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Ilustração: Marina Wang / Coletivo Boitatá

Hoje resolvi aproveitar este espaço para fazer a advogada daquele que muitos julgam indefensável: o Sol de Bauru. Pois é: eu adoro o sol dessa cidade! Moro aqui desde 2005, quando me mudei de São Carlos para cursar Jornalismo na UNESP. Como grande partes dos recém-chegados que vieram de cidades mais fresquinhas, uma das primeiras adaptações necessárias foi em relação ao clima da cidade.

Essa adaptação ao clima bauruense acabou sendo muito fácil para mim. Lembro que, com 17 anos, o clima quente me deu coragem para vestir, pela primeira vez, uma minissaia. Na época eu era mais tímida e reservada, mas, juro: com esse calor de Bauru, só queria saber de desfilar por aí com os cambitinhos de fora. O que era motivo de reclamação para muitas pessoas foi o que me encorajou a mudar algumas posturas, a me ver com outros olhos, era o que me motivava e me dava energia. Aprendi a amar o verão!

Muito mais do que a estação das minissaias, o verão se tornou para mim a temporada de sair com roupas mais confortáveis durante a noite, de andar o fim de semana inteiro de chinelo, de sentar na mesinha de fora do bar e ficar horas trocando ideias com gente querida, só com o pretexto de “refrescar do calor”. Passei a amar o verão por causa dessa sensação de liberdade, de não ter nada que te impeça de fazer o que quer que seja. Hoje vejo que, no fim das contas, tudo isso acabou tendo um significado especial devido a esta fase da minha vida: fase de olhar pra si, de se conhecer e de vislumbrar um mundo de possibilidades pela frente.

É claro que o Sol também castiga. Afinal, a vida é feita de dualidades. Minhas sardas que o digam! Mas, como boa seguidora da filosofia do copo meio cheio, preciso dizer que até estas marcas são apenas lembretes de uma fase de construção. E construir com 35 graus na sombra não é mole, não! Foram anos e anos caminhando sob o Sol bauruense (às vezes sob chuva, também) para estar lá, a postos para o trabalho e para tudo o que me levaria para a realização pessoal e profissional. Vem o suor, mas também vem a água fresca no rosto! No meu segundo RG, lá estou eu toda bronzeada na foto. É o registro das muitas jornadas que já trilhei nesta cidade.

Falando em simbologias, não poderia deixar de lembrar que o Sol carrega muitas delas, como a criatividade, alegria e vida. E não é que o Sol dá mesmo um show artístico todos os dias quando chega a hora de ele se recolher? O Sol do Noroeste Paulista faz questão de dar um espetáculo diferente a cada dia, criando cenários de cores compostas e texturas que nunca se repetem, mas sempre conseguem deixar qualquer um embasbacado. Parece até que o Astro Rei apronta essa só pra ofuscar o brilho da Lua e deixar a gente com saudade.

É com o pôr-do-sol mais bonito do mundo que Bauru me recebe sempre que volto, na estrada, de uma temporada longe daqui. E olha que ele já teve fortes concorrentes: já vi o Sol se pondo no alto da montanha de Santorini, às margens do Rio Sena, de cima das dunas de Jericoacoara… Todos estes lugares se gabam por acharem que têm a melhor vista para o pôr do sol, mas não tem pra ninguém. Seja entre amantes do verão ou do inverno, aqui finalmente chegamos à unanimidade: que este espetáculo natural e divino é capaz de salvar qualquer dia, não há bauruense que discorde.

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