Você já deve ter se deparado com a hashtag #pracegover enquanto olhava as redes sociais. A hashtag é utilizada para descrever, em palavras, o que uma imagem apresenta. Dessa forma, é possível facilitar o acesso aos conteúdos para pessoas deficiência visual.

O uso da hashtag, ao mesmo tempo que possibilita ao cego a descrição de imagens, faz com que o público com visão sem deficiência enxergue a necessidade da acessibilidade.

Em um país em com, aproximadamente, 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual e 585 mil totalmente cegas, oferece acessibilidade é fundamental. Por isso, a hashtag tem se difundido aqui em Bauru.

#pracegover em Bauru

A Prefeitura Municipal, por exemplo, aderiu ao recurso #PraCegoVer, com o objetivo de tornar acessível os conteúdos produzidos e publicados no Facebook. O projeto possibilita a descrição de imagens para pessoas com deficiência visual por meio de um programa leitor de tela. Assim, a escrita da hashtag que descreve a imagem é transformada em voz.

O projeto da Unesp Bauru, Biblioteca Falada, aderiu ao recurso de descrição de imagem no Facebook, em 2015. Como um um projeto que visa levar informação para pessoas com deficiência visual por meio da mídia sonora, eles decidiram utilizar a hashtag para deixar todos os meios de comunicação acessíveis para que o público se sinta incluído de todas as formas, informando de maneiras diversas.

Segundo Tainá Santana, uma das colaboradoras do Biblioteca Falada, “a imagem de uma notícia ou um post é complemento da informação, e é uma forma de contextualizar o receptor sobre o assunto. Se a imagem não fosse um ponto importante, ela não estaria ali. Então, por que nós que enxergamos podemos ter acesso àquela informação e
uma pessoa cega ou com baixa visão não?”, indaga.

Só para cego ver?

Apesar de ser focada na acessibilidade para pessoas com deficiência visual, “para cego ver” é também um trocadilho. O objetivo de brincar com as palavras? Impactar as pessoas que enxergam, uma vez que, normalmente, elas não se atentam ao fato de que pessoas com deficiência visual também utilizam as redes sociais.

“A conscientização para a pessoa que enxerga, é mais no sentido de perceberem a necessidade de incluir essa ferramenta no seu conteúdo. Simplesmente para dar a oportunidade da pessoa com deficiência visual ter acesso ao conteúdo completo”, esclarece Tainá.

O grupo de Mídia Acessível e Tradução Audiovisual (MATAV), formado por alunos da Unesp Bauru, também utiliza a #pracegover. Para a coordenadora do MATAV, Profa. Dra. Lucinéa Marcelino Villela, a importância de usá-la segue em duas direções.

“Conscientizar, em primeiro lugar, os produtores de conteúdos nas plataformas digitais sobre a acessibilidade dos mesmos. Permitir que todos deficientes visuais sejam incluídos no conteúdo online e que, quem leia, mesmo enxergando, perceba que nossa proposta é de informar de forma acessível e inclusiva”, relata.

Ajude a disseminar a #pracegover

Quer começar a usar a hashtag? O Biblioteca Falada deu algumas dicas para você incentivar a acessibilidade por aí. Confira:

  • Pesquise muito! Leia conteúdos que deem dicas de como descrever imagens. A página da #PraCegoVer dá ótima dicas de como fazer a descrição. E também veja referências de páginas que utilizam a ferramenta para ter exemplos concretos de como ela é utilizada.
  • Antes de fazer uma postagem, treine a descrição de imagem. Descreva várias imagens e se possível teste com alguém, descreva a imagem para uma pessoa que enxerga e veja se o que ela imaginou se enquadra a imagem que ela está vendo.
  • E o mais importante, seja imparcial ao descrever uma imagem. Não coloque sua opinião ao que você acredita que ela está passando e não adjetive os elementos. Por exemplo, tal elemento é feio, ou a pessoa está bem vestida, etc. Descreva com detalhes suficientes para que a pessoa com deficiência visual crie o seu próprio conceito sobre a imagem.

Pronto, agora é só treinar e colocar a #pracegover em prática!

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