A maternidade é um assunto que envolve planejamento e, hoje em dia, muitas mulheres têm deixado a gravidez para segundo plano. Mas nem sempre é assim. Muitas vezes, ela acontece sem planejar, em um momento da vida que nada ainda é concreto, como a adolescência.

Diretora há 15 anos da Escola Estadual João Maringoni, Thereza Cardoso afirma que o número de gravidez entre meninas de 14 a 17 anos aumentou nos últimos anos. “Falta de diálogo com a família. Muitas vezes, essas meninas, por medo ou vergonha, não conversam sobre a vida sexual com seus responsáveis, e também não se previnem”, acredita a diretora.

A gravidez inesperada acaba sendo um processo muito diferente de quando se planeja, e o assunto ainda é tido como tabu. Por isso, conversamos com algumas bauruenses que engravidaram ainda jovens para saber suas experiências. Confira os relatos incríveis!

Bruna Novelli

“Eu tinha 23 anos e nenhuma ideia do que era ser mãe, quando descobri que me tornaria uma. A minha história foi um pouco inusitada. Eu tinha terminado a faculdade há um mês, quando conheci o pai da minha filha. Engravidei muito rápido. Foi um descuido. Mas nessa idade, a gente acredita que essas coisas não acontecem. Eu imaginava que, se um dia quisesse engravidar, seria muito mais difícil, com direito a tratamentos hormonais e essas coisas que as pessoas precisam fazer quando querem ter um filho. Eu tinha certeza que comigo seria assim. Mas, certo dia, acordei com muita cólica, e pedi para minha mãe ir ao médico comigo, já que eu teria menstruado e não achava normal ter cólicas após esse período. Sim, eu menstruei grávida. Soube no consultório, ao lado de minha mãe que teria um bebe, dali 8 meses. Fiquei despedaçada. Não tinha a menor ideia de como criar uma criança. Tinha acabado de terminar minha faculdade. Tinha planos profissionais. Tinha planos para viajar o mundo. Tinha planos de todos os tipos, mas nenhum deles envolvia uma criança. Afinal, na minha cabeça, a minha vida adulta ia começar ali, e eu estava ansiosíssima para isso. Mas não contava com esse desfecho, na época, tão inesperado. Passei muito mal. Durante os primeiros quatro meses vomitei todos os dias e dos quatro meses em diante tive muitos sangramentos. Também tive que fazer repouso e precisei tomar medicamentos para ‘segurar o bebê’. Não foi fácil. 39 semanas depois e em 10 de maio de 2011 nascia Luisa e com ela, nasceu também uma nova Bruna. Mais sensível, mais madura e mais mulher. Eu posso até tentar explicar o que é a maternidade, mas só se entende mesmo quando se torna parte dela. É no terreno maternal que se fazem valer todos os clichês sobre amor incondicional, pois é um amor físico, que dói no peito só de olhar para aqueles olhinhos cheio de inocência. Poder sentir essa dor, é sentir o amor, na sua forma mais pura. E é quando você entende que todo resto que já se sentiu nessa vida é só um ensaio do que é amar. Nós mães, quando descobrimos que teremos que cuidar de alguém, pro resto da vida, não pensamos que essa é também uma via de mão dupla. Acreditamos que só vamos ter que ensinar, e esquecemos que nossos filhos são também grandes professores. Em pouco tempo de vida, minha filha me ensinou sobre