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Ele não nasceu aqui, mas considera Bauru a sua casa há quase 30 anos. E foi aqui que ele descobriu o talento que o move atualmente. Bem mais tarde que a maioria, Raphael Mortari decidiu fazer a faculdade de design gráfico e resolveu seguir aquele talento que já o acompanhava desde a infância. Como tudo o que fazemos com paixão dá certo, com ele o resultado não poderia ser outro e o frutos ele já está colhendo. Recentemente, Raphael foi destaque em três publicações internacionais que exaltaram e valorizaram o seu trabalho. “Coloquei meu nome na busca do Google e acabei achando as publicações”. O Social Bauru bateu um papo com o ilustrador para saber sobre suas inspirações e aspirações. Confira:

Você é bauruense?
Raphael: Não nasci em Bauru. Sou de São Paulo, mas vim para cá com a minha família em 1987. Desde então, considero Bauru a minha casa. Sou, praticamente, um bauruense.

Há quanto tempo você é ilustrador?
Raphael: Sou ilustrador, oficialmente, desde de 2010. Então, como profissional, estou há seis anos. Mas eu sempre desenhei nas horas vagas, desde criança. Eu sempre fiz isso. Só que depois de muitos acontecimentos eu resolvi fazer a faculdade, já com 30 anos. Aí eu fiz design gráfico porque achei que era a minha cara. Até comecei antes a faculdade de publicidade e propaganda, mas vi que design tinha mais a ver comigo. Nessa época, eu comecei a fazer estágio em uma agência de publicidade e, depois, trabalhei em uma empresa que tinha um foco grande em ilustração. A partir disso, tudo começou a acontecer.

E como foi ver que você foi destaque em uma publicação de fora?
Raphael: Bom, ter visto a notícia no site foi muito legal. Acho que me renovou, sabe? Eu fiquei feliz pelo meu trabalho ser apreciado por outras pessoas, não só os que estão à minha volta. Poxa, pessoas que nem falam a minha língua estão apreciando o meu trabalho! Tudo começou a partir de um site chamado ‘Behance’, que é um portfólio online que possibilita que o mundo todo tenha acesso ao seu trabalho. Neste site, é possível conversar por mensagem com outros usuários e, uma vez, recebi uma mensagem de um cara de Israel que tem um site americano chamado I like these pixel. Aí, conversamos e ele fez uma entrevista comigo para colocar neste site. E eu fiquei muito feliz com o título da matéria dele que foi algo como ‘um ilustrador ativo após os 30…’. Eu gostei muito disso porque senti que foi uma grande conquista. Eu me formei perto dos 30 e fiquei feliz com este reconhecimento. Por conta desta publicação, outros dois sites entraram em contato comigo para falar sobre a minha arte. Coloquei meu nome na busca do Google e acabei achando as publicações. Vi que estava em um site espanhol e um canadense.

De alguma maneira, fica a contradição de que a arte não é tão valorizada aqui, mas lá fora ela é? Ou acha que está sendo valorizada aqui também?
Raphael: A pessoa que vive de arte no Brasil não vai ter o valor que a pessoa de fora recebe. São coisas completamente diferentes. O Brasil não tem esta cultura de prestigiar e acho muito difícil você conseguir viver disso aqui. Mas lá fora, na Europa, por exemplo, é diferente. A gente percebe que é mais valorizado. Mas, o fato de eles terem publicado, eu não enxergo como uma exceção e sim, que eles realmente gostaram do meu trabalho, assim como outros sites brasileiros. A área de design tem sites específicos para isso, o que facilita pessoas que trabalham com o digital, como eu. Mas, para mim, uma publicação em um site de fora ou daqui são iguais. Não consigo medir se, com isso, existe uma valorização maior. O fato de eles publicarem é muito bacana, mas aí, até uma pessoa comprar a minha arte, é bem diferente.

Aliás, você se considera um artista?
Raphael: Eu me considero um criativo… (risos). Artista eu não sei. A arte é ampla, então a pessoa pode ser um músico, escritor, pintor que é considerado artista. Destas vertentes, eu gosto de muita coisa, mas a ilustração tem aparecido como um trabalho. Então, me considero um profissional nesta área, apesar de gostar de muita coisa artística.

Como define o seu trabalho?
Raphael: Eu sou um profissional na área de ilustração digital. Até hoje, sempre levei muito a sério todos os clientes, independente de quem for. Sempre tratei todos da mesma forma e são iguais para mim. Eu sempre votei pelo profissionalismo e falo francamente sobre tudo.

O ‘Supernada’ (história em quadrinhos que retrata metaforicamente a visão dos valores pessoais e a influência da sociedade sobre o indivíduo) deu muito certo e ainda rende bons frutos. Tem algum projeto em mente para este ano?
Raphael: O ‘Supernada’ é o primeiro filho. A gente tem feito muito trabalho de divulgação para que a revista chegue até mais pessoas. Ainda tenho exemplares à venda. Tem sido uma experiência muito legal. Acabei de escrever um conto novo que tem relação com o universo do ‘Supernada’ que tem a missão de levantar questionamentos sobre o nosso comportamento. O título é ‘Um conto sobre o futuro’ e quem irá trabalhar comigo na arte será o Bruno Arruda. O conto está pronto e estamos terminando de decupá-lo. O objetivo é que em 2017 ele esteja finalizado para podermos participar de eventos relacionados a quadrinhos.

E o que te inspira quando desenha?
Raphael: Eu acredito que a inspiração vem sempre da ‘bagagem’. Eu vejo muitos filmes, séries e ouço muita música. Não leio tanto livro, mas quando eu gosto, acaba saindo alguma ilustração disso também. A cultura pop me inspira muito. Às vezes uma coisa simples pode me inspirar e virar uma coisa colorida.

Para conferir as publicações, acesse:
Canadá: www.graphicjunkies.com
Espanha: www.100grados.es
EUA: http://ilikethesepixels.com/

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