As vontades de mostrar as belezas do interior de São Paulo fizeram seis pessoas produzirem um documentário sobre Raul Torres. O cantor e compositor brasileiro nasceu na cidade de Botucatu, em 1906, e suas composições são conhecidas nacionalmente.

Leandro Ferrari, Luiz Marquezin, Eduardo Marques e Daniel Figueira, moradores de Bauru, Henrique Biazetti, morador de Barra Bonita, e Nidowillian Spadotto, morador de Botucatu foram os idealizadores do documentário.

As gravações foram feitas em cidades do interior como Bauru, Botucatu, Campinas, Pindamonhangaba, Pirajuí e São Paulo e mostram a trajetória do violeiro botucatuense. E o trabalho duro rendeu bons frutos: o documentário “Eu sou Raul Torres, violeiro sim sinhô!” foi exibido no In-Edit, um dos maiores festivais de cinema de gênero musical.

Conversamos com um dos diretores do “Eu sou Raul Torres, violeiro sim sinhô!”, Leandro Ferrari para saber mais sobre o trabalho:

  1. Como começou a ideia de fazer um documentário sobre Raul Torres? Nasceu aqui em Bauru?
    A ideia surgiu aqui em Bauru com a demanda do TCC do curso de Produção Audiovisual da FIB. Em grupo decidimos procurar uma temática que retratasse o interior de São Paulo, mostrando não só a riqueza cultural, mas também suas belas paisagens que muitos só as conhecem quando passam pelas rodovias do estado. A partir disso fizemos um levantamento de personagens e temas que, além de ter uma ligação com o interior, tivesse relevância nacionalmente. Então chegamos ao nome Raul Torres.
  2.  Por que escolheram o cancioneiro?
    Ele tem um significado muito importante no desenvolvimento e popularização da música sertaneja caipira no Brasil. Foi um cara que tinha uma visão inovadora, levou a música caipira para as rádios, introduziu novos elementos musicais no sertanejo. Um exemplo é a declamação que seria uma base instrumental tocada ao fundo e versos falados contando uma história de introdução nas músicas. Uma característica muito forte da música caipira que até hoje é usada. Introduziu ritmos importados de outros países como Guarania e lançou novos artistas. Podemos dizer que Raul Torres foi ídolo dos ídolos, em nosso documentário há uma citação de Tinoco – da dupla Tonico e Tinoco (considerada a maior dupla sertaneja de todas) – em que ele diz que se espelhava em Raul Torres, porque era um cara elegante que se vestia muito bem. O que inclusive quebra muito paradigmas em relação a cultura caipira como algo pejorativo. Como Raul Torres nasceu em Botucatu, teve sua vida muito ligada a ferrovia e tinha um vasto material para se trabalhar, não tivemos dúvidas em fazer essa grande homenagem em documentar a vida dele.
  3.  Qual o motivo de escolherem locais bauruenses como a Estação Ferroviária?
    O Raul Torres teve sua história sempre ligada com a ferrovia, mais especificamente com a Sorocabana, onde trabalhou durante a vida toda. Mesmo depois de famoso ainda ocupava um cargo na ferrovia. Como queríamos fazer uma narrativa diferente de documentários mais clássicos, somente com entrevistas, criamos um roteiro baseado em falas colhidas de entrevistas dele e relatos de amigos e parentes. Então em Bauru buscamos recriar esse ambiente da ferrovia Sorocabana, usando os vagões ainda conservados da Noroeste. Lá, fizemos a produção ficcional usando um ator (Roger Lima) interpretando o próprio Raul Torres, fazendo com que o documentário transite a narrativa entre primeira e terceira pessoa.
  4.  Qual foi o sentimento ao ser exibido no In-Edit?
    O sentimento é de satisfação pura. É como um selo de qualidade. O In-Edit Festival talvez seja um dos maiores festivais de cinema de gênero musical do mundo. Ter sido selecionado e entrar na programação do festival junto a documentários de diretores e produtores já renomados e com orçamentos muito maiores é algo que só tem a nos deixar orgulhosos. Sem falar o gostinho que é saber que nosso filme saiu da gaveta ou, no caso, saiu de um TCC e ganhou as telonas. É algo que qualquer produtor de conteúdo audiovisual deve sonhar.
  5. Vocês pretendem exibir aqui em Bauru?
    Infelizmente em Bauru não faremos exibição. Tínhamos até planejado alguma coisa para Bauru e também para Botucatu, mas não conseguimos nenhum apoio para viabilizar um evento para oferecer uma exibição bacana. Então, pretendemos disponibilizar ele na web mesmo, quem sabe oferecer algumas cópias para organizações ligadas a cultura caipira também.
  6. Qual a sua opinião sobre a produção audiovisual no interior (é difícil? está crescendo? tem espaço?)
    Em relação produção audiovisual em Bauru, acreditando que tem muita gente fazendo coisa legal, produzindo desde cinema independente até conteúdos para Youtube. Houve um aperfeiçoamento de linguagem das produtoras mais comerciais da cidade. Vemos outras mídias como jornal, rádio, sites e páginas usando o audiovisual como ferramenta. Acreditamos que hoje, por conta dessa revolução digital, o acesso a equipamentos de qualidade é muito mais fácil. Antes demandava grandes investimentos agora, com pouco investimento, você pode produzir algo tão bom quanto, até mesmo com os próprios celulares. Hoje todo mundo é de certa forma produtor de conteúdo em suas redes, e se juntar um pouco de técnica com criatividade pode sair muita coisa legal. Isso com certeza abre novos mercados, novas oportunidades. Vemos de forma muito positiva este momento para o audiovisual seja em Bauru, Brasil ou no mundo.

– Eu sou Raul Torres, violeiro sim sinhô!

O filme narra a trajetória de Raul Torres um dos grandes cantores e compositores da música caipira na primeira metade do século XX. Autor de modas clássicas como: Saudades de Matão, Cabloca Tereza, Chico Mulato, Concha de Retalhos entre outros grandes sucessos regravados por diversas outras duplas sertanejas. O documentário explora singularidade música caipira, o som de viola e paisagens características do interior de São Paulo. Fazendo uso de uma narrativa dinâmica com participação de músicos, pesquisadores e do próprio personagem Raul Torres – personificado pelo ator Roger Lima – o longa mostra uma viagem pelas ferrovias relembrando sua história e importância para o enraizamento da música caipira no cenário musical.

Para acompanhar o documentário, confira o link: https://vimeo.com/186245626

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