responsabilidade, amor, doação, paciência, fé, dentre tantas outras coisas que ela nem sabe o nome e eu não praticava o significado. A maternidade também é um loop eterno de altos e baixos. É chorar de desgosto e sorrir de orgulho. Chorar de orgulho e também sorrir de desgosto. Ser mãe é cair em pura contradição. É enxergar seus pais. E se enxergar em seus pais. É entender seus pais e esperar uma compreensão que só vai chegar quando seus filhos forem pais. Portanto, paciência, conversa e amor devem ser a base sólida de uma boa relação de compreensão mútua, para que no futuro, todo amor que plantou, brote e os frutos sejam pessoas que possam contribuir para melhorar esse mundo. Quem é mãe sabe bem o sentido da frase ‘padecer no paraíso’. Já chorei muito na pele de mãe. Desde preocupações com a saúde de minha filha, até simplesmente por fazer algum sentido chorar em um momento que estava tudo bem. Ter um filho é passar por privações. De sono, de fome, de necessidades fisiológicas, de vida social. Eu não suporto essas mães ‘da mídia’, que enfeitam a maternidade. Ser mãe não é sorrir o tempo todo, enquanto o sol da manhã entra pela janela iluminando sua cria. Ser mãe é mais visceral. É grito, é choro engolido, é choro vomitado, são verdades que doem. Mas também é muito amor e não só quando o sol da manhã entra pela janela iluminando sua cria. Nós conversamos muito. Sobre todos os assuntos que se possa imaginar. Inclusive, temos até uma página de diálogos no Facebook, chamada ‘diálogos de Luisa’, onde posto nossas melhores conversas e as pessoas acompanham e interagem. É muito legal. Eu gosto de explicar as coisas pra ela, como realmente são, mas claro, de acordo com o entendimento e a idade dela. Quando ela tinha apenas 3 anos, ela me perguntou como foi parar na minha barriga. Exclui qualquer possibilidade de falar sobre cegonhas e sementinhas. Disse apenas que, quando duas pessoas namoram muito, a mulher, que é única que pode ter um bebê, engravida. Também não uso de fantasias para explicar coisas que considero perigosas. Costumo fazer alertas mais radicais e menos lúdicos. E nos entendemos bem assim. Também temos muitos amigos gays e eu sempre explico a ela que meninos também podem gostar de meninos e meninas podem gostar de meninas. Que bonecas não são feitas só para meninas brincar e carrinhos são legais para todo mundo. E por fim, que rosa e azul são apenas cores. Eu já pensei muito em como seria se não tivesse minha filha, já que deixei uma série de sonhos e planos de todos os tipos para trás, os quais são bem mais difíceis de se realizar com uma criança a tira colo. Mas desde quando descobri que estava grávida, já não conseguia mais me imaginar sem ela. Então, hoje, eu percebo que não preciso enterrar meus sonhos. Com ela, eu entendo que só acrescentei uma companheira para toda vida. E que podemos fazer tudo, juntas. Talvez se ela não tivesse ‘acontecido’, eu estaria em outra cidade, outro emprego, conhecesse outras pessoas, mas realmente não fico pensando nisso, porque realmente não dá para gente saber quem seríamos, se tivéssemos seguido o caminho que não seguimos. A grande verdade é que não imagino minha vida sem Luisa. Ela me faz muito feliz.”

