No Brasil, o Dia da Língua Portuguesa se comemora em três datas: a Lei Federal 11.310, de 2006, determina que esse dia é 05 de novembro. Segundo a comunidade de países da Língua Portuguesa a data é comemorada em 05 de maio. Já a terceira data, muito comemorada em Portugal, é em 10 de junho e marca o dia da morte de Luis Vaz de Camões, principal poeta da Língua Portuguesa.

A expansão da Língua Portuguesa começou no século XVI com as Grandes Navegações e, hoje em dia, 260 milhões de pessoas falam português em nove países diferentes: Brasil, Portugal, Guiné Bissau, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Timor Leste, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial.

Como quarta língua mais falada no mundo, o português não poderia deixar de possuir muitos estrangeirismos, ou seja, termos de outros idiomas. O professor Ronaldo Gatti conta mais sobre a introdução de termos estrangeiros na nossa língua, “Portugal teve culturas diversas, então as contribuições de todas as línguas formaram o português. No Brasil, temos o português se misturando com a língua nativa e as línguas indígenas e, mais pra frente, a elite brasileira incluiu estrangeirismos franceses. Após a segunda guerra mundial, o foco das influências foi o acréscimo de termos do inglês americano”, diz.

Além das influências estrangeiras, a Língua Portuguesa conta com o uso coloquial, mas não há certo ou errado e nem apenas uma forma de utilizar a língua. “Nós temos muitas variantes linguísticas determinadas por regionalismos, linguagens grupais e até modismos da época, como as gírias”, explica o professor. Ele ainda completa dizendo que a vantagem da língua formal é o registro do significado original das palavras, independente da época. “Ao longo do tempo, podemos perder o sentido das gírias, por isso, as variantes linguísticas seriam inadequadas quando o objetivo é deixar um texto que possa permanecer ao longo do tempo”, esclarece.

É por esses detalhes e muitos outros, que as pessoas têm medo de errar a Língua Portuguesa, mas, para o professor Sinuhe Preto, não há erros, há inadequações. “Infelizmente, nosso idioma é ardiloso, repleto de regras e exceções, o que leva ao erro! Por exemplo, muito se criticou a candidatura de Dilma Rousseff como presidenta, não há erro e o marketing foi muito inteligente, pois com esse substantivo alertava, exaltava que uma mulher poderia, pela primeira vez, governar o país”, relata.

Dicas para não errar na Língua Portuguesa

Por mais que seja importante falar corretamente a língua portugues, é difícil se atentar a tantos detalhes, por isso, pedimos algumas dicas para o professor Ronaldo e para o professor Sinuhe. Confira:

Mas ou mais?

“Apesar de terem grafia e sonoridade parecidas, elas são palavras diferentes. ‘Mais’ é um advérbio de intensidade e ‘mas’ tem a função principal de conjunção adversativa. Tem um macete muito fácil para resolver isso: o antônimo de ‘mais’ é ‘menos’, então se eu substituir os termos e o sentido for mantido, eu tenho a utilização do ‘mais'”, diz Ronaldo.

Exemplos: Gostaria de mais segurança na minha cidade (mais = intensidade) / Ele é um bom administrador, mas não é honesto (mas = conjunção adversativa).

Fazem anos ou faz anos?

“Quando eu utilizo a expressão ‘faz anos’ eu estou criando uma frase que não tem sujeito, então o verbo deve ser impessoal e deve ser utilizado na terceira pessoa do singular, ou seja, quando o verbo fazer, enquanto expressão de tempo, sempre será impessoal. Então nunca posso usar ‘fazem anos’, o verbo sempre será no singular”, explica Ronaldo.

Há anos atrás está correto?

“Esse é um problema de redundância, porque o verbo ‘haver’ sempre indica um tempo passado e o advérbio de tempo ‘atrás’ também. Então eu tenho duas partículas que têm a mesma função, o que gera redundância ou pleonasmo vicioso. Essa expressão ‘há tanto tempo atrás’ é muito comum na linguagem falada, mas a presença do verbo ‘há’ e do advérbio ‘atrás’ na mesma frase provoca redundância”, diz Ronaldo.

Menos ou menas?

“Menas não existe, e segundo a lenda, que não é tão lenda assim, inferiorizou o então metalúrgico Luís Inácio ‘Lula’ da Silva que sonhava com “menas miséria e menas corrupção”. Menos é um advérbio e, por isso, não varia!”, afirma Sinuhe.
Meia ou meio?

“’Meia’ existe como numeral, meio-dia e mais ou comi meia maçã! O pessoal brinca que meia, só no pé! Meia gripada seria mais fácil de ser curada, apenas metade gripada!”, diz Sinuhe.

Ter e Haver

“Há verbos que são abundantes, ou seja, existem em duas formas, uma no Particípio Regular, terminados em -ado e -ido, e precedidos de TER e HAVER e os Particípios Irregulares, precedidos de SER e ESTAR, assim, deve-se usar: ‘A gráfica tinha imprimido os convites’ ou ‘Os convites foram impressos pela gráfica'”, esclarece Sinuhe.

 

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