A violência contra a mulher é um assunto sério que tem, cada vez mais, estado na boca do povo. No entanto, sua popularização não impede que os casos de agressão tenham diminuído; pelo contrário, as estatísticas mostram que esse tipo de violência está ainda mais recorrente no Brasil. 

Para se ter uma ideia, de acordo com o Ministério da Saúde, um mulher é agredida a cada quatro minutos no país. Isso falando das estatísticas que abrangem sobreviventes. Assim, até você chegar ao final desse texto as chances de uma mulher ter sido violentada são altas. 

Porém, é incerto afirmar que esse aumento decorra necessariamente de mais casos, pois isso também pode ser sinal que estão sendo feitas mais denúncias. 

Dessa forma, além da conscientização sobre questões como relacionamentos abusivos, também é necessário trazer à tona o diálogo sobre iniciativas que prestem apoio às vítimas. 

Até porque, além das vítimas passarem por um situação de agressão e terem que encontrar forças para denunciar, na maioria das vezes, há desconfiança ou culpabilização.

Assim, percebendo a necessidade da criação de um grupo deste tipo, a advogada Natália Blattner fundou o Projeto Todas por Uma em março de 2019, aqui em Bauru. A iniciativa reúne profissionais das áreas do Direito, Psicologia e Assistência Social com o objetivo de combater a violência doméstica e prestar apoio às suas vítimas na cidade.

Rede de apoio em Bauru 

A inspiração para criar um projeto tão importante surgiu de uma conversa de Natália com uma cliente sua, a policial civil, Débora Florêncio. 

Ambas inspiraram-se pela página do projeto “Help Me” no Instagram, já que era por lá que os administradores da iniciativa recebiam pedidos de ajuda de mulheres de todo o Brasil. Além de ouvirem as vítimas, eles também utilizavam a ferramenta para procurar profissionais voluntários que pudessem auxiliar nos casos. 

Nós pensamos em trazer isso aqui para Bauru, mas fomos em vários lugares, como a OAB, a Delegacia da Mulher, a Casa da Mulher, o Anexo de Violência Doméstica e outros para checar se não estaríamos ‘roubando’ a função de ninguém, por assim dizer”, explica Natália sobre o começo da empreitada.  

Foi neste processo, inclusive, que descobriram que apesar da atuação de psicólogas ser liberada neste tipo de projeto, a de advogados não era. O código de ética do Direito não permite o atendimento gratuito porque considera que pode configurar captação de cliente. 

Porém, cientes da falta de tato com as vítimas – não só na cidade, mas em todo o Brasil -, o grupo atua encaminhando-as, gratuitamente, às assistências jurídica e psicológica. No caso de atendimento com advogados, as profissionais encaminham as vítimas para a Defensoria Pública. 

Como funciona?

Natália ainda explica que o principal objetivo do projeto é suprir uma lacuna que existe em Bauru: o atendimento primário à vítima. “Muitas vezes a pessoa sofre a agressão e não sabe muito por onde começar. Será que vai pra delegacia? E depois, o que vai acontecer? Então, damos um norte para essa pessoa, mostramos que ela não está sozinha”, reforça a advogada. 

Legal, né? E contatá-las é bem fácil! Basta enviar uma mensagem pelo Instagram, Facebook ou WhatsApp; o que for melhor. A partir disso, é feita uma triagem para analisar o que a vítima precisa e se ela é financeiramente carente. 

Caso seja, há o encaminhamento para uma psicóloga do grupo, que atende totalmente de graça. “A gente tenta deixar esse apoio mais para pessoas que realmente não têm como pagar. Se eu vejo que a pessoa tem uma renda fixa boa, encaminho para uma clínica social, que cobram de R$10 a R$30 reais por sessão. Isso, para não deixar nossos psicólogos do projeto muito sobrecarregados, porque não daria para atender todo mundo”, acrescenta a profissional.  

O projeto também conta com um grupo de Whatsapp das vítimas, no qual elas podem conversar e trocar informações entre elas. Além disso, o grupo promove rodas de conversas e palestras com a presença de profissionais que tiram dúvidas e conversam, dando abertura para que as mulheres contem suas histórias e desabafem. 

Apesar de ter prestado apoio a muitas pessoas, Natália prefere não citar nenhum caso para evitar a exposição das vítimas. 

Fazendo parte 

Achou o projeto legal? Ele está de portas abertas para voluntários que queiram participar. E não é necessário ser psicóloga ou advogada, basta estar disposto a ajudar o próximo das mais diferentes formas.

Esse tipo de iniciativa é extremamente importante, especialmente porque os órgãos públicos não dão conta – e nem têm a sensibilidade – de atender essas pessoas. Ademais, o apoio incentiva as mulheres a denunciarem, o que, consequentemente, também influencia na diminuição do índice de violência doméstica. 

Sobre a atuação do “Todas por Uma”, Natália acrescenta que possuem outras ações para elevar a autoestima das mulheres, a exemplo de oficinas de maquiagem. 

“Nós também tentamos reforçar a ideia que o problema não é ela, que ela é linda e que não importa o que os outros falem, porque, geralmente, o cara nessa situação faz a mulher se achar a pior pessoa do mundo. Nossa função é dizer que não, ela não é um ser humano ruim, e sim quem bateu nela é que é uma pessoa ruim”, explica

Por fim, a advogada pontua que o julgamento de diversas esferas da sociedade – inclusive profissionais da área – influenciam na saúde das vítimas. Por isso, convoca todos a julgar menos e ajudar mais mulheres nessa situação!

Serviço 

Projeto “Todas por Uma”
Telefone: (14) 98146-5325 e (14) 99146-6632 (WhatsApp)
Facebook: www.facebook.com/projeto.todasporuma
Instagram: @projeto.todasporuma

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