Lais Cordão

“Eu tinha acabado de fazer 21 e só fui descobrir mesmo que estava grávida no final de setembro, com quase sete semanas de gestação. Não foi uma gravidez planejada e foi um susto e tanto (risos)! Em um primeiro momento eu fiquei muito abalada. Chorei a noite inteira e eu também não quis ir trabalhar no dia seguinte. Lembro até hoje que eu não queria levantar da cama e sete horas da manhã minha mãe já estava no telefone vibrando e rindo com a minha avó. Então eu só senti uma certa depressãozinha no primeiro dia. Durante a semana foi mais preocupação, no sentido de como seria o nosso futuro, como ficariam os estudos e a questão do financeiro também. Mas depois disso foi só alegria e gratidão. Muita gratidão! Eu recebi apoio demais! Além de amigas e do Thalles [meu namorado], minha família foi absolutamente incrível. Eles são a razão de tudo. E esse apoio foi fundamental para a descoberta. Porque eu me desesperei, passei a primeira noite em lágrimas. O Thalles também. Mas minha mãe, minha irmã, todos da minha família comemoravam e já sentiam-se super ansiosos — eu nem tinha me recuperado do baque ainda! (risos). De fato, vê-los naquela felicidade, daquela maneira foi indescritível. Eu estava rodeada de amor, de pessoas maravilhosas que são o meu porto seguro. Na época, sempre que tinha oportunidade, eu estava fazendo algum trabalho como modelo. Inclusive cheguei a fazer dois (um para uma marca de lingerie e outro para uma de biquíni) sem saber que já estava grávida. Não considero carreira, pois não sou uma modelo profissional. Sempre brinco que são ‘bicos’ que faço por hobby. Durante a gravidez eu não fiz nenhum, mas porque não surgiu nada mesmo. E depois que o Theo nasceu já fiz alguns. Não voltei de vez porque primeiro quero estar de bem com o meu corpo! (risos). Eu também estudava e, em relação à faculdade, na Unesp eles garantem o período de licença maternidade. Eu continuo matriculada em todas as matérias, normalmente, e faço uma espécie de aula a distância. Só preciso estar presente no dia das provas. Durante os 180 dias, que é o tempo de licença oferecido pela Universidade, os professores me enviavam toda a matéria via e-mail. Não digo que foi tranquilo (risos), mas foi ótimo poder continuar sem precisar interromper o curso. Ah, falo de não ter sido fácil pelo fato de ter que conciliar a chegada de um bebê — e pais de primeira viagem — com tempo e concentração para redigir os trabalhos. É um desafio e tanto! Só tendo filhos pra saber o quanto eles demandam 24 horas do nosso dia. E isso eu senti falta lá: um pouquinho de compreensão e solidariedade por parte de alguns professores e colegas da classe. Mas por sorte eu tive uma gestação super tranquila, por isso fica até difícil falar em dificuldades. A única coisa é que eu tinha bastante era a ânsia, mas só de manhãzinha e depois que parei de ir no estágio que eu conseguia dormir até umas 9h/10h da manhã, então, nunca mais senti nada. Quanto ao emocional, não que isso seja uma dificuldade, mas no começo mexia bastante comigo e só depois fui entendendo que, afinal, mães também são seres humanos. Enfim, a sociedade tem o costume de romantizar tudo o que envolve a maternidade. E a gente sabe que não é bem assim, inclusive por isso temos ouvido cada vez mais a expressão ‘maternidade real’. Minha experiência é de que eu sempre via em filmes e novelas todas as mães chorando ou se emocionando em cada ultrassom. Claro que eu sorria, claro que eu estava feliz em vê-lo ali. É que é uma mistura de sentimentos, que só quem está desse lado pra entender. Primeiro que eu ficava tensa o tempo todo e preocupada se estava tudo bem mesmo ou se o médico estava com receio de contar alguma coisa. E segundo que quando dizem que gravidez é uma benção ou um milagre, acreditem! É muito louco você estar vendo em uma tela de computador um ser humaninho que está dentro de você. Detalhe: ele está se formando dentro do seu corpo. Ganhando cada ossinho, cada partezinha com extrema perfeição. E mais: tem um coração ali batendo. A ficha não cai. É coisa de Deus. Juro, é inexplicável. Então era tudo ainda muito surreal. Eu achava que tudo só ia fazer sentido quando eu começasse a sentir, quando ele começasse a chutar. Mas não foi suficiente. Minha ficha realmente foi cair quando ele estava aqui, nos meus braços .Se eu sofri algum tipo de preconceito foi pelas minhas costas. Eu mesma não presenciei nada. Agora, várias vezes chegou em mim brincadeirinhas e comentários