpresas do ano. Aqui estamos com o novo Planeta dos Macacos: O Reinado, quarto filme desde o reinício da saga, lá de 2011, ganhou potência pelos excelentes trabalhos de Matt Reeves e agora pelas mãos do diretor Wes Ball. Que apesar de não ter nenhuma ligação direta, sugiro você ter visto os três filmes anteriores, afinal, a história realiza um salto no tempo após a conclusão da Guerra pelo Planeta dos Macacos. Muitas sociedades de macacos cresceram desde quando César levou seu povo a um oásis, enquanto os humanos foram reduzidos a sobreviver e se esconder nas sombras.

Apesar de ser responsável pela segurança da nova geração de primatas evoluídos, muitos não conhecem os feitos de César. E é neste novo cenário que um líder macaco começa a escravizar outros grupos para encontrar tecnologia humana, enquanto um jovem macaco, que viu seu clã ser capturado, embarca em uma viagem para encontrar a liberdade, sendo uma jovem humana a chave para todos.


Foto: Reprodução

A ideia de transformar César em um mito é de uma grande sacada, afinal o eixo messianico e de como ele é interpretado pelas gerações futuras é uma clara analogia à religião nos tempos atuais. A interpretação de um grupo a respeito de um mito pode ser facilmente corrompido. Afinal, quem contempla, por muitas vezes, não entende o que de fato é verdade. Acho que o roteiro poderia explorar mais este conceito, a ideia é boa, mas acabou ficando um pouco solto no decorrer, principalmente do terceiro ato.

Se os dois primeiros atos são incríveis, o terceiro peca pelo excesso, excesso de clichês e dá fácil resolução. O roteiro levanta inúmeras possibilidades, mas acaba finalizando do jeito mais genérico e previsível possível. Isso se dá pela personagem humana da história. Em um determinado momento, ela parecia ser uma “coisa”, mas no decorrer ela vai para um outro patamar que muda tudo. Eu confesso, que criei uma certa expectativa. Parecia que ela seria um símbolo do personagem lá no primeiro filme da série clássica, mas a rota mudou o percurso e ela acabou sendo um “qualquer coisa”. Eles levantaram uma possibilidade lá no Planeta dos Macacos: A Origem, 2011 (primeiro desta fase) e que no fim, parece que ficou no esquecimento. Seria um fechamento incrível, afinal desde esse filme tem alguns astronautas perdidos no espaço… Referências para quem é fã da saga.

Foto: Reprodução

Diferentemente dos três filmes anteriores, aqui o cenário é mais contemplativo, até pela passagem de tempo e mudança dos ambientes. As animações e a dublagem estão perfeitas, você fica imerso do começo ao fim.

De todos, esse é o filme mais “animal”, praticamente sem nenhum personagem humano, o que em certos momentos dá uma cara de O Rei Leão “live action” da Disney. Mas os efeitos continuam incríveis e a capacidade da realidade é absurda.

A mudança de direção é bem visível, Matt Reeves deixou um legado bem pesado, mas nada que não fosse bem aplicado aqui. De novo, com exceção do terceiro ato, o filme era 10/10. O vilão principal, tinha tudo para ser icônico, todo o contexto dele ser inserido e de como o desenrolar o coloca em uma posição de rei. Mas como eu disse acima, a ideia de trabalhar o lado messianico e o legado do César acabou se esfarelando na parte final.

Por um outro lado, esse filme abriu um caminho bem promissor para uma continuidade da saga, que pelo caminhar, temos uma nova saga em processo. Noa tem condições de se tornar um grande protagonista desta nova fase. E filmes desta saga não faltam.

Foto: Reprodução

Filmes clássicos e a versão de Tim Burton

Entenda as divisões da franquia Planeta dos Macacos e veja em quais plataformas de streaming seus títulos estão disponíveis. Baseado em um romance francês, Planeta dos Macacos, primeiro longa-metragem da franquia, chegou aos cinemas em 1968.

Desde então, mais oito filmes da série já foram lançados, entre sequências, remakes e reboots da trama.

Para quem quer maratonar os filmes, mas não sabe por onde começar e nem como funcionam suas divisões. Abaixo a ordem da franquia Planeta dos Macacos e em quais serviços de streaming suas produções estão disponíveis.

