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Quando você está em um semáforo e alguém te pede dinheiro, o que você faz? A professora, Cristina Deziró, sempre enfrentava este dilema: o que fazer para ajudar estas pessoas? “E eu me sentia num verdadeiro dilema: se dou o dinheiro, pode ser que eu esteja alimentando o tráfico ou algo ilícito; se não dou, parece que não estou ajudando as pessoas. Então me perguntava como poderia ajudar essas pessoas”, revela.

Foi assim que ela teve a ideia de fazer panfletos com informações de entidades e instituições de Bauru que poderiam auxiliar a vida destas pessoas e diminuir a mendicância. “Funciona de maneira bem simples. Eu deixo algumas cópias com os endereços e telefones no carro e quando alguma pessoa me aborda no semáforo, eu digo: ‘Não posso te dar dinheiro, mas algum desses lugares pode te ajudar a ter uma vida mais legal, mais digna’. E entrego a folha.

Este é um belo exemplo de que, para mudar o que vemos ao nosso redor,basta apenas o primeiro passo. Para entendermos melhor sobre este projeto, a equipe do Social Bauru conversou com Cris que revelou todos os detalhes e formas de como a população também pode colaborar. Vamos ajudar?

Como surgiu este projeto com os moradores de rua? E por qual motivo você teve esta iniciativa?
Na verdade, o “S.O.Semáforo” não tem como foco os moradores de rua, mas sim as pessoas que, por motivos diversos, pedem dinheiro nos semáforos da cidade. O que motivou a minha ideia foi o fato de me sentir incomodada todas as vezes que eu parava nos semáforos e vinha alguém pedir dinheiro ou oferecer balas ou serviços em troca do dinheiro. E eu me sentia num verdadeiro dilema: se dou o dinheiro, pode ser que eu esteja alimentando o tráfico ou algo ilícito; se não dou, parece que não estou ajudando as pessoas. Então me perguntava como poderia ajudar essas pessoas. E num determinado dia, após uma das abordagens, tive a inspiração de escrever numa folha nomes de locais e entidades que poderiam ajudá-las. Então pesquisei na Internet os endereços e fones destes locais, entrei em contato com cada um deles para confirmar a localização, o telefone e o tipo de trabalho que a entidade realiza. Após uma semana dessa checagem e confirmações, digitei os nomes das entidades e anexei uma bala no canto do papel. Tirei várias cópias e comecei a comentar e divulgar o projeto entre amigos do trabalho, whatsapp e facebook. E, para minha surpresa, muitos gostaram da ideia e, graças a Deus e à inspiração que Ele me deu, está sendo bem aceita e divulgada e, o mais importante, está ajudando muitas pessoas a encontrar um caminho ideal para solucionar seu problema.

E como funciona o seu projeto?
Funciona de maneira bem simples. Eu deixo algumas cópias com os endereços e telefones no carro e quando alguma pessoa me aborda no semáforo, eu digo: “Não posso te dar dinheiro, mas algum desses lugares pode te ajudar a ter uma vida mais legal, mais digna”. E entrego a folha. Dependendo do contexto do momento (tempo que dura o sinal vermelho, tipo de abordagem etc), podemos até estender a conversa. O importante é dar atenção, olhar para a pessoa que nos pede e tentar ajudá-la de maneira mais eficaz do que simplesmente dar o dinheiro, com a incerteza se a pessoa vai usá-lo para o que realmente precisa…

É a primeira vez que você tem uma iniciativa como esta?
Eu sempre gostei de fazer trabalhos voluntários, inclusive um dos lugares onde trabalhei está escrito no panfleto do “S.O.Semáforo”. Mas talvez algo semelhante mesmo eu tenha feito há cerca de 20 anos quando escrevia mensagens e versículos bíblicos e entregava-os para as pessoas que me abordavam nas ruas pedindo dinheiro. E tentava conversar com as mesmas…

A questão do morador de rua e das pessoas que ficam no semáforo é algo que te aflige aqui na cidade?
Apesar de que nem sempre quem pede nos semáforos é morador de rua, essa questão me incomoda também, pois é degradante vermos nosso próximo num estado tão indigno como ser humano e nos sentirmos impotentes diante da situação humana e social em que vivem essas pessoas…

Você chegou a comentar com outras pessoas que iria fazer este projeto? Recebeu incentivo ou não?
Algumas pessoas não me incentivaram. Disseram que isso não ia adiantar nada, que quem está nos semáforos pedindo dinheiro, está lá porque quer, que não vão procurar ajuda etc etc. Mas felizmente, a maioria dos amigos me incentivou e adotou a ideia, pedindo cópias dos endereços e compartilhando com outras pessoas.

Como é a reação destas pessoas que recebem estes papéis?
É de surpresa e alegria, pois raramente os motoristas, de modo geral, olham nos olhos delas e oferecem esse tipo de ajuda.

É possível dizer que esta ação já te ensinou algo?
Sim. Com certeza. Nesses dois meses eu aprendi muita coisa e ainda sinto que vou aprender muito mais, pois o projeto ainda é um bebê…
1º) Ouvir mais o que Deus fala no nosso coração e acreditar nos dons que Ele nos deu;
2º) Focar a ideia e o objetivo e não o medo;
3º) Ouvir mais as pessoas que nos incentivam e não quem nos desanima;
4º) Ter olhos e coração mais abertos aos problemas sociais a nossa volta;
5º) Perceber que ainda há muitas pessoas interessadas em ajudar o próximo.

E a população pode te ajudar de alguma forma?
O “S.O.Semáforo” é bem simples e requer apenas que os motoristas de Bauru tirem cópias dos panfletos, anexem uma bala ou bombom no canto deles e, com amor no coração, entreguem os mesmos para quem pedir ajuda nos semáforos.
Porém, esse projeto pode ser melhorado e aperfeiçoado, como por exemplo, divulgação do projeto entre os motoristas da cidade, encaminhamento das crianças e adolescentes que jogam malabares a escolas de circo ou emprego para Menor Aprendiz, encaminhamento para emprego dos adultos pedintes, criação de novas entidades que ajudem essa parcela da população, suporte para as entidades citadas no panfleto etc.

Quem se identificar com a ideia e quiser imprimir os panfletos ou ajudar de alguma forma, pode entrar em contato no email: [email protected] ou no grupo no facebook: SOSemáforo.

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