desnecessários que algumas pessoas estavam fazendo. Inclusive fiquei sabendo de uma montagem — isso logo no comecinho — em que colocaram uma barriga de grávida em uma foto de um trabalho que eu estava de lingerie e soltaram em grupo de WhatsApp. As pessoas daqui não me surpreendem (risos). Talvez ainda esteja faltando um pouquinho de maturidade. No meu caso, eu tive um parto humanizado e, antes de qualquer coisa acho importante conceituarmos parto humanizado. Muitas pessoas ainda limitam-se na ideia de que nada mais é que o parto realizado em uma banheira, quando na verdade vai muito mais além. A expressão humanizado surge como um conjunto de procedimentos e condutas que promovem o parto e o nascimento saudáveis, respeitando o processo natural e evitando intervenções desnecessárias. Ou seja, é uma relação de respeito para com a mulher, levando em conta suas necessidades, seus valores individuais e os seus sentimentos. Quanto à escolha do parto normal, alguma coisa dentro de mim sempre foi muito forte. E foi a única certeza que eu tive durante toda a gestação. Até mesmo antes de começar a estudar e me aprofundar no assunto, eu sentia que havia algo de errado com a nossa sociedade e essa epidemia de cesáreas eletivas que estamos vivendo. Eu me apaixonei por esse universo, não só por partos, mas tudo o que envolve a maternidade. Não passo um dia sem ler pelo menos um texto, uma reportagem ou um novo estudo. Meu parto foi natural (sem o uso de anestesia, analgésicos ou substâncias para acelerar as contrações) e humanizado. Eu e o Theo, nós dois, juntos, que fizemos o nosso parto. Eu também tinha separado uma playlist de músicas para ouvir durante o trabalho de parto, mas, olha, não deu nem tempo! (risos). O Thalles cortou o cordão umbilical, como havíamos desejado, e somente depois que ele parou de pulsar — diferentemente da maioria dos profissionais que realiza o corte na hora em que o bebê nasce. (Está comprovado os benefícios dessa espera). Ainda no meu Plano de Parto pedi para que não dessem banho no Theo, como geralmente também costuma-se fazer. Eu queria que fosse um momento especial e não traumático, com qualquer pessoa. Além de ser um procedimento desnecessário, recomenda-se adiar o banho por pelo menos seis horas em função da importância do vernix, mesmo após o nascimento. Esses foram alguns exemplos do meu parto humanizado. Nós respeitamos o meu corpo, respeitamos o tempo do Theo e todos os profissionais respeitaram meus ideais, meus desejos e sentimentos. Se você não tem seus princípios tudo muito definido e esclarecido na sua cabeça, de fato fica mais complicado. As pessoas acham que só porque são mais velhas, necessariamente possuem mais experiência e sabedoria. Em consequência disso, nos veem sem qualquer credibilidade e muitas vezes faltam com respeito em relação às nossas escolhas e decisões. Passei por algumas situações do tipo, mas tenho minhas opiniões muito bem formadas e embasadas. Para as outras meninas que estão passando por isso, pode parecer clichê, mas é o melhor e mais gratificante desafio das nossas vidas. Sou completamente apaixonada pela maternidade. No começo a gente assusta, bate aquela preocupação, mas tudo dá certo. Nada acontece por acaso e as coisas são como deve ser. Não existe uma única palavra capaz de descrever a sensação de ser mãe. Mas o mais importante: se informem! O que mais vejo por aí, tanto em redes sociais quanto conversando pessoalmente, são mães alienadas. Mães que escutam da vizinha que a prima morreu no parto normal ou que o bebê nasceu com algum tipo de problema (quando na verdade, a cesárea chega a ser três vezes mais perigosa tanto para mãe quanto para o bebê, mas ninguém comenta); mães que ouvem do próprio pediatra que elas não têm leite (quando na verdade isso não existe, salvo raras exceções. O que existe são condições que não estão permitindo a produção), afinal é muito mais fácil receitar uma fórmula do que ajudá-la e incentivá-la a amamentar. E por aí vai… São muitos os exemplos, por isso conhecimento e informação são imprescindíveis durante todo esse período, durante toda a maternidade. Eu faria tudo de novo, do mesmo jeitinho. E tenho muito orgulho! Por enquanto não penso na possibilidade de ter outros filhos. Ainda meu coração é todo do Theo (risos). Já tentei imaginar e me questiono como consegui viver esses anos sem ele, rs. Na verdade parece que ele sempre esteve aqui comigo. Não sou nada sem o Theo… ele é a minha vida!”