Filmes clássicos:

  • Planeta dos Macacos, 1968 – Franklin J. Schaffner | Star+ e Disney Plus
  • De Volta ao Planeta dos Macacos, 1970 – Ted Post | Star+ e Disney Plus
  • Fuga do Planeta dos Macacos, 1971 – Don Taylor | Star+ e Disney Plus
  • A Conquista do Planeta dos Macacos, 1972 – J. Lee Thompson | Star+ e Disney Plus
  • Batalha do Planeta dos Macacos, 1973 – J. Lee Thompson | Star+

Série clássica que se iniciou em 1968, é um clássico do cinema e tem um dos finais mais surpreendentes da história do cinema. Acompanhamos o início, ascensão e a queda. Em todos os aspectos, acompanhamos a lenda do César nascer e encerrar no último filme. Personagens marcantes como Cornelius, Zira e Dr. Zaius. Charlton Heston participa dos dois primeiros. Mas a história vai piorando e a produção vai ficando mais simplória. A Batalha do Planeta dos Macacos é bem ruim. A franquia ficou no esquecimento, por fim, apenas o primeiro filme conseguiu se manter na cultura pop.

Reboot ou remake nas mãos de Tim Burton:

  • Planeta dos Macacos, 2001 – Tim Burton | Star+

O filme que prometia renovar e rebootar a franquia, dirigido por Tim Burton e estrelado por Mark Wahlberg, Tim Roth e Helena Bonham Carter chegou aos cinemas em 2001, no auge artístico e popular do diretor. Apesar da produção ser impecável, A MAQUIAGEM DO TIM ROTH É UMA SACANAGEM ATÉ HOJE. Visualmente o filme funciona, mas é uma grande salada de tudo. O roteiro não sabe se ele quer contar uma história nova ou repetir a anterior, mas não conseguiu ser um e nem outro e tem um dos finais mais errados de todos os tempos. O filme foi um fracasso de crítica e de público e ficou no esquecimento.

Um novo começo:

  • Planeta dos Macacos: A Origem, 2011 – Rupert Wyatt | Star+
  • Planeta dos Macacos: O Confronto, 2014 – Matt Reeves | Star+
  • Planeta dos Macacos: A Guerra, 2017 – Matt Reeves | Star+

Confesso que depois do que foi o filme do Tim Burton, achei que essa franquia jamais conseguiria voltar aos holofotes de forma positiva. Em 2011 chegava aos cinemas uma história nova, e agora com um novo contexto. O objetivo era contar a origem de tudo, estrelado pelo James Franco e diferentemente de tudo, o filme não optaria pela maquiagem tradicional, mas sim, pela computação gráfica, e neste aspecto, funcionou muito bem, afinal, a captação de movimentos do César era realizada pelo Andy Serkis. O filme é bacana e fez um sucesso relativamente bom, afinal, conseguiu colocar elementos da franquia clássica e “explicou” o início de tudo.

Com o sucesso, tivemos mais dois filmes, pela direção de Matt Reeves, O Confronto, 2014 e A Guerra, 2017 são duas obras primas. Filmes intensos, recheados de ação, mas sempre com camadas de interpretação e metáforas sobre a humanidade. Os dois filmes destoam bastante do primeiro, e alavancaram a carreira de Reeves, se tornando um dos diretores mais respeitados do cinema, não à toa, ele está à frente do novo universo do Batman nos cinemas. Particularmente, Planeta dos Macacos: O Confronto é o meu favorito.

Planeta dos Macacos de 68 foi um retrato de sua era, histórias com viagem no tempo, ogivas nucleares e uma sociedade em colapso. Desde de seu reboot, o foco agora é no sentimento humano. Seja em um macaco ou humana, o sentimento e a sensibilidade humana estão lá. Planeta dos Macacos: O Reinado é o mais fraco desta nova fase. Levanta inúmeras ideias, tiveram a oportunidade de fazer um link com a saga clássica, mas optaram por algo novo. O que é bom, na verdade. O filme trouxe um novo fôlego, mas tenho minhas dúvidas se ele se manterá ativo para uma continuidade. Acredito que vá fazer sucesso, mas a falta de uma finalização me traz uma sensação de franquia infinita e se tornar um Velozes e Furiosos ou Transformers.

Planeta dos Macacos: O Reinado, 2024
Veredito: 4/5
Onde assistir: Nos cinemas
Diretor: Wes Ball
Agregador no Rotten Tomatoes: 85%
Avaliação IMDB:7,4/10
O Reino do Planeta dos Macacos | Trailer Final | 20th Century Studios

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