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A partir de uma consulta médica surgiu uma ideia que vem transformando a vida de muitas crianças e jovens bauruenses há 20 anos. Tudo começou quando a pianista Regina Damiati foi ao consultório do médico e vice-presidente da Unimed Bauru, Osvaldo Rodrigues Azenha Junior, e comentou sobre a ideia de fazer um projeto social com benefício cultural.

Formada em Educação Artística e com habilitação em música, Regina propôs a formação de um coral. Após ler o projeto escrito pela pianista sobre de que modo ele funcionaria, a Unimed Bauru aprovou o programa sociocultural Coral Unicanto, que atende 65 crianças e jovens, atualmente, de quatro bairros da periferia de Bauru.

O primeiro bairro escolhido foi a Vila São Paulo, um dos únicos da cidade em que ainda não havia nenhum tipo de projeto social; depois, o projeto se estendeu aos bairros vizinhos, como Nova Bauru, Pousada I e Pousada II. “Fomos até a Vila São Paulo, onde conversei com o presidente da associação de moradores. Ele contou que todo projeto que começava lá não dava certo, se mantinha por um tempo e acabava. E, realmente, quando eu comecei a coordenar o coral, durante os três primeiros meses eu tinha apenas 16 alunos para 40 vagas. Porém, hoje, são 65 alunos. O projeto deu tão certo que teve uma época em que eu tive 80 alunos e mais 30 pessoas na lista de espera”, conta Regina.

Com os anos de trabalho, o coral ganhou credibilidade como um projeto sério e que gera resultados surpreendentes na vida de jovens da periferia. “O coral é uma questão social da região, eu percebo claramente que as pessoas que participam do coral são tratadas diferentes. É motivo de orgulho ser do coral”, diz Regina. Não só entre os bairros, o Unicanto é conhecido regionalmente, e são contratados, sem custo, para se apresentar em diversas cidades da região, além de ser presença cativa no evento ‘Vozes de Natal’, realizado em Bauru.

 
 

As apresentações são parte fundamental dentro do projeto, pois é nesse momento que as crianças comprovam tudo o que elas aprenderam nos ensaios. Outro ponto que faz as apresentações necessárias é o fato de as crianças perceberem o potencial de cada um a partir do contato com o público e os elogios que recebem. “Quando eles se apresentam, as pessoas vão cumprimentá-los e tudo se concretiza ali. As pessoas, muitas vezes emocionadas, falam para eles: ‘nossa, como você canta de forma linda!’, isso é um retorno fundamental para a concretização de tudo o que eu falo para eles, sem a apresentação o meu trabalho fica pela metade, é na apresentação que tudo acontece”, relata Regina.

Além das apresentações de fim de ano e das cantatas, o Unicanto também se apresenta no hospital da Unimed e em outros eventos, sem custo ao local.

Com o apoio do governo, por meio do ‘Escola da Família’, o projeto ganhou, recentemente, um lugar para fazer os ensaios: “a escola é uma aliada, pois oferece suporte e segurança, fundamentais para dar certo”. Todo sábado, impreterivelmente, Regina que é maestrina, regente e preparadora vocal realiza, ao lado do pianista Danilo Andrade de Melo, dois ensaios: um com o coral infantil (7 a 12 anos) e outro com o coral infanto-juvenil (12 a 18 anos).

A palavra impreterivelmente foi usada para dizer que os ensaios seguem um horário rígido e precisa ser levado a sério pelos participantes, assim como a postura da professora, exigente na hora de ver na prática tudo o que ensinou. Além de cantar em nove vozes diferentes, os alunos aprendem músicas em latim, inglês, africano, italiano e até alemão. “No princípio foi difícil ensaiar em outros idiomas, mas eu insisti e, hoje, a internet auxilia muito, principalmente com o contato com a música americana. Então, existe essa vontade de querer aprender. O curioso é que se você pedir para eles cantarem alguma música, eles vão escolher uma música em latim”, explica Regina.

A participação no projeto, além de elevar a autoestima dos jovens, estimula a continuidade dos estudos, garantindo o desenvolvimento integrado e completo por meio da música e da cidadania. Além disso, o Unicanto proporciona a vivência em grupo como forma de melhorar o processo de comunicação e de respeito entre eles. A atenção à família e à saúde também são presentes, com o auxílio da doação de uma cesta básica mensal.

Benefícios para a vida toda
A música desperta inteligências de memória, inteligência musical auditiva e muitas outras, ajudando na fala, na sociabilização e no comportamento. É por isso que a música é considerada um meio muito forte para o crescimento pessoal. Os benefícios que o coral trouxe para os jovens cantores são perceptíveis entre muitos relatos. Para se ter uma ideia, um professor em contato com os alunos que participam já disse que consegue adivinhar, de imediato, quais crianças entraram para o coral da Unimed devido à tamanha mudança de comportamento.

É importante salientar que a mudança de comportamento vai além da escola e se estende até ao lar das crianças. “Nós temos conhecimento de que, muitas vezes, o relacionamento destas crianças com as suas famílias é complicado. São muitas coisas que acontecem ao mesmo tempo, sobretudo em regiões carentes da cidade, onde, muitas vezes, não há estrutura para lidar com isso. Procuro sempre conversar com eles, mostrando a importância do pai e da mãe na vida deles e que eles são as pessoas que mais querem o bem. Eu não dou sermão, eu pego um gancho da música e estudo o que está sendo cantado, por exemplo. Além disso, eu dou tarefas, como chegar em casa e abraçar o pai e a mãe e falar que ama”, diz Regina.

 
 

São muitos relatos de jovens que não tinham a perspectiva de que a música poderia ser uma profissão, mas depois do coral tiveram contato com muitos outros instrumentos. Alguns deles, mesmo não participando mais do projeto, ainda estão inseridos no universo da música. Para exemplificar a importância do Unicanto na vida dos jovens, é possível citar pessoas que foram escolhidas, entre muitos candidatos, em entrevistas de emprego por não falar gírias; pessoas que que cursaram faculdades relacionada à música e até quem ajudou a família, que estava envolvida com drogas, a se reestruturar.

São muitas histórias que têm um final feliz com a ajuda do Coral Unicanto, que tem mudado a vida de jovens que moram na periferia. E esse é o ‘combustível’ diário para este lindo projeto continuar na cidade.
“A valorização de cada um estimula a vontade de mudar a realidade em que eles estão inseridos. No coral, a gente valoriza a todos. Não podemos medir a educação de uma pessoa pela realidade social. Se ela tem oportunidade de receber um benefício, como o que a Unimed oferece, a vida dela muda”, explica a maestrina do coral.

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