Nesta semana, de 12 a 16 de março, é realizada em todo o território nacional a Semana do Sono. Em 2018, a campanha tem o tema “Respeite seu sono e siga seu ritmo“, e significa que devemos conhecer e respeitar as necessidades de sono e o ritmo de cada um.

Segundo a fisioterapeuta com pesquisas relacionadas aos distúrbios de sono, Leticia Dominguez Campos, “nós temos uma sincronização entre algumas atividades internas do nosso organismo e o ciclo dia e noite. É como se nós tivéssemos um “relógio interno”, que faz com que algumas atividades aconteçam de forma rítmica, sincronizada com as 24h do ambiente. Portanto, devemos respeitar nosso sono, reconhecendo a importância, além de respeitar a necessidade de sono e o ritmo de cada um, já que varia de indivíduo para indivíduo”.

Ter um sono de qualidade é imprescindível para a saúde como um todo. Quando nosso sono não acontece em um tempo adequado ou de forma adequada, as consequências aparecem durante o dia a dia. Sonolência, cansaço e dificuldade de atenção são alguns dos problemas causados quando não se dorme bem. Além disso, a presença de distúrbios do sono, como insônia, ou apneia do sono, podem interferir na qualidade de vida.

Aproveitando que estamos na Semana do Sono, conversamos com a fisioterapeuta Leticia Dominguez Campos para saber mais informações. Confira o nosso bate-papo:

– Leticia, tem algum horário do dia que é melhor para dormir?

Letícia: Como o próprio nome da campanha diz, “siga seu ritmo” para escolher o melhor horário para dormir. Para entender melhor qual o seu ritmo, dois fatores devem ser considerados. Primeiro, qual é o seu cronótipo, ou seja, em qual horário você prefere realizar suas atividades. As pessoas podem ser classificadas em matutinas, quando preferem dormir e acordar cedo, e têm melhor desempenho durante o dia. Já as vespertinas, quem prefere dormir e acordar mais tarde e realizam melhor suas atividades a tarde ou a noite. Tem também as intermediárias, quando não possuem preferência por horários extremos.

O segundo fator a ser considerado é qual a sua necessidade de sono. É muito comum ouvirmos falar que “é necessário dormir pelo menos 8 horas”, mas isso não é verdade! Além da necessidade de sono mudar muito com a idade (crianças e adolescentes, por exemplo, geralmente precisam de mais horas de sono do que adultos e idosos), existem variações individuais na necessidade de sono. Existem adultos que precisam dormir 10 horas para sentirem-se bem, e isso não quer dizer que eles sejam preguiçosos. O importante na hora de saber o melhor horário para dormir é seguir exatamente o tema da campanha: respeitar seu sono e seguir seu ritmo!

– Pessoas que trocam de horário, por exemplo dormem de dia e ficam acordadas a noite, podem ter algum problema?

Leticia: O melhor período para se dormir é a noite, porque nosso ritmo biológico coincide com o ciclo claro e escuro, de modo que nossas atividades relacionadas à indução do sono ocorrem em sincronização com a noite, enquanto as atividades que tendem a nos despertar ocorrem em sincronização com o claro. No caso de pessoas que dormem durante o dia e ficam acordadas a noite, como por exemplo, trabalhadores de turno, alguns cuidados devem ser tomados para que se tenha um sono mais próximo do normal possível. Isso inclui manter o ambiente escuro no horário de dormir, isolar ruídos que possam despertar e, assim, fragmentar o sono (é muito mais fácil você acordar durante o dia com o barulho do trânsito na rua, por exemplo), e dormir a quantidade de horas que seriam dormidas durante a noite, de forma contínua. Além disso, é recomendado que, se você fica acordado durante a noite e dorme durante o dia, isso seja uma rotina para você, para que seu relógio interno se adapte a esse novo ritmo.

– E quando não conseguimos dormir o suficiente, tem uma maneira certa de repor esse sono?

Leticia: Sono que é perdido, será realmente perdido! Se, por exemplo, sua necessidade de sono é de 8 horas, mas você dorme apenas 5 horas por noite, não adianta tentar recuperar no final de semana. Pode até ser que você tenha um “rebote” de fases profundas do sono quando dormir por um período mais longo, mas as alterações que ocorreram pela falta do sono nas noites mal dormidas não serão recuperadas. As consequências do sono insuficiente podem ser tão graves que você nem terá tempo de repor o sono. Na dúvida, é melhor adequar sua rotina para a quantidade de horas de sono que você precisa. É uma questão de saúde e qualidade de vida.

– Como seria o sono perfeito?

Leticia: O sono perfeito é muito individual, pensando que o ritmo biológico muda de pessoa para pessoa. Podemos falar que o sono perfeito é aquele em que você segue seu ritmo. Para que a noite de sono seja considerada boa, satisfatória, você deve acordar descansado, sem sentir sonolência durante o dia e desempenhar suas funções adequadamente, com atenção e concentração. E claro, para o sono perfeito, não deve haver nenhum distúrbio do sono, como por exemplo, insônia, apneia obstrutiva do sono, bruxismo, terror noturno, entre tantos outros.

– Quem tem problemas com o sono, conseguem reverter esse quadro? De que jeito?

Leticia: Sim! Existem muitos problemas do sono, que vão desde dificuldade para conseguir dormir e alterações do ritmo circadiano, até problemas respiratórios durante o sono ou distúrbios de movimento. Cada problema tem um tratamento específico. O primeiro passo é: se você tem problemas para dormir, procure um médico especialista. Só ele fará o diagnóstico e indicará o melhor tratamento, que pode envolver fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, dentistas, e outros profissionais da saúde.

– Quais médicos podem ser procurados em caso de problemas para dormir?

Leticia: Existe uma especialidade na medicina que é chamada Medicina do Sono. Geralmente, médicos do sono são otorrinolaringologistas, pneumologistas, neurologistas ou psiquiatras. O site da Associação Brasileira do Sono dispõe de uma relação de profissionais certificados em sono, não só médicos, mas também dentistas, fonoaudiólogos e psicólogos, profissões que já oferecem certificação na área. É importante procurar um profissional certificado na sua cidade!

Leticia Dominguez Campos é Fisioterapeuta, Especialista em Fisioterapia Neonatal; Especialista em Terapia Intensiva; Mestre em Ciências da Reabilitação e Doutora em Ciências da Reabilitação.

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