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Já se foi a época em que todos os vizinhos se conheciam, marcavam um café ou uma roda de conversa na calçada no fim da tarde. Hoje em dia, além das tarefas diárias que exigem a maior parte do nosso tempo, quando estamos livres, nos fechamos em um mundo virtual.

Com isso, as relações com as pessoas que moram próximas a nós deixam de existir. Conhecer quem mora na porta ao lado, muitas vezes, se resume a um “oi” no corredor de entrada ou a uma reclamação pelo barulho alto. Aliás, esse é um dos motivos pelo qual os vizinhos remetem a algo negativo.

Em épocas de notícias ruins, fortalecer as relações dentro das comunidades é importante para uma vida em grupo mais saudável. Ter a quem recorrer em casos de emergências ou apenas para emprestar uma xícara de açúcar reforça a sensação de que não estamos sozinhos, além de melhorar a convivência.

Conheça três histórias boas entre vizinhos aqui em Bauru:

Mariana Scherma
“Moro no mesmo prédio há nove anos e no apartamento atual há cinco. Quando eu me mudo de lugar fico na minha, mas não me fecho, gosto de ser cordial e simpática com os vizinhos. Sou vizinha de porta de uma senhora de 83 anos e nos ajudamos bastante. Temos amizade, eu adoro brincar com o gato dela e trocamos quitutes quando uma das duas cozinha. Ela me ajudou no contato com a ex-proprietária do meu apê, quando o comprei e desde então ficamos próximas. Por ela ser mais velha, eu a ajudo com questões de internet e faço favores. Ela também me ajuda quando preciso, é uma relação de troca. Não sei como vai ser quando eu me mudar, mas o carinho e as lembranças sempre ficam. Nunca tive nenhum problema com vizinhos. Acho que nessa relação é essencial educação, respeito e saber viver em comunidade, principalmente quando moramos em prédio, porque dividimos mais um espaço comum”.

Fabíola Vieira

“Moro no mesmo lugar há 17 anos e quando me mudo para uma casa nova tento conhecer, fazer amizade e conversar. Por isso, tenho uma ótima relação com meus vizinhos, conversamos e frequentamos a casa um do outro. Para desenvolver essa relação fui cara de pau mesmo, bati palma e fui conversando, tentando me aproximar. E deu certo! Já tive alguns problemas normais como som alto, mas sempre era resolvido na conversa, nada de brigas. Se algum dia eu mudar de lugar, acredito que a amizade continua, por mais que os encontros sejam raros, pois não é apenas uma relação comum, é amizade mesmo, compartilhamos momentos juntos. Acho fundamental manter uma boa relação, pois vizinhos fazem parte do nosso dia a dia e às vezes são pessoas que temos que recorrer em uma urgência. Manter uma boa relação é essencial”.

Thiago Augusto

“Eu voltei para essa casa há poucos meses, pois morei no litoral do Rio Grande do Norte por um tempo. Mas essa casa que estou hoje é a casa que eu nasci e fui criado, considero ela minha casa e lar há 29 anos. Quando eu me mudo para um lugar novo, tento conhecer, saber um pouco da rotina; isso já ajudou até a inibir assalto e facilita a convivência. Meu vizinho da frente é ótimo e somos amigos de anos, a família dele e a casa dele é apenas uma extensão da minha. O meu vizinho na frente da minha casa, foi meu primeiro melhor amigo. Quando ele se mudou, eu tinha uns 12 anos e ele já era pai de família, tinha uma filha pequena, mas trabalhava de noite e eu ficava na calçada de casa arranhando uns acordes num violão que ganhei do meu tio. Esse meu vizinho, o André, gostava muito de música instrumental e tocava violão muito bem. Devo muito à amizade com ele, pois me ensinou muito sobre música e já até fez papel de pai algumas vezes me aconselhando, é um irmão mais velho e melhor amigo sempre. Em momentos ruins tenho lembranças dele sempre me apoiando. No dia que meu avô faleceu foi um dia ruim para mim e ele veio em casa com uma cerveja e petiscos perguntando se eu queria conversar. Lembro de momentos alegres dele me chamando para comemorar quando a filha dele passou no vestibular e recentemente se formando. Quando me mudei para o Rio Grande do Norte, eu trocava mensagem texto e telefonava para o André e mais que uma relação de vizinhos e um irmão mais velho para a vida toda. Para manter a boa relação com o vizinho tem que ter respeito, respeitar o limite das paredes do outro. Tanto em casa ou condomínios, existem espaços de uso coletivo desde uma calçada a uma praça e respeitar e entender que não estamos sozinhos no mundo, somos uma sociedade, somos diferentes e precisamos sim entrar em um acordo para viver em paz. Eu mudaria minha relação com André, meu vizinho de frente, no fato de ter mais tempo para jogar conversa fora, mais rodas de violão na calçada como quando eu era criança e mais pés queimados lá no Ubaiano”.

Relação na era da modernidade

Para que a tradição entre vizinhos volte a reinar com paz, Camila Carvalho fundou o aplicativo “Tem Açúcar?”, que estimula a colaboração e o senso de comunidade entre vizinhos. O objetivo da plataforma de economia compartilhada é resgatar o hábito de bater na porta do vizinho para pedir uma xícara de açúcar.

Dessa forma, o app funciona de forma que seja possível pedir algo emprestado a pessoas que moram por perto ou ajudar alguém que esteja precisando de algo que você tenha. Além disso, o “Tem Açúcar?” está desenvolvendo uma categoria de grupos, onde você pode arrumar uma companhia para fazer exercícios físicos, por exemplo.

Ficou curioso? O aplicativo “Tem Açúcar?” é gratuito e está disponível nos sistemas Android e iOS. Baixa lá 🙂

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