Letícia Correa

“Eu tinha 22 quando engravidei e a Alice nasceu eu já havia feito 23. Foi completamente acidental, eu não namorava mais o pai da minha filha, tudo aconteceu numa recaída, foi abusivo, despreparado, fiquei muito abalada. Recebi apoio de alguns amigos, os que permanecem comigo até hoje, porque a maternidade seleciona bem as amizades, boa parte sumiu. O pai nunca ajudou, pelo contrário, ele sempre causou os problemas. Mas a minha família foi e é maravilhosa, seguraram as pontas de verdade, devo tudo a eles. Eu estava no último ano da faculdade, só consegui me formar seis meses depois da minha turma, devido a uma matéria de estágio que não pude realizar na licença maternidade. Foi bem desgastante, mais uma vez, se não fosse minha família, minha mãe em especial, não teria sido possível concluir. Minha gestação foi muito saudável do ponto de vista físico, não tive problemas, me sentia linda, mais mulher. Mas foi um tormento psicologicamente, brigávamos muito, fui tratada com descaso, abandono, violência verbal por parte do pai dela. Foi exaustivo, muito complicado. Estava em um relacionamento abusivo (conclusão que eu cheguei só depois de me libertar), onde a pessoa queria controlar tudo, minhas roupas, espiritualidade, até jejum me pediu para fazer, e se enfurecia diante das negativas. Com o tempo fui sentindo mais a minha filha comigo e isso me fortaleceu, me deu clareza, deixei de tolerar essas coisas e com o apoio dos amigos e familiares, coloquei um fim nessa situação. Mesmo já sendo adulta, sempre aparentei ser mais nova, engravidei em um momento desfavorável na vida, sofri bastante com questionamentos absurdos e situações constrangedoras. Isso me acompanha até hoje, acreditem ou não, ainda tem gente que faz cara de dúvida de como se faz um filho sem estar casada. É sério, chega a ser cômico! (risos). Meu parto foi uma cesárea, pois meu obstetra me disse que se eu quisesse normal, teria de procurar outro médico. Fragilizada e confusa, aceitei. Durante o procedimento não tive problemas, foi tudo bem tranquilo, entrei sozinha, preferi assim. Posso dizer que cada caso tem suas especificidades, mas o resultado sempre será uma mãe e um filho (ou mais), nem sempre um pai. Nosso país não dá escolha segura para mulheres que não desejam ser mães, claro que aqui vai ter sempre alguém para dizer que tinha como se prevenir, e a clássica: ‘na hora de fazer estava bom’ (às vezes nem estava). Mas sim, a maternidade é possível de ser prazerosa, tem inúmeras gratificações, e desejo a todas força, não se sujeitem e se aproximem de quem realmente vai te ajudar. Às vezes imagino o que poderia ter feito de diferente. Não me relacionaria com alguém assim de novo, mas se não fosse ele, não teria a minha Alice, tal como ela é, e eu não mudaria nada nela. Minha filha tem 6 anos e não penso em ter outros filhos, o que tenho como base é o que eu vivi, porém ainda tenho muita vida para experimentar outras possibilidades. Eu costumo dizer que não amo ser mãe, amo minha filha profundamente, mas a maternidade não foi doce. Não teve na a ver com as novelas, revistas e tudo mais que ouvimos por aí. Não teve nada de romântico. Para mim, é luta diária. É um parto por dia. Porém, mesmo assim, não penso mais em uma vida sem ela. No começo foi difícil, a gente vive em constante renúncia e adequação. Reorganiza sonhos e planos. Mas agora tudo tem mais vida, tem motivo e tem razão. Acho que ela veio para me libertar de muitas coisas ruins. Sou eternamente grata pela vida da minha filha; ela é minha luz!”

Carlla Patrícia Juraci de Melos

“Eu tinha 14 anos quando engravidei. No primeiro momento foi bem difícil descobrir, mas logo em seguida, após contar para os meus pais, foi tranquilo, pois eles me acolheram. Eu estava na sétima série e não parei de estudar. O preconceito é grande, mas acredito que pelo fato de ter ficado com o pai dos meus filhos, a pressão foi menor. Eu fiquei casada 16 anos e tive o segundo filho aos 22 anos. Não tive problemas na gestação e fiz cesariana, tanto no primeiro, quanto no segundo filho. O pré-natal do meu primeiro filho foi pelo SUS, na Maternidade Santa Isabel e o parto foi particular. No segundo filho, tanto o pré-natal quanto o parto, foram particular na Beneficência Portuguesa. Mesmo sendo difícil, as meninas têm que encarar a gravidez com responsabilidade e não jogar a culpa nos outros. Mesmo não ficando o pai da criança, o ideal é não o afastar, pois ele também é responsável. No meu caso, não parei de estudar, fiz o magistério, faculdade de história, filosofia e pedagogia. Garanto que não foi fácil, mas não desisti dos meus sonhos, pois casamento não é profissão e não garante nada. Eu tive sorte de ter uma família incrível, tanto a minha quanto a família do meu ex, pois na época eu tinha 14 e ele 18. Lutamos muito, inclusive ele trabalhava em dois empregos, mesmo tendo uma família tranquila financeiramente, não quisemos depender de ninguém. Hoje em dia, não consigo me imaginar tendo outra vida; meus filhos são o melhor da minha vida. Tenho 40 anos e feliz por ter dois filhos incríveis, o Guilherme, mais velho, é formado em administração, trabalha no banco e irá se casar esse ano, e Gaia, transexual e faz história na Unesp de Assis. Ser mãe não é nada fácil, principalmente quando você se torna mãe solo, que foi meu caso depois da separação.”

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